Chegou!
E já tiramos fotos no nosso primeiro passeio, no Shabat, para a Cidade Velha de Jerusalém!
Baseado em fatos reais...
Diretamente de 31.78/35.22, mais conhecida como Jerusalém, escrevo para quem quiser ler - um pouco da vida e do dia-a-dia de um sujeito perdido em Israel.
5.3.05
3.3.05
Ahava ze col ha sipur
Uma das cenas mais marcantes, para mim, do filme It's all about love é a final, em que pessoas do mundo real, e não apenas atores, vêm e vão num aeroporto inglês. Entre beijos e abraços, despedidas e reencontros, a música dá o tom romântico da película.
Estou agora no Natbag, sigla carinhosa do Aeroporto Ben Gurion. Segunda vez que venho para o Terminal 3, o mais novo, bem novo, inaugurado no ano passado. Estou no saguão de desembarque, um lugar enorme, cheio de colunas altíssimas e com o mesmo clima do filme!
Ainda faltam duas horas para a chegada dela. Aproveito o tempo, já que tive que tomar em Jerusalém o último ônibus que vinha pra cá, para escrever. O que mais posso fazer? Confesso que trouxe meus cadernos do Taka, mas como controlar a ansiedade para estudar?
Tenho um olho na tela do laptop, outro no painel eletrônico com as informações dos vôos. O dela, LY 382, vindo de Milão, Itália, já figura, no final da lista (bom sinal, pelo menos não vim no dia errado!). O status: FINAL.
Atrás de mim há algumas lojinhas, de flores, balões, livros, jornais em muitos idiomas, aluguel de celular, comida. Já passei por todas elas, olhei cada livro e cada manchete nos idiomas que conheço! Não tenho fome, mas já gastei uns trocados na máquina de guloseimas...
Já estou no momento de sequer ter o que escrever, mais. Muita ansiedade. Oito meses desde o último aeroporto, o de Guarulhos, em São Paulo. E a sensação estranha de não saber como vai ser o reencontro tão ansiado depois de tanto tempo.
Que passe logo o tempo.
Glossário
Ahava ze col ha sipur, o título do post, é também o título do filme que eu mencionei, em hebraico. Significa literalmente "amor é toda a história". As traducões de nomes de filmes aqui são mais fiéis. É bem parecido com o original "It's all about love".
PS.: se você lê esse blog e está no Orkut, então precisa entrar na comunidade que eu criei, porque sou umbiguista! Como eu escrevi lá, é a comunidade de quem lê o blog, de quem caiu aqui por acaso e se apaixonou pelo que leu, para quem já se emocionou, entristeceu, aprendeu, ficou puto com algum post...
Uma das cenas mais marcantes, para mim, do filme It's all about love é a final, em que pessoas do mundo real, e não apenas atores, vêm e vão num aeroporto inglês. Entre beijos e abraços, despedidas e reencontros, a música dá o tom romântico da película.
Estou agora no Natbag, sigla carinhosa do Aeroporto Ben Gurion. Segunda vez que venho para o Terminal 3, o mais novo, bem novo, inaugurado no ano passado. Estou no saguão de desembarque, um lugar enorme, cheio de colunas altíssimas e com o mesmo clima do filme!
Ainda faltam duas horas para a chegada dela. Aproveito o tempo, já que tive que tomar em Jerusalém o último ônibus que vinha pra cá, para escrever. O que mais posso fazer? Confesso que trouxe meus cadernos do Taka, mas como controlar a ansiedade para estudar?
Tenho um olho na tela do laptop, outro no painel eletrônico com as informações dos vôos. O dela, LY 382, vindo de Milão, Itália, já figura, no final da lista (bom sinal, pelo menos não vim no dia errado!). O status: FINAL.
Atrás de mim há algumas lojinhas, de flores, balões, livros, jornais em muitos idiomas, aluguel de celular, comida. Já passei por todas elas, olhei cada livro e cada manchete nos idiomas que conheço! Não tenho fome, mas já gastei uns trocados na máquina de guloseimas...
Já estou no momento de sequer ter o que escrever, mais. Muita ansiedade. Oito meses desde o último aeroporto, o de Guarulhos, em São Paulo. E a sensação estranha de não saber como vai ser o reencontro tão ansiado depois de tanto tempo.
Que passe logo o tempo.
Glossário
Ahava ze col ha sipur, o título do post, é também o título do filme que eu mencionei, em hebraico. Significa literalmente "amor é toda a história". As traducões de nomes de filmes aqui são mais fiéis. É bem parecido com o original "It's all about love".
PS.: se você lê esse blog e está no Orkut, então precisa entrar na comunidade que eu criei, porque sou umbiguista! Como eu escrevi lá, é a comunidade de quem lê o blog, de quem caiu aqui por acaso e se apaixonou pelo que leu, para quem já se emocionou, entristeceu, aprendeu, ficou puto com algum post...
2.3.05
Ansiedade
Acepções (*)
substantivo feminino
1 grande mal-estar físico e psíquico; aflição, agonia
Ex.: a demora no atendimento causava-lhe a.
2 Derivação: sentido figurado.
desejo veemente e impaciente
Ex.: com grande a. aguardava o seu casamento
3 Derivação: sentido figurado.
falta de tranqüilidade; receio
Ex.: com a., procurava um lugar para ocultar-se
4 Rubrica: psicopatologia.
estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso
Acepções (*)
substantivo feminino
1 grande mal-estar físico e psíquico; aflição, agonia
Ex.: a demora no atendimento causava-lhe a.
2 Derivação: sentido figurado.
desejo veemente e impaciente
Ex.: com grande a. aguardava o seu casamento
3 Derivação: sentido figurado.
falta de tranqüilidade; receio
Ex.: com a., procurava um lugar para ocultar-se
4 Rubrica: psicopatologia.
estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso
1.3.05
Instalatztor
De repente, eu sozinho em casa quebrando a cabeça com um texto, toca a campainha. Não estava esperando ninguém, mas fui ver quem era. O olho mágico revela uma mulher e um cara, totalmente estranhos. Abro a porta, sem o medo que teria se estivesse em São Paulo - talvez seja só ingenuidade...
Ela, a vizinha do 14, diz que conversou com a minha shutafá, que a essas horas deve estar no verão argentino, já. Algo sobre a ambatia, consertos na casa, e que tinha trazido o Samy, o magricela ali ao lado, para dar uma olhada. A Paula, minha shutafá, deve ter esquecido de me dizer - culpa da correria, mal nos encontramos nos últimos dias antes da viagem.
E eles vão entrando, despejando palavras em hebraico. Palavras desconhecidas, porque naturalmente eu ainda não conheço o vocabulário de reparos domésticos: pintar o teto do banheiro, arrumar a infiltração do teto da sala, comprar outro exaustor, trocar o teto da mirpeset, consertar a persiana das chalonot...
Depois, o magricela Samy anota o telefone num papel, pede para eu falar com o proprietário do cafofo e depois ligar pra ele, e vai embora. Dou risada quando fecho a porta e percebo que, embora não tenha ainda o vocabulário, só falei com eles em hebraico! Assim, também, se aprende o idioma!
Ah! Tive aula de inglês hoje. É, inglês, "the book is on the table" e aquela coisa toda. Fiz na semana passada uma prova pra descobrir em que sala iam me botar. Tirei 96, fiquei na mais alta. Queria não precisar fazer, pô. Mas para isso, e pro ptor, devia ter conseguido 100...
Glossário
Instalatztor é do que trabalha o Samy, meu visitante do dia. Algo como "reparos domésticos", "faço qualquer serviço na sua casa por um bom precinho", "você precisa trocar a rebimbola da parafuseta do exaustor". Esse mesmo.
Shutafá, meus dois leitores já sabem, é flatmate. As minhas três, a Paula, a Melina (irmãs de Buenos Aires) e a Carolina (que é de Mendoza) estão curtindo férias na Argentina. Ainda bem. Quarenta e cinco dias com a casa só pra mim. A casa e as contas, claro.
Ambatia é dessas palavras engraçadas do hebraico. Significa o banheiro do banho. Sim, porque em geral os banheiros aqui são separados: em um se toma banho, no outro se faz "o resto"... Mas em casa não é assim, é tudo em um só, como provavelmente na sua casa no Brasil!
Mirpeset é sacada, varanda, terraço. Ou, como aqui em casa, o espaço externo, que na verdade são dois, um coberto e outro ao ar livre, que vai abrigar churrascos no verão! Aliás, já está na hora de o verão voltar...
Chalonot é o plural de chalon, janela. Não confundir com chalom, que é sonho (o de sonhar, não o de comer - o de comer é sufganiá, mas não estamos na época. Esse papo me deu uma fome... Pudera, são sete da noite e ainda não almocei hoje).
Ptor é aquilo que se consegue em inglês com nota 100 em uma prova ou em hebraico depois de dois anos de estudo, mais ou menos! Não sei a tradução, ainda não tenho ptor! Vou procurar.
De repente, eu sozinho em casa quebrando a cabeça com um texto, toca a campainha. Não estava esperando ninguém, mas fui ver quem era. O olho mágico revela uma mulher e um cara, totalmente estranhos. Abro a porta, sem o medo que teria se estivesse em São Paulo - talvez seja só ingenuidade...
Ela, a vizinha do 14, diz que conversou com a minha shutafá, que a essas horas deve estar no verão argentino, já. Algo sobre a ambatia, consertos na casa, e que tinha trazido o Samy, o magricela ali ao lado, para dar uma olhada. A Paula, minha shutafá, deve ter esquecido de me dizer - culpa da correria, mal nos encontramos nos últimos dias antes da viagem.
E eles vão entrando, despejando palavras em hebraico. Palavras desconhecidas, porque naturalmente eu ainda não conheço o vocabulário de reparos domésticos: pintar o teto do banheiro, arrumar a infiltração do teto da sala, comprar outro exaustor, trocar o teto da mirpeset, consertar a persiana das chalonot...
Depois, o magricela Samy anota o telefone num papel, pede para eu falar com o proprietário do cafofo e depois ligar pra ele, e vai embora. Dou risada quando fecho a porta e percebo que, embora não tenha ainda o vocabulário, só falei com eles em hebraico! Assim, também, se aprende o idioma!
Ah! Tive aula de inglês hoje. É, inglês, "the book is on the table" e aquela coisa toda. Fiz na semana passada uma prova pra descobrir em que sala iam me botar. Tirei 96, fiquei na mais alta. Queria não precisar fazer, pô. Mas para isso, e pro ptor, devia ter conseguido 100...
Glossário
Instalatztor é do que trabalha o Samy, meu visitante do dia. Algo como "reparos domésticos", "faço qualquer serviço na sua casa por um bom precinho", "você precisa trocar a rebimbola da parafuseta do exaustor". Esse mesmo.
Shutafá, meus dois leitores já sabem, é flatmate. As minhas três, a Paula, a Melina (irmãs de Buenos Aires) e a Carolina (que é de Mendoza) estão curtindo férias na Argentina. Ainda bem. Quarenta e cinco dias com a casa só pra mim. A casa e as contas, claro.
Ambatia é dessas palavras engraçadas do hebraico. Significa o banheiro do banho. Sim, porque em geral os banheiros aqui são separados: em um se toma banho, no outro se faz "o resto"... Mas em casa não é assim, é tudo em um só, como provavelmente na sua casa no Brasil!
Mirpeset é sacada, varanda, terraço. Ou, como aqui em casa, o espaço externo, que na verdade são dois, um coberto e outro ao ar livre, que vai abrigar churrascos no verão! Aliás, já está na hora de o verão voltar...
Chalonot é o plural de chalon, janela. Não confundir com chalom, que é sonho (o de sonhar, não o de comer - o de comer é sufganiá, mas não estamos na época. Esse papo me deu uma fome... Pudera, são sete da noite e ainda não almocei hoje).
Ptor é aquilo que se consegue em inglês com nota 100 em uma prova ou em hebraico depois de dois anos de estudo, mais ou menos! Não sei a tradução, ainda não tenho ptor! Vou procurar.
28.2.05
O fazer blog
Permita-me, caro leitor, fazer um post metalingüístico! Quero escrever sobre como é escrever um blog. Tem gente que não sabe que fazer blog, o que muitos acham que é bobagem, requer tempo. Não apenas o tempo de sentar e espancar o teclado, produzindo posts que emocionam, fazem rir, dão o recado, mas o tempo de pensar neles.
Confesso, caro leitor, que tenho o vício de pensar no meu blog o dia todo. Cada situação que ocorre na minha vida, no trabalho, nos estudos, andando na rua, sentado no banheiro, tomando uma ducha, batendo um papo etc, eu enxergo com outros olhos: os olhos do blogueiro!
Ontem, por exemplo, limpando uma mesa onde duas judias ortodoxas conversavam, não pude deixar de prestar atenção no papo. Elas não sabiam que eu, por acaso, entendo espanhol como se fosse português. Eu não contei pra elas. E flagrei duas judias ortodoxas de peruca e vestido comprido contando das calcinhas que estavam usando...! Foi hilário.
Mais hilário, contudo, naquele mesmo momento, esfregando a mesa como se eu fosse uma mosquinha ouvindo um diálogo que não deveria ouvir, foi imaginar isso transformado no que eu acabei de escrever, nessas seis linhas aí! Tive que segurar para não rir, sério!
Fazer blog é delicioso. Mas o blog não é um espelho da alma, não! Tem gente que pensa que conto tudo aqui! Engano redondo... E, daí, quem lê o blog, o que escrevo, o que confesso (e confesso muita coisa por aqui), o que denuncio, o que conto, não necessariamente me conhece. Tá?
Bom, sete da manhã no Oriente Médio. Hora de sair para estudar.
Permita-me, caro leitor, fazer um post metalingüístico! Quero escrever sobre como é escrever um blog. Tem gente que não sabe que fazer blog, o que muitos acham que é bobagem, requer tempo. Não apenas o tempo de sentar e espancar o teclado, produzindo posts que emocionam, fazem rir, dão o recado, mas o tempo de pensar neles.
Confesso, caro leitor, que tenho o vício de pensar no meu blog o dia todo. Cada situação que ocorre na minha vida, no trabalho, nos estudos, andando na rua, sentado no banheiro, tomando uma ducha, batendo um papo etc, eu enxergo com outros olhos: os olhos do blogueiro!
Ontem, por exemplo, limpando uma mesa onde duas judias ortodoxas conversavam, não pude deixar de prestar atenção no papo. Elas não sabiam que eu, por acaso, entendo espanhol como se fosse português. Eu não contei pra elas. E flagrei duas judias ortodoxas de peruca e vestido comprido contando das calcinhas que estavam usando...! Foi hilário.
Mais hilário, contudo, naquele mesmo momento, esfregando a mesa como se eu fosse uma mosquinha ouvindo um diálogo que não deveria ouvir, foi imaginar isso transformado no que eu acabei de escrever, nessas seis linhas aí! Tive que segurar para não rir, sério!
Fazer blog é delicioso. Mas o blog não é um espelho da alma, não! Tem gente que pensa que conto tudo aqui! Engano redondo... E, daí, quem lê o blog, o que escrevo, o que confesso (e confesso muita coisa por aqui), o que denuncio, o que conto, não necessariamente me conhece. Tá?
Bom, sete da manhã no Oriente Médio. Hora de sair para estudar.
27.2.05
De volta, mas correndo
"The calm period with the [Palestinian] Authority was
an agreement for a month and that has ended"
Abu Tareq, member of Islamic Jihad's
Damascus-based political bureau
22.2.05
Esqueceram de mim
Lembram do título original do filme que lançou o Macaulay Culkin? Era Home alone! Pois é exatamente assim, home alone, que vou ficar a partir da próxima segunda-feira. É que as minhas três shutafot, todas elas, vão para a Argentina. Na verdade só duas iam, mas a terceira ganhou a passagem do pai e vai para o casamento de uma amiga. Fica um mês. As outras duas, 45 dias.
Mas, com oito dias faltando para a chegada do meu amor, eu só vou ficar home alone durante a semana que vem. Vai ser o tempo de faxinar a casa, fazer as compras do mês, lavar a roupa acumulada, preparar tudo! E arrumar desculpas para faltar no trabalho - afinal, quase oito meses se passaram desde que eu saí do Brasil!
Lembram do título original do filme que lançou o Macaulay Culkin? Era Home alone! Pois é exatamente assim, home alone, que vou ficar a partir da próxima segunda-feira. É que as minhas três shutafot, todas elas, vão para a Argentina. Na verdade só duas iam, mas a terceira ganhou a passagem do pai e vai para o casamento de uma amiga. Fica um mês. As outras duas, 45 dias.
Mas, com oito dias faltando para a chegada do meu amor, eu só vou ficar home alone durante a semana que vem. Vai ser o tempo de faxinar a casa, fazer as compras do mês, lavar a roupa acumulada, preparar tudo! E arrumar desculpas para faltar no trabalho - afinal, quase oito meses se passaram desde que eu saí do Brasil!
20.2.05
Começou!
O Taka, tochnit kdam academait, começou... Agora, fim da farra! Aulas todos os dias: hebraico, estatística, inglês, computação... Provas, estudar...
Glossário
Tochnit é "programa". Kdam, "pré". Academait, "acadêmico". Taka, então, é a abreviatura de "programa preparatório acadêmico", algo assim. Pro inglês, traduzem como pre-academic program Dá no mesmo, não dá?!
O Taka, tochnit kdam academait, começou... Agora, fim da farra! Aulas todos os dias: hebraico, estatística, inglês, computação... Provas, estudar...
Glossário
Tochnit é "programa". Kdam, "pré". Academait, "acadêmico". Taka, então, é a abreviatura de "programa preparatório acadêmico", algo assim. Pro inglês, traduzem como pre-academic program Dá no mesmo, não dá?!
19.2.05
Instantes, os seus e os meus
Queria contar quem foi o personagem Aroma do dia, do primeiro sábado de trabalho. Queria contar da menina árabe que me desmontou. Queria falar da emoção que senti quando uma avó me pediu para dizer ao neto que tomasse o leite, como a minha avó fazia comigo. Queria dizer que meu pai veio conhecer minha casa, depois de dois meses, e passou o Shabat aqui. Queria contar tanta coisa de hoje.
Mas não vou contar nada. Vou apenas publicar uma poesia, de Pessoa. E dizer mais nada. Pra bom entendedor, meia dúzia de palavras bem encaixadas basta. Tem Instantes que me deixam arrepiado.
Boa semana. Amanhã volto aos estudos! Hebraico na veia!
Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
Que quem sou e quem fui
São sonhos diferentes.
Queria contar quem foi o personagem Aroma do dia, do primeiro sábado de trabalho. Queria contar da menina árabe que me desmontou. Queria falar da emoção que senti quando uma avó me pediu para dizer ao neto que tomasse o leite, como a minha avó fazia comigo. Queria dizer que meu pai veio conhecer minha casa, depois de dois meses, e passou o Shabat aqui. Queria contar tanta coisa de hoje.
Mas não vou contar nada. Vou apenas publicar uma poesia, de Pessoa. E dizer mais nada. Pra bom entendedor, meia dúzia de palavras bem encaixadas basta. Tem Instantes que me deixam arrepiado.
Boa semana. Amanhã volto aos estudos! Hebraico na veia!
Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
Que quem sou e quem fui
São sonhos diferentes.
17.2.05
Devagar, devagar, devagarinho
Tem uma coisa que todo israelense devia saber: não há nada melhor para um ole chadash do que ouvir que o hebraico dele está melhorando. Hoje foi dia de reencontro lá no Aroma com pessoas com quem trabalhei há alguns meses, uma delas quando eu nem conseguia falar ivrit e acabava só usando inglês, mesmo. E ela disse: "seu hebraico melhorou muito!" Ganhei o dia.
Pudera... Estou aqui há sete meses e meio (completo "meio" no domingo, meu primeiro dia de aula, de novo!), trabalho com israelenses e procuro falar o quanto posso, embora more com três argentinas e em casa o espanhol seja oficial. Tenho alguns amigos israelenses, com quem só falo, ainda que errando, hebraico. Se, com tudo isso, eu não melhorar, então como?!
Mas não tem forma melhor de comprovar a hitcadmut do idioma do que brigando! Hoje briguei em hebraico, pra receber uma grana que um hotel me deve há um tempo... Briguei mesmo, impondo a voz e tudo! Saí sem o cheque, mas me comuniquei! Dei o recado. Pela primeira vez, acho, usei a palavra pitaron, solução!
E trabalhei pacas no Aroma hoje! Pacas. Quinta-feira só não é pior que sexta, e amanhã trabalho de novo, de manhã, até começar o shabat. Muita gente, muito barulho, muita mesa pra limpar... Teve até um artista que resolveu pintar a mesa com tinta, só pra me dar mais trabalho. Super legal ele.
E, enquanto esfregava o pano pra tirar as manchas do infeliz, escolhi o personagem Aroma do dia: na mesa ao lado, três pessoas, dois caras e uma mulher. Trinta e poucos anos, cada um. A moçona ameaçando o moção de jogar o celular dele do alto do terceiro andar do shopping; o moção, de jogar uma nota de NIS 50 (uns onze dólares) lá pra baixo. Não pude conter a risada. Eles perceberam e o terceiro comentou: "isso porque eles vão se casar mês que vem..." Ganhou o troféu o cara, pelo "humor"!
Chega, cama!
Em tempo: o 23a. idade passou por uma reforma, para quem não reparou. Links defuntos foram devidamente enterrados, com todas as honras, voltei a colocar meu livro de cabeceira, reduzi o número de posts na página inicial e embarquei em uma campanha, lá quase no rodapé, pela saída já de Gaza. Se alguém reparar em um link quebrado ou algo que precise ser arrumado, é favor avisar!
Glossário
Olê chadash, literalmente "aquele que sobre" + "novo", é como chamam por aqui os imigrantes, as pessoas corajosas que fazem aliah, "subida", em referência à ascenção espiritual em direção a Israel. Uma vez discutimos em sala, no ulpan, se olê e imigrante são a mesma coisa. Embora o significado da palavra seja sim o mesmo, a simbologia é toda outra. E, acabei de descobrir, olê também significa "peregrino"!
Ivrit é ivrit em ivrit! Portuguezit é portuguezit em ivrit... Sacou?
Hitcadmut, que vem de lehitcadem, avançar, é avanço. Lento, mas avanço! Aliás, o hebraico é tão legal que tem uma palavra especial para designar "avanço lento": histarchut. É o meu caso, não restam dúvidas!
Ulpan, que também significa "estúdio" (de TV, esse mesmo!), é onde os olim chadashim (plural de olê chadash) estudam em forma intensiva o idioma, ao chegar ao país, geralmente!
Tem uma coisa que todo israelense devia saber: não há nada melhor para um ole chadash do que ouvir que o hebraico dele está melhorando. Hoje foi dia de reencontro lá no Aroma com pessoas com quem trabalhei há alguns meses, uma delas quando eu nem conseguia falar ivrit e acabava só usando inglês, mesmo. E ela disse: "seu hebraico melhorou muito!" Ganhei o dia.
Pudera... Estou aqui há sete meses e meio (completo "meio" no domingo, meu primeiro dia de aula, de novo!), trabalho com israelenses e procuro falar o quanto posso, embora more com três argentinas e em casa o espanhol seja oficial. Tenho alguns amigos israelenses, com quem só falo, ainda que errando, hebraico. Se, com tudo isso, eu não melhorar, então como?!
Mas não tem forma melhor de comprovar a hitcadmut do idioma do que brigando! Hoje briguei em hebraico, pra receber uma grana que um hotel me deve há um tempo... Briguei mesmo, impondo a voz e tudo! Saí sem o cheque, mas me comuniquei! Dei o recado. Pela primeira vez, acho, usei a palavra pitaron, solução!
E trabalhei pacas no Aroma hoje! Pacas. Quinta-feira só não é pior que sexta, e amanhã trabalho de novo, de manhã, até começar o shabat. Muita gente, muito barulho, muita mesa pra limpar... Teve até um artista que resolveu pintar a mesa com tinta, só pra me dar mais trabalho. Super legal ele.
E, enquanto esfregava o pano pra tirar as manchas do infeliz, escolhi o personagem Aroma do dia: na mesa ao lado, três pessoas, dois caras e uma mulher. Trinta e poucos anos, cada um. A moçona ameaçando o moção de jogar o celular dele do alto do terceiro andar do shopping; o moção, de jogar uma nota de NIS 50 (uns onze dólares) lá pra baixo. Não pude conter a risada. Eles perceberam e o terceiro comentou: "isso porque eles vão se casar mês que vem..." Ganhou o troféu o cara, pelo "humor"!
Chega, cama!
Em tempo: o 23a. idade passou por uma reforma, para quem não reparou. Links defuntos foram devidamente enterrados, com todas as honras, voltei a colocar meu livro de cabeceira, reduzi o número de posts na página inicial e embarquei em uma campanha, lá quase no rodapé, pela saída já de Gaza. Se alguém reparar em um link quebrado ou algo que precise ser arrumado, é favor avisar!
Glossário
Olê chadash, literalmente "aquele que sobre" + "novo", é como chamam por aqui os imigrantes, as pessoas corajosas que fazem aliah, "subida", em referência à ascenção espiritual em direção a Israel. Uma vez discutimos em sala, no ulpan, se olê e imigrante são a mesma coisa. Embora o significado da palavra seja sim o mesmo, a simbologia é toda outra. E, acabei de descobrir, olê também significa "peregrino"!
Ivrit é ivrit em ivrit! Portuguezit é portuguezit em ivrit... Sacou?
Hitcadmut, que vem de lehitcadem, avançar, é avanço. Lento, mas avanço! Aliás, o hebraico é tão legal que tem uma palavra especial para designar "avanço lento": histarchut. É o meu caso, não restam dúvidas!
Ulpan, que também significa "estúdio" (de TV, esse mesmo!), é onde os olim chadashim (plural de olê chadash) estudam em forma intensiva o idioma, ao chegar ao país, geralmente!
16.2.05
O de sempre?
O personagem Aroma do dia, ontem, foi um simpático casal de velhinhos. Chegaram cedo, sentaram em uma mesa de canto, tranqüilos. Ela se pôs a bordar; ele a fazer palavras-cruzadas em hebraico. E tomando café Aroma, claro. Quando eles chegaram e ele foi fazer o pedido, perguntou pra ela o que ia querer. Ela disse algo em um murmúrio e ele captou, respondendo: "Ah, o de sempre, né?" Adoro essa coisa de cumplicidade entre os casais, raramente vistas entre os mais novos na idade e no tempo de relacionamento.
Hoje fiz algo que há muito não fazia: comprei uma baguete no supermercado e fui comendo no caminho, como quando era criança e minha mãe fazia compras de mês no Carrefour. Dentro do carro, na volta, o cheiro do pão quentinho era irresistível. Raramente as baguetes chegavam inteiras em casa. De fato, só as migalhas! Hoje caminhei uns cinco quilômetros comendo a baguete - não tenho carro, já sabemos!
Mas o que me irritou muito foi a chutzpá da russa que trabalha no caixa do supermercado onde comprei, além da baguete, algumas das dicas de vocês no post anterior. Enquanto eu embalava as compras, o sujeito que vinha atrás na fila perguntou se ela falava inglês. Ela respondeu, em hebraico, que "estamos em Israel, aqui não se fala inglês". Não resisti e disse ao cara, em inglês: "ela quer dizer que aqui se fala russo, nem inglês, nem hebraico"! Eize chutzpanit!
Glossário
Chutzpá pode ser trazudida por uma palavra bem precisa no português: atrevimento. E chutzpanit é "insolente", no feminino - a pessoa que tem a chutzpá de dizer coisas como as que aquela sujeitinha disse! Eize chutzpanit significa, simplesmente, "que insolente"!
O personagem Aroma do dia, ontem, foi um simpático casal de velhinhos. Chegaram cedo, sentaram em uma mesa de canto, tranqüilos. Ela se pôs a bordar; ele a fazer palavras-cruzadas em hebraico. E tomando café Aroma, claro. Quando eles chegaram e ele foi fazer o pedido, perguntou pra ela o que ia querer. Ela disse algo em um murmúrio e ele captou, respondendo: "Ah, o de sempre, né?" Adoro essa coisa de cumplicidade entre os casais, raramente vistas entre os mais novos na idade e no tempo de relacionamento.
Hoje fiz algo que há muito não fazia: comprei uma baguete no supermercado e fui comendo no caminho, como quando era criança e minha mãe fazia compras de mês no Carrefour. Dentro do carro, na volta, o cheiro do pão quentinho era irresistível. Raramente as baguetes chegavam inteiras em casa. De fato, só as migalhas! Hoje caminhei uns cinco quilômetros comendo a baguete - não tenho carro, já sabemos!
Mas o que me irritou muito foi a chutzpá da russa que trabalha no caixa do supermercado onde comprei, além da baguete, algumas das dicas de vocês no post anterior. Enquanto eu embalava as compras, o sujeito que vinha atrás na fila perguntou se ela falava inglês. Ela respondeu, em hebraico, que "estamos em Israel, aqui não se fala inglês". Não resisti e disse ao cara, em inglês: "ela quer dizer que aqui se fala russo, nem inglês, nem hebraico"! Eize chutzpanit!
Glossário
Chutzpá pode ser trazudida por uma palavra bem precisa no português: atrevimento. E chutzpanit é "insolente", no feminino - a pessoa que tem a chutzpá de dizer coisas como as que aquela sujeitinha disse! Eize chutzpanit significa, simplesmente, "que insolente"!
14.2.05
Omelete
Viver sozinho nem é assim tão complicado. Mas é repetitivo. Por um mês comi malawach (uma massa folhada que pode ser recheada ou coberta com qualquer coisa, doce ou salgada) e salada de atum. Estou na fase das omeletes. E a verdade é que a cada dia elas estão saindo mais gostosas (depende não apenas do meu talento, mas do que eu encontro entre as teias de aranha da geladeira!).
O negócio é que eu não agüento mais comer ovo!!!
Alguma sugestão de cardápio fácil, barato e rápido?
Viver sozinho nem é assim tão complicado. Mas é repetitivo. Por um mês comi malawach (uma massa folhada que pode ser recheada ou coberta com qualquer coisa, doce ou salgada) e salada de atum. Estou na fase das omeletes. E a verdade é que a cada dia elas estão saindo mais gostosas (depende não apenas do meu talento, mas do que eu encontro entre as teias de aranha da geladeira!).
O negócio é que eu não agüento mais comer ovo!!!
Alguma sugestão de cardápio fácil, barato e rápido?
13.2.05
Para ler e pensar
Criei um blog há muito tempo, no ano passado, que estava parado. Esses dias voltei a atualizá-lo, com outra proposta: a de reunir textos que diariamente leio sobre o conflito israelo-palestino. Com isso, divido com vocês as minhas leituras. O site é o olhossobreisrael.blogspot.com. Quem se interessar pode também colaborar, mandando por email o link dos artigos que leu e achou interessantes.
Criei um blog há muito tempo, no ano passado, que estava parado. Esses dias voltei a atualizá-lo, com outra proposta: a de reunir textos que diariamente leio sobre o conflito israelo-palestino. Com isso, divido com vocês as minhas leituras. O site é o olhossobreisrael.blogspot.com. Quem se interessar pode também colaborar, mandando por email o link dos artigos que leu e achou interessantes.
12.2.05
Consternado, mas pra quê?
Sábado foi dia de lavar a roupa acumulada, muita roupa. Já são quase 2 da manhã do domingo (dia útil aqui!) e daqui a pouco vou estender a terceira leva! São os ossos do ofício de morar sozinho. Há vantagens, muitas, porém!
Sábado também foi dia de ficar indignado, consternado. Dia de ler os emails que durante a semana ficam negritados na caixa de entrada e de engolir a seco com o que se depara. Deparei hoje com ameaças anti-semitas, não a mim, mas a pessoas na pacífica América do Sul.
Ontem, com uma amiga francesa minutos antes de assistir ao filme (também francês) Madame Bovari, discutíamos sobre violência e sobre anti-semitismo cá e lá - no meu Brasil e na França dela. E eu disse, embotado de razão, que no Brasil não tem lá muito dessas coisas.
Tem, sim. E na Argentina também. Não é o anti-semitismo de violência física das ruas de Paris ou de Lion, mas o verbal, ou por escrito, que ameaça da mesma forma. Gente que pensa com o cérebro dos nazistas dos anos 1930. Hoje. Gente que precisa ser denunciada e punida.
Buenos Aires, 2005: a casa da artista Mariana Schapiro apareceu em uma manhã com a frase "Aquí vive una ¡judía! No la queremos en el barrio" rabiscada na parede. Ela tirou foto, posou ao lado com olhar de indignação e choro, e divulgou a imagem. O jornal argentino Pagina/12 publicou uma nota a respeito. E a foto.
Rio de Janeiro, 2005: voltando de "uma noite inesquecível no Centro Cultural Sacrilégio ali na Lapa", como escreveu, o psicanalista e auto-definido "pensador judeu" Paulo Blank ouviu em um restaurante "verdadeiras aulas de neonazismo em voz alta". Interferiu e escreveu a respeito, porque é colaborador do Jornal do Brasil. Mas não sabia se deveria publicar o texto. Tinha medo. Publicou, assim mesmo.
Tenho que rever meus conceitos. Ou então é mesmo um absurdo não ver a riqueza na diferença. A frase não é minha, é da Sof. Mas é perfeita demais pra não entrar aqui.
Sábado foi dia de lavar a roupa acumulada, muita roupa. Já são quase 2 da manhã do domingo (dia útil aqui!) e daqui a pouco vou estender a terceira leva! São os ossos do ofício de morar sozinho. Há vantagens, muitas, porém!
Sábado também foi dia de ficar indignado, consternado. Dia de ler os emails que durante a semana ficam negritados na caixa de entrada e de engolir a seco com o que se depara. Deparei hoje com ameaças anti-semitas, não a mim, mas a pessoas na pacífica América do Sul.
Ontem, com uma amiga francesa minutos antes de assistir ao filme (também francês) Madame Bovari, discutíamos sobre violência e sobre anti-semitismo cá e lá - no meu Brasil e na França dela. E eu disse, embotado de razão, que no Brasil não tem lá muito dessas coisas.
Tem, sim. E na Argentina também. Não é o anti-semitismo de violência física das ruas de Paris ou de Lion, mas o verbal, ou por escrito, que ameaça da mesma forma. Gente que pensa com o cérebro dos nazistas dos anos 1930. Hoje. Gente que precisa ser denunciada e punida.
Buenos Aires, 2005: a casa da artista Mariana Schapiro apareceu em uma manhã com a frase "Aquí vive una ¡judía! No la queremos en el barrio" rabiscada na parede. Ela tirou foto, posou ao lado com olhar de indignação e choro, e divulgou a imagem. O jornal argentino Pagina/12 publicou uma nota a respeito. E a foto.
Rio de Janeiro, 2005: voltando de "uma noite inesquecível no Centro Cultural Sacrilégio ali na Lapa", como escreveu, o psicanalista e auto-definido "pensador judeu" Paulo Blank ouviu em um restaurante "verdadeiras aulas de neonazismo em voz alta". Interferiu e escreveu a respeito, porque é colaborador do Jornal do Brasil. Mas não sabia se deveria publicar o texto. Tinha medo. Publicou, assim mesmo.
Tenho que rever meus conceitos. Ou então é mesmo um absurdo não ver a riqueza na diferença. A frase não é minha, é da Sof. Mas é perfeita demais pra não entrar aqui.
9.2.05
Eu nas estatísticas
O Escritório Central de Estatísticas de Israel divulgou esses dias alguns números sobre a vida por aqui. Agora que sou um israelense e faço parte das estatísticas (seja para engrossar alguns dados, seja para ficar fora de outros!), posso contar a vocês um pouco de como ajudei a formar os números a seguir.
De acordo com o estudo, 99,8% do povo aqui têm geladeira, e eu faço parte dessa galera (a geladeira e a maioria das coisas que vêm a seguir não são exatamente minhas, mas não importa, tem em casa!).
Televisão 91,3% têm. Aqui também tem, embora a TV não tenha muito minha audiência - só ligo pra rodar entre a CNN, a BBC e os canais locais de notícias e pra descobrir se naquela hora (geralmente a hora em que cozinho e como) passa algum bom filme.
Aqui em casa tem linha fixa de telefone, o que em Israel não é nenhum luxo. Tanto que 89% dos israelenses tem pelo menos uma linha. Celular, claro, é artigo obrigatório na mão de qualquer um por aqui, mas só 81% têm (eu acho que as crianças com menos de sete anos somam os 19% restantes!!!).
Luxo mesmo é ter microondas, coisa que 75% da população de Israel tem. Eu não. Nem em casa. Temos um forninho que quebra o galho e faz uma sujeirada enorme. E luxo, mesmo, é ser dono do teto debaixo do qual se mora - 70% são, eu não! Sou inquilino, como 25% dos israelenses.
Diferente de mim, e das minhas shutafot, 61% das famílias israelenses têm ar condicionado. No frio não importa, mas certamente quando julho e o verão chegarem vou sentir o que significa não fazer parte dos outros trinta e nove!
Vamos a um número do qual certamente vai demorar para eu me livrar. Aqui 57% têm pelo menos um carro e 13%, dois ou mais... Eu ando de ônibus! E, a partir de março, vou ter um cartão que me permite andar o quanto quiser pagando um valor único bem menor do que a soma de duas viagens por dias todos os dias. Carro? Digamos que não tão cedo!
Desses números, de todos eles, faço parte: 55% têm vídeo e 18%, DVD (mas, a exemplo da TV, não uso nem um, nem outro!), também 55% são felizes donos de computadores e 31% assinam algum serviço de internet. Ainda bem. Senão, como é que eu ia contar todas essas coisas por aqui?
O Escritório Central de Estatísticas de Israel divulgou esses dias alguns números sobre a vida por aqui. Agora que sou um israelense e faço parte das estatísticas (seja para engrossar alguns dados, seja para ficar fora de outros!), posso contar a vocês um pouco de como ajudei a formar os números a seguir.
De acordo com o estudo, 99,8% do povo aqui têm geladeira, e eu faço parte dessa galera (a geladeira e a maioria das coisas que vêm a seguir não são exatamente minhas, mas não importa, tem em casa!).
Televisão 91,3% têm. Aqui também tem, embora a TV não tenha muito minha audiência - só ligo pra rodar entre a CNN, a BBC e os canais locais de notícias e pra descobrir se naquela hora (geralmente a hora em que cozinho e como) passa algum bom filme.
Aqui em casa tem linha fixa de telefone, o que em Israel não é nenhum luxo. Tanto que 89% dos israelenses tem pelo menos uma linha. Celular, claro, é artigo obrigatório na mão de qualquer um por aqui, mas só 81% têm (eu acho que as crianças com menos de sete anos somam os 19% restantes!!!).
Luxo mesmo é ter microondas, coisa que 75% da população de Israel tem. Eu não. Nem em casa. Temos um forninho que quebra o galho e faz uma sujeirada enorme. E luxo, mesmo, é ser dono do teto debaixo do qual se mora - 70% são, eu não! Sou inquilino, como 25% dos israelenses.
Diferente de mim, e das minhas shutafot, 61% das famílias israelenses têm ar condicionado. No frio não importa, mas certamente quando julho e o verão chegarem vou sentir o que significa não fazer parte dos outros trinta e nove!
Vamos a um número do qual certamente vai demorar para eu me livrar. Aqui 57% têm pelo menos um carro e 13%, dois ou mais... Eu ando de ônibus! E, a partir de março, vou ter um cartão que me permite andar o quanto quiser pagando um valor único bem menor do que a soma de duas viagens por dias todos os dias. Carro? Digamos que não tão cedo!
Desses números, de todos eles, faço parte: 55% têm vídeo e 18%, DVD (mas, a exemplo da TV, não uso nem um, nem outro!), também 55% são felizes donos de computadores e 31% assinam algum serviço de internet. Ainda bem. Senão, como é que eu ia contar todas essas coisas por aqui?
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