2.7.03

Se arrependimento matasse...
Costumo dizer que vale mais a pena nos arrepender pelas coisas que fazemos do que por aquelas que deixamos de fazer. Clichê puro, mas quem é que não usa clichês puros? Eu estou morrendo de arrependimento por algo que fiz. "Melhor assim", tento pensar. Mas a verdade é que não é melhor coisa nenhuma...

Explico: em 2000 eu trabalhava 18 horas por dia. Gostava (não amava, só gostava) do que fazia. Mesmo trabalhando feito um camelo (ainda que fosse um camelo feliz), eu ainda estudava à noite em São Bernardo, na mesma faculdade em que estou amargando meus dias hoje. Tudo parecia perfeito até aí.

Mas eu tive a idéia, junto com meu sócio à época, o Allan (que hoje dirige o site Zupi), de fazer uma revista. Depois de formatações e muitas reuniões, chegamos ao plano final: seria um veículo voltado a jovens judeus: a Aleinu. A idéia já estava formatada bem antes de eu começar naquele emprego.

Na verdade, eu me lembro agora, comecei naquele emprego porque convidei o cara que depois seria meu chefe para escrever para a revista. Ele topou. E tudo ia bem por lá, apesar da falta de tempo para tocar trabalho e faculdade.

Como eu sou um cara empreendedor e idealista, resolvi fazer a revista mesmo assim. Mas não dava! De uma das três coisas eu teria que abrir mão: do emprego, que me sustentava, da faculdade, que me daria formação, ou da revista, que poderia me trazer não apenas reconhecimento profissional mas (eu pensava...), grana. E assim eu fiz: depois de ouvir conselhos, tranquei a faculdade. Faltavam seis meses (nem isso) para me formar...

E lancei a revista, em dezembro daquele ano, semanas antes da "minha" festa de formatura... E a revista (ainda) não deu certo. Fiz o que fiz porque queria lançar uma revista que eu pensava que daria certo. Não deu, ainda estou nesse país, cheio de dívidas, desempregado e querendo me formar (e longe de chegar a isso).

Se eu não tivesse trancado, teria me formado em 2000, no máximo no 1º semestre de 2001. Depois, teria viajado pra Israel, antes mesmo de quando eu fui (abril de 2002), e hoje provavelmente seria um novo cidadão israelense. Estaria provavelmente no fim da minha pós-graduação em história do Oriente Médio, depois de já ter aprendido perfeitamente o hebraico... Tudo hoje é diferente do que poderia ter sido se eu não tivesse feito aquela merda.

Por isso me arrependo, e me arrependo amargamente. Mesmo que tenha sido por algo que eu fiz...

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