31.3.04

Hora do teste, que hora mais feliz
(Inspirado no Diário Intramuros da Camila)


Spanish or Italian
What language are you?

E já que a hora é de teste, diga lá: você realmente conhece o Gabo? Faça o teste e descubra quanto você conhece de mim!

30.3.04

Contra o tempo
Legal a coluna do Ricardo Guimarães na Trip. Ele fala sobre a nossa corrida contra o tempo e sobre como, na verdade, nos sobra cada vez menos tempo, quando deveria ocorrer o contrário. Aqui.
Tecnologia
Coisa linda essa tal de tecnologia! Agora, por meio do meu blog, você pode, se souber meu telefone (eu não vou contar!), mandar um Torpedo pra mim. Basta clicar aqui ou, a qualquer momento, em Mande-me um TIM TORPEDO, aí ao lado!

29.3.04

Paixão?
Fui ver o polêmico filme do Mel Gibson, A paixão de Cristo. Polêmico e violento. Como não conheço o assunto a fundo, li essa semana algumas coisas a respeito, como uma espécie de FAQ feita por um repórter da Folha, Marcio Antonio Campos, que sustenta que o filme não é anti-semita.

O filme é anti-semita. Anti-semita, sádico, provocativo e irresponsável. Como Campos mesmo afirma, o filme incentiva o ódio a judeus em mentes predispostas ao anti-semitismo, o que também é perigoso e igualmente nocivo. O texto de Campos relembra, inclusive, que o pai de Gibson pôs em dúvida, em entrevistas recentes, a ocorrência do Holocausto...

Em outro texto, também da Folha, Marcelo Negromonte, editor de Diversão & Arte do UOL, analisa o filme do ponto-de-vista técnico -e o compara com outras produções: "Como em O Senhor dos Anéis, o filme é uma adaptação bastante fiel do livro [a Bíblia], até com os 'idiomas' originais da trama, o que é bem visto pelos fãs".

Um outro texto, da AOL, me embrulhou o estômago. É assinado por Rodrigo Brancatelli, que -aliás- estudou comigo. Embrulhou meu estômago pela escolha que o repórter fez como fonte: um sujeito desclassificado, presidente de uma dissidência da preconceituosa Tradição, Família e Propriedade (TFP)... Ele mesmo nega que o Holocausto tenha ocorrido.

Não mudei minha opinião. O filme é sim anti-semita.
Já sorriu hoje?

Esperando o quê?
Trilha sonora
Sky, so vast is the sky,
With far away clouds just wandering by
Where do they go,
Oh I don't know, don't know

Wind that speaks to the leaves
Telling stories that no one believes
Stories of love belong to you and to me

Oh Dindi, if I only have words I would say
All the beautiful things that I see
When you're with me, oh my Dindi

Oh Dindi, like the song of the wind in the trees,
That's how my life is singing Dindi
Happy Dindi, when you're with me

I love you more each day, yes I do, yes I do,
I'd let you go away if you take me with you
Don't you know Dindi, I've been running, and searching for you
Like a river that can't find sea
That would be me without you my Dindi.

(Dindi, Tom Jobim)

Pequenos prazeres
Acordar cedo, de bom humor, sair de carro e comprar jornal no semáforo. Um sorriso logo cedo. MPB ao vivo no Roda Viva.

28.3.04

Míngua
Sweet dreams are made of these
Who am I to disagree
I traveled the world and the seven seas
Everybody's looking for something


Poucas coisas são tão tristes hoje como assistir ao fim de um amor. Nem mesmo, acho, ser parte de um amor que chega ao fim pode ser tão triste. Ver duas pessoas que se amaram olhando um para o outro sem aquele brilho nos olhos de outrora, sem carinho, sem vontade de ficar perto. Sentir que nada pode ser feito para que volte a ser como antes. Ser o único a ver o abismo que existe entre as duas pessoas...

Como é triste um amor minguado.

27.3.04

TCCar
TCCar significa fazer o TCC! Minha monografia, tão abrangente quanto sessenta anos de jornalismo, e tão específica quanto a história de vida de um jornalista com sessenta anos de carreira, precisa ficar pronta até junho. Comecei pelo quarto capítulo, o que fala dos dias atuais da vida dele, porque é o período que eu acompanhei de perto.

TCCar significa abrir muitos dos livros que eu já li, um dia, e que acumulam poeira nas minhas prateleiras para encontrar inspiração. O velho e o mar e O carteiro e o poeta me ajudaram nessa tarefa. Eu me sinto como o jovem Manolín que ajuda o velho Santiago na pescaria. E me sinto como o carteiro que leva a correspondência de Pablo Neruda. Tenho o prazer de ser algo entre um e outro.

Inspiração é a palavra para TCCar. Há dias nos quais, como o narrador de O carteiro..., em que sequer uma linha nasce. Há outros, contudo, como hoje, e hoje é um dia especial, em que páginas desfilam preenchidas com meus dedos à toda atividade diante dos meus olhos atrás da tela de vidro, na página outrora branca do documento de Word.

Até agora não concluí sequer um capítulo. Tenho até 15 de abril para terminar o primeiro deles, que é o quarto. Vou terminar. A inspiração está vindo e ajudando. As entrevistas estão sendo feitas. Idéias vão surgindo a cada linha que leio, a cada palavra que ouço de quem viveu outras épocas ao lado do meu personagem real.

Meu TCC não vai ser apenas um TCC. Quero que ele seja mais que o resumo de anos de curso, mais que três letras abreviando uma época maravilhosa e de intenso crescimento. Preciso voltar ao trabalho.
Descanso?!
Shabat Shalom, ainda TCCando...!

23.3.04

Pausa
Você ligou para o Gabo. No momento não posso atender. Estou ainda me dedicando a acabar o 4º capítulo do meu trabalho de conclusão de curso. Após o sinal, deixe sua mensagem, hora da ligação e telefone que eu entro em contato assim que voltar à vida normal. Isso pode demorar. Mas não nos desesperemos. É por uma boa causa, afinal. E não pode passar de 15 de abril. Depois disso, tenho outros 5 capítulos para escrever!

Piiiiiiiii...
Gasolina...
Que saco vir até São Bernardo para ficar moscando na faculdade... Haja gasolina pra essas brincadeiras. E eu podia estar em casa lendo alguns dos 40 livros empilhados para o meu TCC...

É...
Diálogo propício para dias de Paixão de Cristo
(Copiado descaradamente do Victor
Grinbaum
, que escreveu isso faz tempo!)

-- Você é judeu?
-- Sim, sou.
-- Judeu é aquela religião que não acredita em D-s, né?
-- Não senhora. O judaísmo foi a primeira religião a aceitar D-s como o Criador. O que os judeus não aceitam é Jesus como o Messias.
-- Então vocês não acreditam em Cristo Jesus?
-- É quase isso. Para nós, Jesus é conhecido como Rebi Yeshua ben Yossef, um sábio do judaísmo.
-- Então você não aceitam a Bíblia?
-- Muito pelo contrário! Foram os judeus que escreveram aquilo que vocês cristão conhecem como o Velho Testamento.
-- E o novo?
-- Para nós não há.
-- Então vocês não conhecem a Bíblia.
-- Por quê não?
-- Porque não lêem o Novo Testamento onde está a verdade de Cristo Jesus.
-- Isso significa que a senhora é que sabe ler a Bíblia?
-- Nós cristãos é que temos a verdadeira Bíblia!
-- A senhora lê a sua Bíblia em que idioma?
-- Como?
-- Em que língua está escrita a Bíblia que a senhora lê?
-- Em português!
-- A senhora concorda que a Bíblia em português que a senhora lê é uma tradução da Bíblia em inglês?
-- Sim.
-- Que por sua vez é traduzida do alemão, né?
-- Sim.
-- Que é uma versão da Bíblia em latim, não?
-- É.
-- Que foi traduzida do hebraico, não é verdade?
-- Sim.
-- Pois é. Eu leio a Bíblia no original.
Pausa
Você ligou para o Gabo. No momento não posso atender. Estou me dedicando a acabar o 4º capítulo do meu trabalho de conclusão de curso. Após o sinal, deixe sua mensagem, hora da ligação e telefone que eu entro em contato assim que voltar à vida normal. Isso pode demorar. Mas não nos desesperemos. É por uma boa causa, afinal. E não pode passar de 15 de abril. Depois disso, tenho outros 5 capítulos para escrever!

Piiiiiiiii...

22.3.04

"Abre as pernas, encosta no carro..."

Nos barracos da cidade
Ninguém mais tem ilusão
No poder da autoridade
De tomar a decisão

E o poder da autoridade
Se pode, não faz questão
Se faz questão, não consegue
Enfrentar o tubarão

Ô-ô-ô, ô-ô
Gente estúpida
Ô-ô-ô, ô-ô
Gente hipócrita

O governador promete
Mas o sistema diz não
Os lucros são muito grandes
Mas ninguém quer abrir mão

Mesmo uma pequena parte
Já seria a solução
Mas a usura dessa gente
Já virou um aleijão


Cheguei em casa. É quase uma da manhã. Fui autuado no caminho. Deve ter sido burrice, minha, só pode ter sido. Mas passei um semáforo vermelho, coisa que ninguém faz em São Paulo à noite, e fui pego. Verdade que tinha uma viatura da PM parada ali perto. Mas mesmo assim, senti medo de parar, coisa que raramente se sente em São Paulo à noite. Não reclamei da multa. O sujeito é pago ("não importa quanto eu ganho, mas eu ganho para isso", ele ia me dizer mais tarde) e deve cumprir com o dever.

Mas eu acho que se eu tenho uma missão ela deve ser a de fazer as pessoas pensarem. E eu disse ao policial, enquanto ele preenchia a multa, cheio de dúvidas e dificuldade, que queria fazer uma pergunta "com todo o respeito". E fiz. Perguntei se como civil, andando no carro dele, ele costuma repeitar todos os sinais. Desconversou, como resposta. Insisti, porque perguntar é do meu feitio. E ele disse que com uma viatura policial ao lado, nunca.

Contei que tenho medo de parar no vermelho. Não para me livrar da multa, mas para fazê-lo pensar. E contei que já fui assaltado oito vezes em São Paulo. E contei que um conhecido meu, quando tínhamos, ele e eu, dezenove anos, foi morto com dois tiros no Morumbi à luz do dia porque o ladrão que ia levar o carro dele achou que era uma arma que ele ia sacar quando, nervoso, tentava desatar o cinto de segurança. E contei que não confio na pol?cia, nem no tal "respeito" que ela tem junto à população. E lembrei dos ataques às delegacias ano passado...

Ouvi dele algumas coisas nobres. Mas que não me tiram o medo e não vão me fazer parar em semáforos vermelhos à noite. Mas que, no mínimo, me sensibilizaram -porque sei que temos uma polícia mal paga e despreparada. O policial, evitando olhar nos meus olhos, disse que rasgaria a farda e viraria bóia-fria se fizessem algo contra mim naquele cruzamento. E que arriscaria a vida dele para salvar a minha, caso alguém tentasse me assaltar.

Quando cheguei em casa, com a multa no bolso, uma viatura estava quase na porta do prédio. Na parede ao lado, três rapazes encostados com braços e pernas abertas. Passei devagar, olhando, e entrei na garagem. Do 18º andar, ouvi barulhos e fui olhar. Outros três rapazes caminhavam na rua sem notar a viatura. Um deles, vândalo, começou a chutar um orelhão. Parou aos gritos de uma policial. Os três então entraram em um Mercedes. E foram embora, sem nenhum "arranhão".

Fique com as conclusões. Se eu tenho uma missão ela deve ser a de fazer as pessoas pensarem.