22.3.06

Dá, não dá
Estão fazendo um sorteio aqui no trabalho. A cada duas pesquisas que completamos, ganhamos um papelzinho, preenchemos nosso nome e esperamos. Os prêmios são bons - uma TV, um mp3 player, uma câmera digital, coisas básicas e necessárias assim.

Antes de acabar a primeira hora desde que o sorteio começou a valer, completei o requisito e ganhei um papelzinho, o de número 664906. Estou agora lutando contra o telefone para completar mais pesquisas e conseguir mais papeizinhos.

Mas estava aqui me lembrando de uma vez, a única, em que ganhei num sorteio. Tinha 17 anos, fazia aulas semanais de dança de salão e estava em uma festa organizada pelos professores. Ouvi o número do meu ingresso com o anúncio de que uma diária num motel era minha.

Todo contente e envergonhado, subi no palco, diante dos colegas de ritmo, para buscar o meu prêmio. No microfone que serviu para anunciar o prêmio, perguntou minha idade. E decidiu, ali, que sendo menor de idade, eu não poderia levar o ingresso para uma noite de prazeres - palavra dele.

Fala a verdade - isso é que é falta de sorte! Espero que tenha mais sorte para o mp3 player dessa vez.

UPDATE: acabei de ganhar mais dois papeizinhos! Torçam aí por mim!

OUTRO UPDATE: recebi mais um papel e 20 shekels (que o chefe prometeu pra cada duas entrevistas feitas). Pô, parece que hoje é meu dia de sorte! Pena que o sorteio não vai ser hoje! Continuem torcendo, vocês dois, até o fim do mês, tá?!

ÚLTIMO UPDATE: são quinze pras seis da manhã aqui, estou no break que não tirei durante toda a noite. Terminei o shift com doze entrevistas, seis papeizinhos (me lembrei agora de que eles se chamam cupons!) e 40 shekels na carteira. Nada mal, né? Falta ganhar o mp3 - tem gente dizendo que é um iPod! Será?

16.3.06

Dois pra lá, dois pra cá
Você também acha que o tango está para o samba assim como a salsa está para o forró? Ou sou só eu? Ou você não entende nada do assunto? Enfim, só queria que os gringos entendessem isso e parassem de achar que eu sambo porque brasileiro sou...!

14.3.06

Fazendo arte
Resolvi mexer na cara do blog, mas ainda não estou gostando da arte que fiz. Detalhe que todos os comentários antigos foram para o espaço sideral (mas ficaram na minha memória!).

Bom, enquanto não arrumo uma cara melhor - para o blog e para mim -, uma pequena história de Purim, nesta fria manhã de terça-feira israelense. Saí do trabalho, primeiro dia de volta ao telemarketing e peguei a linha 7 pra voltar pra casa.

O motorista desse horário na linha 7, o mesmo de sempre, adora falar, adora bater papo. Eu hoje estava cansado e, resfriado, não tinha muita disposição, mesmo. Então sentei em um lugar que os espelhos dele não conseguiam me alcançar.

E fiquei vendo o entra-e-sai de gente, e ele brincando com cada um - muitos dos quais cliente fixos naquele horário! De repente, entram três mulheres. A primeira, uma russa, tinha cara fechada. Mostrou o cartão mensal e passou. A segunda abriu um sorriso.

E do sorriso dela, saiu um sonoro Purim sameach, feliz Purim (o feriado judaico que se comemora hoje). Pô! Me arrepiei todo quando ouvi! Em que outro lugar uma cidadã entra no ônibus e deseja um bom chag pro motorista? Só aqui...!

Desci alguns pontos depois com um sorriso na cara. E não esqueci de dizer, antes da porta abrir: "Shlomo, she ihie lecha Purim sameach" (Shlomo, que você tenha um feliz Purim). É o espírito.

Chag Purim sameach!

11.3.06

Sopa de letras
Estou tomando sopa de saco, aquelas semi-prontas, que custam a ter o gosto do que diz no pacote. Foi o que eu achei no meu armário, a única parte da cozinha que a sujeira insiste em não entrar... E, incrivelmente, a cenoura da sopa tem gosto de cenoura.

Joguei na loto semana passada. Primeira vez que fiz isso em Israel. Meu pai, que passou a semana aqui comigo, estava numa maré de sorte e achamos que poderíamos levar uma parte dos 14 milhões de shekels (uns 3 milhões de dólares) do prêmio. Não ganhamos nada, nem um centavo sequer. E perdemos 16 shekels - três dólares e meio. Aqui loto não é barata como no Brasil.

Tenho passado noites e noites insone diante do computador. Deve ser, como uma amiga bem disse, uma preparação psicológica e insconsiente para a volta ao telemarketing, de madrugada. É, começo na segunda-feira a ligar pros americanos e perguntar sobre os hábitos relacionados com as listas telefônicas deles. Pelo menos tem sempre boa companhia online - viva o fuso horário!

2002 foi o melhor ano da minha vida, o ano da 23a idade. Não é à toa, leitor, que não mudo o nome do blog. Não lembro agora quem me disse que as coisas que tem começo, meio e fim conhecidos são melhores. Tem razão, 100%. Em 2002 passei 184 dias aqui, como turista, viajando pelo país, conhecendo gente, e, mais importante que tudo, crescendo. Nunca mais fui o mesmo depois daquele semestre de verão entre abril e outubro...

Vamos vivendo...

2.3.06

Gabo de guerra
Não resisti ao trocadilho, precisei dizer que eu me sinto como um gabo de guerra... Cansado, dividido, sendo puxado por todos os lados... Vai passar, há de passar. E ainda tem outra... A Donana lembrou que já faz mais de dois anos que nos conhecemos, sem nem mesmo nos conhecer, e nos conhecemos tão bem. E aí, a crise dos 27, que devia ser dos 30. Sem sacanagem aquela história dos 19, e de que eu não quis fazer festa de aniversário - depois de quatro anos longe do Brasil nessa data querida - por achar que de querida só mesmo a lembrança.

28.2.06

Traços de judeu...
Papo de MSN às vezes é pior que papo de bêbado. Ontem descobri, num papo desses, com uma pessoa que não conheço, que judeu tem traços específicos, como os brasileiros, os italianos, os poloneses e os norte-americanos, algo assim. Fiquei com cara de ponto de interrogação. Sabe, cara de ponto de interrogação? Assim!

Vejá lá...

- Há quanto tempo vc está aí em Jerusalém?
- Um ano e meio
- Mas, vai ficar ainda mais?
- Sim, em outubro começo o mestrado
- Hum...
- Nossa, mas, por que você quis ir bem pra Israel?
- Por que não?
- Sei lá... Acho que eu não iria.
- Por que não?
- Ah, sei lá... Acho que não tem nada a ver comigo...
- Comigo tem. Sou judeu [digamos que ser judeu, só isso, é uma boa razão]

E então veio a revelação...

- Você parece mesmo ser judeu.
- Pareço? Como é um judeu?! hahaha [só rindo, mesmo!]
- Eu tenho descendência italiana, portuguesa e espanhola... Estritamente européia. [vejam bem: estritamente européia!] Um judeu é assim, como você é... Você tem traços de judeu... Pareço ser européia ou brasileira mesmo?
- Traços de judeu? Isso não existe!!! Cada judeu vem de um lugar diferente do mundo!
- Ah, sei lá... Desculpe, não foi minha intenção te ofender... Mas, você parece com judeus... Pelo menos os que eu já vi na vida...

Não que tenha ofendido... Na verdade, foi bom descobrir que eu tenho cara de judeu. Achei que judeu fosse aquele sujeito de nariz grande, sabe? Aquele das charges...!

Ai, ai...

27.2.06

Sol, areia e Carnaval na soleira
A Fox é uma das marcas de roupa mais populares de Israel. Uma espécie de M. Officer daqui, pra explicar em poucas palavras. Bom, eles resolveram fazer uma campanha de lançamento da nova coleção bem interessante. Fotografaram no Brasil os modelos com as roupas - bem verão - e usaram motivos bem brasileiros. Pense em alguns... Eu ajudo: cerveja Skol, Carnaval, mulatas, praia, favela, capoeira...

As fotos ficaram sensacionais. Uma mostra um modelo deitado no colo de duas senhoras negras dando uma risada bem marota, e uma delas tirando a roupa dele. Em outra, os modelos lêem jornais brasileiros - sobre futebol - esperando na fila para cortar o cabelo, em uma barbearia tipicamente brasileira. Tem até roda de samba com direito a cerveja e muita cor. As revistas foram entregues em cada porta israelense.

Em uma outra, um pivete sem camisa faz bolhas de sabão sob o olhar dos modelos que desfilam as roupas como se estivessem (e estão!) em casa, em ruas com paredes descascadas. Tem uma partida de vôlei de praia, rodas de capoeira, beijos apaixonados nas areias do Atlântico e verde, muito verde. Tem até explicações, em hebraico, sobre o que é açaí, rodízio, restaurantes a quilo, feijoada, arroz com feijão, pão de queijo, guaraná...

O resultado é uma revista linda, colorida, brasileira. Nem precisava dizer que em Israel amam o Brasil. Nem precisava dizer que a seleção canarinho é favorita para os jogos na Alemanha - dos quais Israel chegou perto, mas não vai participar. Nem precisava dizer, mas os caras da Fox pensaram nisso tudo - a fórmula deve funcionar. Basta o verão chegar! Espero só que não demore!

PS.: é, resolvi colocar em dia minha vida virtual. Tava na hora.

26.2.06

Dividido
Trouxe do Brasil uma bandeira gigante verde-amarela-azul-e-branca, para fazer concorrência com a israelense, pendurada em uma das paredes do meu quarto em Jerusalém, onde já estou de volta desde sexta. Concorrência desleal, porque a brasileira é bem maior, quase duas vezes a israelense. Quando acordo, é a primeira coisa que vejo - as bandeiras.

Nada. Só pra me deixar mais dividido.

30.1.06

Febre surfistinha
Coisas do Brasil, mas que brasileiro que está longe deixa passar despercebido. A tal Bruna Surfistinha, garota de programa aposentada que criou blog, escreveu livro (redigido, na realidade, por um dos meus mais queridos professores da graduação, Jorge Tarquini), posou para fotos em uma cacetada de revistas, apareceu em um monte de programas de televisão...

Comprei o livro, confesso. Foi o primeiro de um monte de livros que comprei e li, todos em português, em terras brasilis. Li e gostei. Não ia comprar pela Bruna Surfistinha - embora o tema muito me atraia, porque quis fazer um livro-reportagem como trabalho de conclusão de curso censurado pela igreja metodista que reina a minha ex-uiversidade... Comprei quando vi o nome do Tarquini lá.

Virou febre, como o casamento... Outra nova febre de brasileiro é o orkut. Tem até música (sertaneja, mas vá lá!) em que cantam o orkut. Num dia de caminhada pela Paulista, sentei no Bob's para comer um sanduíche e vi um banner: "faça aqui seu happy hour e encontre seus amigos fora do orkut". Febre mesmo. Paquera não rende telefone - se a garota gosta de você, provavelmente ela vai dizer "tô no orkut, me acha lá".

Febres de Brasil...

28.1.06

Ficar solteiro é bom...
Brasil. Meu primeiro post depois de 18 dias por aqui. Dias de matar saudade de gente, de muita gente, de comida (muita comida), dos lugares, de ser turista onde nasci. E dias de ficar assustado com essa nova mania nacional, a de casar... O que está acontecendo, minha gente? As pessoas da minhda idade - só 19 anos! - casando, casadas, com filhos... Assustador, mesmo.

A propósito da minha idade, 19 anos, completados no último domingo, quero propor uma campanha: "Ajude o Gabo a convencer as pessoas de que tem 19 anos". Poucos acreditam! Pensam que tenho vinte e sete, vejam só que besteira...!

Feliz ano novo, já que esse é o primeiro post também de 2006.

31.12.05

Ano novo, né?
Por essas e outras coisas da vida, ano novo é daquelas datas que pensamos que nela tudo tem que dar certo, todas as pessoas têm que estar felizes, juntas e comemorando. Não é sempre assim. Dores de cabeça acontecem, namorados brigam e até mesmo pessoas morrem no dia 31. E para quem está longe, até esquecem do fuso... E não ligam.

Enfim, é ano novo. Aqui já é 2006, já se passaram 16 minutos desde a meia-noite. Ano novo, ano dos meus 27, ano de tomar vergonha na cara e colocar esse blog como ele já foi um dia. Ano em que amigos se casam, ano em que eu visitarei o Brasil, ano de definições, como todos os anos.

Tô com aquele meu ar nostálgico, triste, mas não é isso. Não é bem isso. Sei lá. Uma coisa estranha acontece quando você passa duas viradas de ano seguidos longe da maioria das pessoas que ama, do lugar que ama (ou de um dos lugares que ama!), das músicas que falam ao coração, dos cheiros...

Feliz ano novo a todos. Bom 2006.

E, pra dar um toque especial na minha tristeza nostálgica, a música que está tocando agora no computador que eu estou usando para escrever essas linhas nos primeiros 22 minutos de janeiro...

Vem, vamos embora, esperar não é saber...
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

5.12.05

Outra vez Netania
Um atentado ocorreu hoje de manhã em Netania, de novo. Cinco meses depois que um outro ataque terrorista matou cinco pessoas no mesmo lugar. O de hoje deixou de novo cinco pessoas mortas e dezenas de feridos. Reportes no Haaretz, no Jerusalem Post e no YNet.

30.11.05

Qualquer semelhança é mera coincidência
Traficantes explodem ônibus no Rio, morreram 5 pessoas 09:15 5 pessoas morreram carbonizadas no final desta noite na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, depois que um ônibus foi incendiado por traficantes e explodiu. Entre as vítimas estao 1 criança de 2 anos e sua mae. Segundo a polícia, o ônibus foi incendiado com coquetéis Molotov lançados por um grupo de 10 homens, que seriam de uma favela da regiao. Em seguida, o ônibus explodiu com vários passageiros a bordo - "As pessoas ficaram desesperadas, tentavam escapar pela janela, mas o ônibus explodiu com muita gente dentro, foi uma grande tragédia. Parecia aquelas guerras que a gente vê lá fora", disse uma passageira em depoimento a Reuters. 30/11 Blue Bus

Não acreditei quando li. Ainda acham que morar no Brasil é melhor do que morar aqui?

23.11.05

Vento norte....
Patético demais pra ser verdade, mas é verdade. Um cara israelense da minha idade voou em um pára-quedas hoje no norte do país (onde, há dois dias, o Hizbolah e o Exército entraram em pesados confrontos, obrigando as populacoes das cidades próximas a se meter nos abrigos anti-bomba) e caiu 50 metros pra lá da fronteira, em território libanes. Nao fosse a acao dos soldados israelenses, a história dele poderia ser trágica. Mas é patética, embora verdadeira.

Para ler a respeito, em ingles: Haaretz, Jerusalem Post, Yediot Acharonot.

21.11.05

Reviravolta política
Está um caos a política em Israel com a saída do Sharon do Likud, o partido que ajudou a fundar. O primeiro-ministro vai criar outra legenda, cujo nome é bem sugestivo: Responsabilidade Nacional. Falei a respeito na edicao matutina de hoje da RFI, a partir do 5'18.