M473M471C0
4S V3235 3U 4C0RD0
M310 M473M471C0.
D31X0 70D4 4 4857R4Ç40 N47UR4L D3 L4D0
3 M3 P0NH0 4 P3N54R 3M NUM3R05,
C0M0 53 F0553 UM4 P35504 R4C10N4L.
540 5373 D1550, N0V3 D4QU1L0...
QU1N23 PR45 0NZ3...
7R323N705 6R4M45 D3 PR35UNT0...
M45 L060 C410 N4 R34L
3 C0M3Ç0 4 F423R V3R505
H1NDU-4R481C05
Baseado em fatos reais...
Diretamente de 31.78/35.22, mais conhecida como Jerusalém, escrevo para quem quiser ler - um pouco da vida e do dia-a-dia de um sujeito perdido em Israel.
7.9.05
Meu Brasil brasileiro
Sete de setembro, dia do meu Brasil brasileiro, dia de decisao importante, dia de pensar no Brasil (na familia e nos amigos, na comida, na musica, no clima maluco, no boteco da esquina, no pao na chapa com cortado, no pao de queijo, no pastel com caldo de cana, nos cheiros, no verde imenso, no portugues, na simpatia e hospitalidade...) e de parar de so pensar no Brasil. E dia de fechar a boca, porque sou desses que falam demais!
Aqui no Oriente Medio o dia vai so comecando, estou acabando um dia de trabalho e daqui a pouco saio para caminhar por Jerusalem, comer rolinhos de chocolate no shuk, tomar suco de cenoura com laranja feito na hora, cortar o cabelo conversando sobre politica, pegar onibus sem assaltos, ouvir conselho de quem nao conheco, pronunciar palavras arranhando a garganta, ver as manchetes dos jornais, pensar no caminho da paz, ler os cartazes politizados, falar e rir com amigos de todo o mundo e de todo o Brasil...
E' duro estar dividido.
Sete de setembro, dia do meu Brasil brasileiro, dia de decisao importante, dia de pensar no Brasil (na familia e nos amigos, na comida, na musica, no clima maluco, no boteco da esquina, no pao na chapa com cortado, no pao de queijo, no pastel com caldo de cana, nos cheiros, no verde imenso, no portugues, na simpatia e hospitalidade...) e de parar de so pensar no Brasil. E dia de fechar a boca, porque sou desses que falam demais!Aqui no Oriente Medio o dia vai so comecando, estou acabando um dia de trabalho e daqui a pouco saio para caminhar por Jerusalem, comer rolinhos de chocolate no shuk, tomar suco de cenoura com laranja feito na hora, cortar o cabelo conversando sobre politica, pegar onibus sem assaltos, ouvir conselho de quem nao conheco, pronunciar palavras arranhando a garganta, ver as manchetes dos jornais, pensar no caminho da paz, ler os cartazes politizados, falar e rir com amigos de todo o mundo e de todo o Brasil...
E' duro estar dividido.
5.9.05
Babaca
De repente, passeando pelo Orkut, topo com esse babaca, que COPIOU o meu perfil! Fala sério! Meus amigos dizem que o cara só está tentando ser como eu, mas eu ainda acho que é falta de imaginação e do que fazer! Deixem comentários lá pra ele, quem sabe ele não muda o perfil!
De repente, passeando pelo Orkut, topo com esse babaca, que COPIOU o meu perfil! Fala sério! Meus amigos dizem que o cara só está tentando ser como eu, mas eu ainda acho que é falta de imaginação e do que fazer! Deixem comentários lá pra ele, quem sabe ele não muda o perfil!
4.9.05
Estréia
Meses atrasado, resolvi arriscar meu primeiro texto no delicioso Mondo Redondo, por onde vale a pena passear por horas entre as colaborações de gente tão diferente e tão parecida. Resolvi escrever sobre o que vejo aqui - mais do que conto no blog, porque no blog é tudo pessoal demais. E espero escrever por lá a cada duas semanas, sempre aos domingos. Acompanhem e preparem os tomates!
Meses atrasado, resolvi arriscar meu primeiro texto no delicioso Mondo Redondo, por onde vale a pena passear por horas entre as colaborações de gente tão diferente e tão parecida. Resolvi escrever sobre o que vejo aqui - mais do que conto no blog, porque no blog é tudo pessoal demais. E espero escrever por lá a cada duas semanas, sempre aos domingos. Acompanhem e preparem os tomates!
3.9.05
Não vou me molhar
Agora chorar que é bom
Chorar que eu quero ver...
Vai começar a chover.
Só eu tenho o guarda-chuva,
Adivinha quem vai se molhar...
Quem vai se molhar é você!
Também pode chorar que eu não volto atrás,
Pois no meu guarda-chuva não te levo mais
(Funk como le gusta, Meu guarda-chuva)
Depois que vi metade de Bossa Nova hoje na TV daqui, com tomadas lindas do Rio de Janeiro, música do Tom Jobim e português, deu mais saudade do Brasil. Falta um ano para aparecer por aí!
Agora chorar que é bom
Chorar que eu quero ver...
Vai começar a chover.
Só eu tenho o guarda-chuva,
Adivinha quem vai se molhar...
Quem vai se molhar é você!
Também pode chorar que eu não volto atrás,
Pois no meu guarda-chuva não te levo mais
(Funk como le gusta, Meu guarda-chuva)
Depois que vi metade de Bossa Nova hoje na TV daqui, com tomadas lindas do Rio de Janeiro, música do Tom Jobim e português, deu mais saudade do Brasil. Falta um ano para aparecer por aí!
29.8.05
Viva o Mucius
Ano passado, menos de um mes antes de vir para Israel, comecei um curso que incluiu, entre muitas outras coisas (a duracao total era de um ano) tecnicas de expressao verbal e corporal. Nosso professor, o Mucius, se esforcou para fazer daquele monte de corpos inexpressivos algo que poderia ser respeitado ao falar em publico.
Hoje, no meio de coisas empoeiradas (odeio poeira, me faz espirrar) guardadas em uma mala, achei a apostila do curso e me pus, em casa, sem saber quem das minhas companheiras estava la, a praticar os exercicios do Mucius: ler textos em voz alta, pronunciar silabas estranhas e caminhar pela casa (isso ficou por minha conta) gesticulando...
Tudo, claro, pelo bem da minha voz, que agora corre o mundo via satelite e pela internet! Ainda tenho muito que melhorar, eu sei... Por isso, da-lhe Mucius todas as manhas antes de ir dormir (meus horarios trocados nao mudaram, continuo trabalhando de madrugada e dormindo na luz do dia!).
Ano passado, menos de um mes antes de vir para Israel, comecei um curso que incluiu, entre muitas outras coisas (a duracao total era de um ano) tecnicas de expressao verbal e corporal. Nosso professor, o Mucius, se esforcou para fazer daquele monte de corpos inexpressivos algo que poderia ser respeitado ao falar em publico.
Hoje, no meio de coisas empoeiradas (odeio poeira, me faz espirrar) guardadas em uma mala, achei a apostila do curso e me pus, em casa, sem saber quem das minhas companheiras estava la, a praticar os exercicios do Mucius: ler textos em voz alta, pronunciar silabas estranhas e caminhar pela casa (isso ficou por minha conta) gesticulando...
Tudo, claro, pelo bem da minha voz, que agora corre o mundo via satelite e pela internet! Ainda tenho muito que melhorar, eu sei... Por isso, da-lhe Mucius todas as manhas antes de ir dormir (meus horarios trocados nao mudaram, continuo trabalhando de madrugada e dormindo na luz do dia!).
28.8.05
NO AR
Outra entrada minha na RFI, dessa vez gravada, aqui. Sobre o atentado desta manha...
Atencao: a radio nao mantem no site arquivo dos programas. Por isso, quando eu coloco o link, ele tem que ser usado no mesmo dia, antes que o programa do dia seguinte no mesmo horario entre no ar (ou seja, dentro das 24 horas seguintes)
Outra entrada minha na RFI, dessa vez gravada, aqui. Sobre o atentado desta manha...
Atencao: a radio nao mantem no site arquivo dos programas. Por isso, quando eu coloco o link, ele tem que ser usado no mesmo dia, antes que o programa do dia seguinte no mesmo horario entre no ar (ou seja, dentro das 24 horas seguintes)
De novo do jeito que já foi um dia
Life is not measured by the number of breaths we take,
But by the moments that take our breath away
Já teve a sensação de que não aproveitou o máximo que um determinado momento poderia render? Como, quando adolescentes, a gente deixa de convidar a garota para dançar por timidez e depois se arrepende. Costumo arrancar de cada instante tudo que posso. Olhar no rosto das pessoas que estão comigo - amigos e mulheres, não importa. Ouvir a voz com olhos fechados como para registrá-la sem ruídos e interferências. Sentir o toque em um abraço, em um beijo, em um carinho.
Ouvir as palavras e guardá-las como se em um disco rígido que falha, falha muito - a nossa memória. E lembrar, depois, de cada palavra, do riso que ela provocou, do olhar maroto que ela trouxe...
E mesmo assim, depois de tudo isso, fica a sensação de que não aproveitei o máximo de um determinado momento. Estranho.
Life is not measured by the number of breaths we take,
But by the moments that take our breath away
Já teve a sensação de que não aproveitou o máximo que um determinado momento poderia render? Como, quando adolescentes, a gente deixa de convidar a garota para dançar por timidez e depois se arrepende. Costumo arrancar de cada instante tudo que posso. Olhar no rosto das pessoas que estão comigo - amigos e mulheres, não importa. Ouvir a voz com olhos fechados como para registrá-la sem ruídos e interferências. Sentir o toque em um abraço, em um beijo, em um carinho.
Ouvir as palavras e guardá-las como se em um disco rígido que falha, falha muito - a nossa memória. E lembrar, depois, de cada palavra, do riso que ela provocou, do olhar maroto que ela trouxe...
E mesmo assim, depois de tudo isso, fica a sensação de que não aproveitei o máximo de um determinado momento. Estranho.
Bomba, outra
Outra explosão, hoje de manhã, atingiu Be'er Sheva, no sul do país. Não houve mortos mas pelo menos 48 pessoas ficaram feridas, duas gravemente. Reports no Jerusalem Post e no Haaretz. É o primeiro atentado terrorista desde o fim da operação de retirada dos colonos judeus de assentamentos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
Esperamos as reações, dos dois lados. Não os bla-bla-blás, mas as reações efetivas.
Para quem está em Israel e preocupado:
EMERGENCY HOTLINE, SOROKA HOSPITAL 12-55-177
BE'ER SHEVA MUNICIPALITY HOTLINE 08-646-3737
Outra explosão, hoje de manhã, atingiu Be'er Sheva, no sul do país. Não houve mortos mas pelo menos 48 pessoas ficaram feridas, duas gravemente. Reports no Jerusalem Post e no Haaretz. É o primeiro atentado terrorista desde o fim da operação de retirada dos colonos judeus de assentamentos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
Esperamos as reações, dos dois lados. Não os bla-bla-blás, mas as reações efetivas.
Para quem está em Israel e preocupado:
EMERGENCY HOTLINE, SOROKA HOSPITAL 12-55-177
BE'ER SHEVA MUNICIPALITY HOTLINE 08-646-3737
24.8.05
Meu primeiro ao vivo
Acabei de transmitir para a Radio Franca Internacional, ao vivo, boletim sobre um ataque que ocorreu no incio da noite de hoje na Cidade Velha de Jerusalem - um ortodoxo morreu e outro ficou ferido depois de serem esfaqueados por um arabe. Quem quiser ouvir minha voz tremula e nervosa dando a noticia, clica aqui.
Acabei de transmitir para a Radio Franca Internacional, ao vivo, boletim sobre um ataque que ocorreu no incio da noite de hoje na Cidade Velha de Jerusalem - um ortodoxo morreu e outro ficou ferido depois de serem esfaqueados por um arabe. Quem quiser ouvir minha voz tremula e nervosa dando a noticia, clica aqui.
23.8.05
Planeta Blog chamando
Tinha que voltar, tomar vergonha na cara. Quase deixei o blog morrer, nem eu mesmo entrei para ver os comentários, sequer. Mas estou de volta, cheio de histórias. Histórias, algumas delas, que vão para um livro que eu comecei a escrever hoje. Como os últimos três, não vai ser publicado. Mas saibam que estou escrevendo um livro! Como já plantei árvores, fica faltando apenas o filho. Deixemos isso para outra ocasião, tá...?
História que tenho que contar é a da visita da Karina. A Karina, para quem não sabe, conheci há mais de quinze anos. E, por essas coisas do Orkut, nos reencontramos. Estudamos juntos no Miguel de Cervantes, onde aprendi um espanhol que já não tenho. Os caminhos se descruzaram, ela foi para a Espanha e eu vim parar em Israel. Coisas do destino... Pelo menos Madrid e Jerusalém ficam mais próximas do que de São Paulo.
Ela veio, passou uma semana. E nessa semana passeamos de carro (o turismo é outro quando você tem quatro rodas) por quase todo o país, ou por muita coisa que fica ao norte do Mar Morto e ao sul de Rosh Hanikra. Aproveitamos, né? Foi uma semana bem intensa.
E foi semana de desconexão. Fiquei devendo explicações sobre o último post (que foi só um teste mas acabou virando post no Blog dos Blogs!). Já explico o confronto das cores e as emoções das coisas que vi (e das que não vi, porque não pude ir a Gaza ver de perto) na semana que acabou.
Mas antes de semana da Karina e da semana da desconexão teve o mês da Sofia. A Sofia, que conheci entre uma palestra e outra tequila na Guatemala, veio do México parar em Israel. Já está de volta em Huixquilucan e vem para Jerusalém em um mês. A Sofia trouxe os temperos e os sabores do México e deu uma graça especial nos dias que passou aqui - mas não só pela comida (ela me mata!).
Desconectamos, enfim
Em poucas palavras, o primeiro-ministro Ariel Sharon resolveu que algo precisava ser feito porque Israel não tem um parceiro confiável para negociar a paz. Algo unilateral. Desconectar, pois. E assim foi feito, na semana passada. Israel desocupou todas as 21 colônias da Faixa de Gaza, que agora não tem mais judeus morando, e quatro da Cisjordânia, de onde estão saindo hoje.
O negócio das cores é assim. Laranja é a cor oficial de Gush Katif. Mistura o amarelo da areia com o vermelho do sol, uma parada assim. Gush Katif, o nome do bloco de colônias da Faixa de Gaza, fica diante da praia. Ficava. Então os opositores do plano do Sharon adotaram o laranja para protestar. E fizeram pulseiras, faixas, adesivos, fitas, manifestações - tudo laranja.
Em Israel, país do cachol ve lavan, do azul e branco, a oposição da oposição demorou mas não falhou. Veio bem depois da onda laranja uma distribuição de (de novo) pulseiras, faixas, adesivos e fitas - tudo azul como Adão e Eva no paraíso. E ficou assim: quem se opõe (se opunha) à saída dos assentamentos vestia laranja. Quem vai (ia) a favor, azul.
E aí, claro, surgiram as entidades que querem que todos esqueçam essa bobagem de cores e sejam todos irmãos. Então criaram o slogan "Precisamos manter a relação" com duas fitas (uma de cada cor) amarradas. Ou o slogan "O importante é não nos desconectar um do outro", com dois triângulos (como os que formam a Estrela de David na bandeira israelense) separados.
As emoções pela TV
Não fui a Gaza. Fui em abril, quando tudo estava mais calmo e a minha carteira de jornalista ainda não tinha vencido. Venceu e não renovaram, não pude ir. Mas acompanhei pela TV e me emocionei, sim, com as coisas que vi - como os soldados abraçados com os colonos que eles deviam retirar de Gaza, todos chorando. Imagem que fica para a memória do acontecimento.
Embora não tenha estado lá, cobri o que rolou na semana passada - e continuo fazendo isso, diariamente - para a Rádio França Internacional, que transmite quatro programas diários para 50 rádios do Brasil em português. Minha última colaboração foi ao ar na manhã de hoje em Paris. Está no ar.
Tinha que voltar, tomar vergonha na cara. Quase deixei o blog morrer, nem eu mesmo entrei para ver os comentários, sequer. Mas estou de volta, cheio de histórias. Histórias, algumas delas, que vão para um livro que eu comecei a escrever hoje. Como os últimos três, não vai ser publicado. Mas saibam que estou escrevendo um livro! Como já plantei árvores, fica faltando apenas o filho. Deixemos isso para outra ocasião, tá...?
História que tenho que contar é a da visita da Karina. A Karina, para quem não sabe, conheci há mais de quinze anos. E, por essas coisas do Orkut, nos reencontramos. Estudamos juntos no Miguel de Cervantes, onde aprendi um espanhol que já não tenho. Os caminhos se descruzaram, ela foi para a Espanha e eu vim parar em Israel. Coisas do destino... Pelo menos Madrid e Jerusalém ficam mais próximas do que de São Paulo.
Ela veio, passou uma semana. E nessa semana passeamos de carro (o turismo é outro quando você tem quatro rodas) por quase todo o país, ou por muita coisa que fica ao norte do Mar Morto e ao sul de Rosh Hanikra. Aproveitamos, né? Foi uma semana bem intensa.
E foi semana de desconexão. Fiquei devendo explicações sobre o último post (que foi só um teste mas acabou virando post no Blog dos Blogs!). Já explico o confronto das cores e as emoções das coisas que vi (e das que não vi, porque não pude ir a Gaza ver de perto) na semana que acabou.
Mas antes de semana da Karina e da semana da desconexão teve o mês da Sofia. A Sofia, que conheci entre uma palestra e outra tequila na Guatemala, veio do México parar em Israel. Já está de volta em Huixquilucan e vem para Jerusalém em um mês. A Sofia trouxe os temperos e os sabores do México e deu uma graça especial nos dias que passou aqui - mas não só pela comida (ela me mata!).
Desconectamos, enfim
Em poucas palavras, o primeiro-ministro Ariel Sharon resolveu que algo precisava ser feito porque Israel não tem um parceiro confiável para negociar a paz. Algo unilateral. Desconectar, pois. E assim foi feito, na semana passada. Israel desocupou todas as 21 colônias da Faixa de Gaza, que agora não tem mais judeus morando, e quatro da Cisjordânia, de onde estão saindo hoje.
O negócio das cores é assim. Laranja é a cor oficial de Gush Katif. Mistura o amarelo da areia com o vermelho do sol, uma parada assim. Gush Katif, o nome do bloco de colônias da Faixa de Gaza, fica diante da praia. Ficava. Então os opositores do plano do Sharon adotaram o laranja para protestar. E fizeram pulseiras, faixas, adesivos, fitas, manifestações - tudo laranja.
Em Israel, país do cachol ve lavan, do azul e branco, a oposição da oposição demorou mas não falhou. Veio bem depois da onda laranja uma distribuição de (de novo) pulseiras, faixas, adesivos e fitas - tudo azul como Adão e Eva no paraíso. E ficou assim: quem se opõe (se opunha) à saída dos assentamentos vestia laranja. Quem vai (ia) a favor, azul.
E aí, claro, surgiram as entidades que querem que todos esqueçam essa bobagem de cores e sejam todos irmãos. Então criaram o slogan "Precisamos manter a relação" com duas fitas (uma de cada cor) amarradas. Ou o slogan "O importante é não nos desconectar um do outro", com dois triângulos (como os que formam a Estrela de David na bandeira israelense) separados.
As emoções pela TV
Não fui a Gaza. Fui em abril, quando tudo estava mais calmo e a minha carteira de jornalista ainda não tinha vencido. Venceu e não renovaram, não pude ir. Mas acompanhei pela TV e me emocionei, sim, com as coisas que vi - como os soldados abraçados com os colonos que eles deviam retirar de Gaza, todos chorando. Imagem que fica para a memória do acontecimento.
Embora não tenha estado lá, cobri o que rolou na semana passada - e continuo fazendo isso, diariamente - para a Rádio França Internacional, que transmite quatro programas diários para 50 rádios do Brasil em português. Minha última colaboração foi ao ar na manhã de hoje em Paris. Está no ar.
4.8.05
E o 15 de agosto está chegando
E o 15 de agosto está chegando
Faltam apenas duas semanas para a desconexão, para que Israel saia completamente da Faixa de Gaza. O clima é tenso. Grupos extremistas israelenses tentam invadir o local, selado há algumas semanas, para frustrar o plano de saída. Em vão. Muitos já saíram, algumas famílias já receberam as chaves das casas novas em locais como Nitzanim e a essa altura já devem estar decorando suas novas moradias.E continua a disputa entre laranjas e azuis, por todo lado. Jerusalém está toda pintada, nas duas cores. Carros, mochilas, pulsos e tudo onde se pode amarrar uma fita leva uma das cores. No ônibus que eu fotografei semana passada o cartaz diz: "Devemos manter o relacionamento".
O que será não se sabe...
1.8.05
Acabou o Taka
E, no tekes de fim (israelense é chegado em uma cerimônia!), marcou a atitude da francesa religiosa de 19 anos que, durante os cinco meses de curso, me detonou por eu ser azul e "querer entregar Gaza para os terroristas". Ela tirou do pulso uma pulseira de pedrinhas e me deu, dizendo: "para você me devolver na próxima vez em que nos encontrarmos, para que tenha uma próxima vez".
É dessas pequenas coisas que o bonito da vida é feito. Fiquei emocionado, sem exagero. E, como um bobo de 26 anos, procurei alguma coisa para dar a ela, em troca. Não achei, mas dei a promessa de que sim haverá próxima vez e de que na próxima, levo alguma coisa minha para que tenha mais uma! E nos despedimos, entre sorrisos tímidos e o constragimento de não poder matar a timidez com um abraço, porque ela é religiosa.
E acabou o Taka, cinco meses depois. Fotos, sorrisos, declarações de agradecimento aos professores e à equipe que, nem tinha noção, é bem maior do que imaginava. Acabou a segunda fase da aliá - e com ela, a sensação de tristeza por estar deixando mais uma etapa. E a esperança de que as pessoas - como a francesa, os russos, os latinos e todos que passaram como eu por essa atribulada fase - fiquem em contato. Com ou sem pulseira, porque tem uma coisa bem mais significativa entre nós...
E, no tekes de fim (israelense é chegado em uma cerimônia!), marcou a atitude da francesa religiosa de 19 anos que, durante os cinco meses de curso, me detonou por eu ser azul e "querer entregar Gaza para os terroristas". Ela tirou do pulso uma pulseira de pedrinhas e me deu, dizendo: "para você me devolver na próxima vez em que nos encontrarmos, para que tenha uma próxima vez".
É dessas pequenas coisas que o bonito da vida é feito. Fiquei emocionado, sem exagero. E, como um bobo de 26 anos, procurei alguma coisa para dar a ela, em troca. Não achei, mas dei a promessa de que sim haverá próxima vez e de que na próxima, levo alguma coisa minha para que tenha mais uma! E nos despedimos, entre sorrisos tímidos e o constragimento de não poder matar a timidez com um abraço, porque ela é religiosa.
E acabou o Taka, cinco meses depois. Fotos, sorrisos, declarações de agradecimento aos professores e à equipe que, nem tinha noção, é bem maior do que imaginava. Acabou a segunda fase da aliá - e com ela, a sensação de tristeza por estar deixando mais uma etapa. E a esperança de que as pessoas - como a francesa, os russos, os latinos e todos que passaram como eu por essa atribulada fase - fiquem em contato. Com ou sem pulseira, porque tem uma coisa bem mais significativa entre nós...
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