Por aqui
Vim para Israel por sionismo. Porque amo de verdade esse país e sei que aqui é o meu lugar. É verdade que descobri esse sentimento tarde, aos 23 anos, quando visitei pela primeira vez Israel. E é verdade que outros fatores colaboraram. Como bem definiu um amigo chileno, colega de profissão, a decisão da aliah a gente toma num momento em que falta um parafuso. Só pode ser! Sorte que em um momento me faltou um parafuso...
E hoje é dia histórico para o Oriente Médio, dia de encontro entre o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon e o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, no paraíso egípcio de Sharm el-Sheikh. Os dados, de novo, estão rolando. Palestinos e israelenses devem declarar um cessar-fogo hoje.
E amanheceu nevando aqui, finalmente depois de tantas previsões. Minha shutafá até me acordou para ver a neve! Mas não havia neve, mais. Foi tão pouco que nem deixou a rua branca, nada. Esperamos neve de verdade (minha primeira aqui!) à noite. Por enquanto, só chuva. E muito frio.
Baseado em fatos reais...
Diretamente de 31.78/35.22, mais conhecida como Jerusalém, escrevo para quem quiser ler - um pouco da vida e do dia-a-dia de um sujeito perdido em Israel.
8.2.05
6.2.05
Efshar lefanot?
Primeiro dia de trabalho em lugar novo não é fácil. Todo o contrário! Não sabia onde ficam as coisas, fiz mil vezes a mesma pergunta (e paciência de israelense não é igual à de brasileiro!), me perdi em um espaço de dez metros quadrados entre tantos armários... Mas, aos poucos, ao longo de oito horas de trabalho, aprendi, me acostumei, fiz novos amigos e, no final das contas, até me diverti!
Trabalhar como garçom (não é exatamente esse meu tafkid, já que não sirvo ninguém, ou pelo menos não tenho que servir!) é no mínimo interessante. Especialmente se o trabalho é dentro de um kenion, como no meu caso. Todo tipo de pessoa passa e senta nas mesas espalhadas pelos corredores paralelos diante do café. Ao limpar uma mesa ouvi três caras comentando que se a situação política de Israel melhorar, os problemas do país estarão resolvidos...
Em outra mesa, duas senhoras e duas moças bem mais novas falavam, em espanhol, das desaventuras do romance de alguém. Mãe e filha, aparentemente, brigavam no outro lado do corredor por algo que não consegui entender... O trabalho no Aroma com certeza vai ser recheado de personagens. Por isso, nada melhor que resumir meus dias de trabalho homenageando, a cada mishmeret, algum deles!
Personagem do dia
O personagem do primeiro dia de trabalho é um grupo de personagens: meia dúzia de velhinhos que se sentaram em duas das mesas do Aroma e ficaram por lá pelo menos durante três horas. Fazendo o quê? Bem, tomando café Aroma e discutindo política... A cada vez que eu passava pelas mesas em que estavam - e eu passei muitas vezes durante o longo tempo em que lá estiveram - um tema estava em pauta na roda. Dei muita risada com a cena e com o bom humor dos senhores de boinas...
PS.: hoje estive em Tel Aviv, para a abertura do curso de liderança que comecei a fazer. Esse post foi produzido dentro da van que me trouxe de Sin City pra casa. Um viva à tecnologia!
Glossário
Efshar lefanot?, que dá título a este post, é a expressão que eu mais usei durante o dia (e a que mais vou usar, provavelmente, enquanto estiver trabalhando onde estou). Significa "posso limpar?" Como foi quase a única coisa que fiz hoje (também cortei pepinos e pimentões e abri latas de atum!), repeti a frase dezenas de vezes. Nem sempre a resposta era "ken", "sim". E, quando não era o caso, de vez em quando o "lo", "não", vinha acompanhado de uma grosseria a moda Israel.
Tafkid é função, cargo. O meu não é de garçom porque o serviço no Aroma é o que se chama aqui de sherut atzmi - o que no Brasil a gente conhece por self-service, mesmo! Cada um pega e leva o seu prato pra mesa que escolhe. O meu papel lá é deixar as mesas limpas pra quem vem depois. Nada que exija muitos neurônios, eu sei, mas é divertido. E paga bem, obrigado.
Kenion vem de "liknot", comprar! Em resumo, é o paraíso dos consumistas, o shopping center. O kenion no qual trabalho, o Malcha, não é o maior de Israel. Mas é o maior da capital de Israel! Fica cheio durante a semana e abarrotado (não é exagero) quando o Shabat acaba, na noite de sábado.
Mishmeret é turno, plantão. No Aroma as mishmarot (o plural) são de oito horas, como na maioria dos lugares em que se trabalha com músculos e não com o cérebro em Israel. A mishmeret boker (manhã) vai das 7h30 às 15h30 e a mishmeret erev (noite) se estende entre 15h e 23h. Hoje trabalhei de manhã; amanhã, à noite.
Sin City é como eu chamo Tel Aviv. Afinal se Jerusalém é a cidade santa, a cidade da paz, que melhor nome pode levar sua irmã litorânea que "cidade do pecado"?
Primeiro dia de trabalho em lugar novo não é fácil. Todo o contrário! Não sabia onde ficam as coisas, fiz mil vezes a mesma pergunta (e paciência de israelense não é igual à de brasileiro!), me perdi em um espaço de dez metros quadrados entre tantos armários... Mas, aos poucos, ao longo de oito horas de trabalho, aprendi, me acostumei, fiz novos amigos e, no final das contas, até me diverti!
Trabalhar como garçom (não é exatamente esse meu tafkid, já que não sirvo ninguém, ou pelo menos não tenho que servir!) é no mínimo interessante. Especialmente se o trabalho é dentro de um kenion, como no meu caso. Todo tipo de pessoa passa e senta nas mesas espalhadas pelos corredores paralelos diante do café. Ao limpar uma mesa ouvi três caras comentando que se a situação política de Israel melhorar, os problemas do país estarão resolvidos...
Em outra mesa, duas senhoras e duas moças bem mais novas falavam, em espanhol, das desaventuras do romance de alguém. Mãe e filha, aparentemente, brigavam no outro lado do corredor por algo que não consegui entender... O trabalho no Aroma com certeza vai ser recheado de personagens. Por isso, nada melhor que resumir meus dias de trabalho homenageando, a cada mishmeret, algum deles!
Personagem do dia
O personagem do primeiro dia de trabalho é um grupo de personagens: meia dúzia de velhinhos que se sentaram em duas das mesas do Aroma e ficaram por lá pelo menos durante três horas. Fazendo o quê? Bem, tomando café Aroma e discutindo política... A cada vez que eu passava pelas mesas em que estavam - e eu passei muitas vezes durante o longo tempo em que lá estiveram - um tema estava em pauta na roda. Dei muita risada com a cena e com o bom humor dos senhores de boinas...
PS.: hoje estive em Tel Aviv, para a abertura do curso de liderança que comecei a fazer. Esse post foi produzido dentro da van que me trouxe de Sin City pra casa. Um viva à tecnologia!
Glossário
Efshar lefanot?, que dá título a este post, é a expressão que eu mais usei durante o dia (e a que mais vou usar, provavelmente, enquanto estiver trabalhando onde estou). Significa "posso limpar?" Como foi quase a única coisa que fiz hoje (também cortei pepinos e pimentões e abri latas de atum!), repeti a frase dezenas de vezes. Nem sempre a resposta era "ken", "sim". E, quando não era o caso, de vez em quando o "lo", "não", vinha acompanhado de uma grosseria a moda Israel.
Tafkid é função, cargo. O meu não é de garçom porque o serviço no Aroma é o que se chama aqui de sherut atzmi - o que no Brasil a gente conhece por self-service, mesmo! Cada um pega e leva o seu prato pra mesa que escolhe. O meu papel lá é deixar as mesas limpas pra quem vem depois. Nada que exija muitos neurônios, eu sei, mas é divertido. E paga bem, obrigado.
Kenion vem de "liknot", comprar! Em resumo, é o paraíso dos consumistas, o shopping center. O kenion no qual trabalho, o Malcha, não é o maior de Israel. Mas é o maior da capital de Israel! Fica cheio durante a semana e abarrotado (não é exagero) quando o Shabat acaba, na noite de sábado.
Mishmeret é turno, plantão. No Aroma as mishmarot (o plural) são de oito horas, como na maioria dos lugares em que se trabalha com músculos e não com o cérebro em Israel. A mishmeret boker (manhã) vai das 7h30 às 15h30 e a mishmeret erev (noite) se estende entre 15h e 23h. Hoje trabalhei de manhã; amanhã, à noite.
Sin City é como eu chamo Tel Aviv. Afinal se Jerusalém é a cidade santa, a cidade da paz, que melhor nome pode levar sua irmã litorânea que "cidade do pecado"?
4.2.05
Falta do que fazer
Se você também está sem o que fazer, entra aqui e faz o teste: nos meus 26 anos, você me conhece? Doces para as melhores pontuações!
E Shabat Shalom, hoje é sexta-feira (quase sábado) aqui!
Se você também está sem o que fazer, entra aqui e faz o teste: nos meus 26 anos, você me conhece? Doces para as melhores pontuações!
E Shabat Shalom, hoje é sexta-feira (quase sábado) aqui!
Vai um café?
Domingo que vem, diz 6 de fevereiro, vou completar sete meses em Israel. Não tem maneira melhor para comemorar do que acordando cedinho (6 e meia da madrugada!) para trabalhar (mentira, tem sim!). Depois de sete meses, finalmente meu primeiro trabalho fixo em Israel, no Aroma Expresso Bar. Querendo um cafezinho ou um sanduíche no capricho, é só passar por lá! Aroma do kenion Malcha!
Domingo que vem, diz 6 de fevereiro, vou completar sete meses em Israel. Não tem maneira melhor para comemorar do que acordando cedinho (6 e meia da madrugada!) para trabalhar (mentira, tem sim!). Depois de sete meses, finalmente meu primeiro trabalho fixo em Israel, no Aroma Expresso Bar. Querendo um cafezinho ou um sanduíche no capricho, é só passar por lá! Aroma do kenion Malcha!

31.1.05
Os fatos como eles são
Tenho ido muito ao cinema, porque, como já contei, tenho um cartis manui, que custou uns 80 dólares mas que me permite ir quantas vezes quiser à Cinemateca daqui durante um ano. Há sempre filmes muito bons (a programação de fevereiro já chegou na minha casa, está excelente!). Dia desses, saindo de dois filmes (Diários de motocicleta e Family viewing), reparei por acaso em uma placa no começo de uma rua movimentada, a Emek Refaim ("vale dos fantasmas", em hebraico!).
Vi a placa de relance, mas voltei para observá-la melhor. Era uma placa de memória dos mortos em um pigua. Consegui ler a data (22 de fevereiro do ano passado) e o número da linha, 14. Fazia frio, não me detive muito tempo ali (e o hebraico ainda trava os meus neurônios para a leitura, confesso). Na caminhada de volta para casa, vim pensando em descobrir que atentado tinha sido esse. Entrei na internet e achei, na relação de piguim. Lendo a respeito, engoli a seco: o local fica muito próximo da minha casa. A linha 14 é a que eu pego sempre que vou ao centro.
O que mais me incomodou foi o fato de que eu estava em Israel quando aconteceu o atentado. E embora cada notícia de pigua me toque a fundo, a verdade é que não me lembrava dessa. Ela tinha passado despercebida, fria, distante. Mas a placa recordatória me obrigou a parar ali e ficar imaginando o cenário do ataque, reconstituindo cenas que não vi...
Não adianta tentar fazer de conta que não existe terrorismo, que não existe ameaça nas ruas de Israel. É claro que elas são bem diferentes (e mais raras) que a ameaça da violência de cidades como Rio e São Paulo. Mas ela existe, sim. Vivemos, hoje, um clima de tranqüilidade por aqui. Semana que vem Abbas e Sharon vão se encontrar. Sente-se o cheiro do otimismo preocupado. E o que virá ninguém sabe. Só se espera ver cada vez menos placas recordatórias espalhadas pela cidade.
Glossário
Cartis manui significa "assinatura". Literalmente, é cartão (cartis) de sócio (manui). É aquele pedaço de plástico mágico, que faz maravilhas...!
Pigua, palavra que nunca queremos ouvir no noticiário, significa "atentado". Piguim é o plural. Pior ainda de ouvir.
Tenho ido muito ao cinema, porque, como já contei, tenho um cartis manui, que custou uns 80 dólares mas que me permite ir quantas vezes quiser à Cinemateca daqui durante um ano. Há sempre filmes muito bons (a programação de fevereiro já chegou na minha casa, está excelente!). Dia desses, saindo de dois filmes (Diários de motocicleta e Family viewing), reparei por acaso em uma placa no começo de uma rua movimentada, a Emek Refaim ("vale dos fantasmas", em hebraico!).
Vi a placa de relance, mas voltei para observá-la melhor. Era uma placa de memória dos mortos em um pigua. Consegui ler a data (22 de fevereiro do ano passado) e o número da linha, 14. Fazia frio, não me detive muito tempo ali (e o hebraico ainda trava os meus neurônios para a leitura, confesso). Na caminhada de volta para casa, vim pensando em descobrir que atentado tinha sido esse. Entrei na internet e achei, na relação de piguim. Lendo a respeito, engoli a seco: o local fica muito próximo da minha casa. A linha 14 é a que eu pego sempre que vou ao centro.
O que mais me incomodou foi o fato de que eu estava em Israel quando aconteceu o atentado. E embora cada notícia de pigua me toque a fundo, a verdade é que não me lembrava dessa. Ela tinha passado despercebida, fria, distante. Mas a placa recordatória me obrigou a parar ali e ficar imaginando o cenário do ataque, reconstituindo cenas que não vi...
Não adianta tentar fazer de conta que não existe terrorismo, que não existe ameaça nas ruas de Israel. É claro que elas são bem diferentes (e mais raras) que a ameaça da violência de cidades como Rio e São Paulo. Mas ela existe, sim. Vivemos, hoje, um clima de tranqüilidade por aqui. Semana que vem Abbas e Sharon vão se encontrar. Sente-se o cheiro do otimismo preocupado. E o que virá ninguém sabe. Só se espera ver cada vez menos placas recordatórias espalhadas pela cidade.
Glossário
Cartis manui significa "assinatura". Literalmente, é cartão (cartis) de sócio (manui). É aquele pedaço de plástico mágico, que faz maravilhas...!
Pigua, palavra que nunca queremos ouvir no noticiário, significa "atentado". Piguim é o plural. Pior ainda de ouvir.
Pausa
Subir ao 49o. (e último) andar das torres Azrieli, em Tel Aviv, provavelmente o mais alto prédio visitável de Israel, pode ser um programa romântico, uma boa opção turística. Mas pode ser uma oportunidade de olhar lá pra baixo, do silêncio de lá de cima, e ver a loucura da correria, dos carros se enfileirando, das pessoas apressadas, dos semáforos mudando de cor incessantemente, do trem que vem e vai, dos ônibus parando a cada cem metros. E, em contraste, do Mediterrâneo tranqüilo no horizonte, jogando suas águas contra a orla do inverno telavivense.
Fiz isso hoje, e foi de fato uma oportunidade (*). Mesmo não sendo permitido - não deve ser! -, encostei a cabeça no vidro, olhei lá pra baixo (como o Ferry fez em Curtindo a vida adoidado!) e fiquei pensando na vida. Uma pausa, merecida pausa. Tel Aviv é cidade grande, em quase nada se diferencia de São Paulo. Tem, como notei hoje, até motoqueiros, amontoados nos sinais vermelhos. É uma loucura diferente da de Jerusalém, totalmente diferente. Outro mundo, outra temperatura, outras roupas, outras caras, outro ambiente.
E lá o sol se esconde no mar, escurecendo os prédios todos brancos e todos iguais. No escuro, a cidade branca fica ainda mais bonita. As luzes dos escritórios se acendem, as pistas se transformam em faixas brancas e vermelhas. E, chegada a hora de descer, volto para o caos organizado da cidade grande israelense. Quarenta e cinco minutos mais, estaria em Jerusalém...
(*) Glossário
Oportunidade, de acordo com o Minidicionário Aurélio que me acompanha desde a 6a. série B, é "ocasião oportuna". Oportuno, explica Aurélio, é "que vem a tempo, a propósito, apropriado". Não usei esse termo à toa!
Subir ao 49o. (e último) andar das torres Azrieli, em Tel Aviv, provavelmente o mais alto prédio visitável de Israel, pode ser um programa romântico, uma boa opção turística. Mas pode ser uma oportunidade de olhar lá pra baixo, do silêncio de lá de cima, e ver a loucura da correria, dos carros se enfileirando, das pessoas apressadas, dos semáforos mudando de cor incessantemente, do trem que vem e vai, dos ônibus parando a cada cem metros. E, em contraste, do Mediterrâneo tranqüilo no horizonte, jogando suas águas contra a orla do inverno telavivense.
Fiz isso hoje, e foi de fato uma oportunidade (*). Mesmo não sendo permitido - não deve ser! -, encostei a cabeça no vidro, olhei lá pra baixo (como o Ferry fez em Curtindo a vida adoidado!) e fiquei pensando na vida. Uma pausa, merecida pausa. Tel Aviv é cidade grande, em quase nada se diferencia de São Paulo. Tem, como notei hoje, até motoqueiros, amontoados nos sinais vermelhos. É uma loucura diferente da de Jerusalém, totalmente diferente. Outro mundo, outra temperatura, outras roupas, outras caras, outro ambiente.
E lá o sol se esconde no mar, escurecendo os prédios todos brancos e todos iguais. No escuro, a cidade branca fica ainda mais bonita. As luzes dos escritórios se acendem, as pistas se transformam em faixas brancas e vermelhas. E, chegada a hora de descer, volto para o caos organizado da cidade grande israelense. Quarenta e cinco minutos mais, estaria em Jerusalém...
(*) Glossário
Oportunidade, de acordo com o Minidicionário Aurélio que me acompanha desde a 6a. série B, é "ocasião oportuna". Oportuno, explica Aurélio, é "que vem a tempo, a propósito, apropriado". Não usei esse termo à toa!
30.1.05
Pátria amada, Brasil
Sinto uma estranha alegria ao ver, aqui em Jerusalém, algum brasileiro. Estranha porque não sou saudoso do Brasil, apenas das pessoas que lá ficaram. Mesmo assim, quando estou trabalhando ou apenas caminhando na rua e ouço o nosso idioma, fico em uma excitação bem inexplicável.
Aconteceu ontem, no trabalho. Já tinha ouvido o sotaque carioca em uma das mesas no café da manhã. Mãe e três filhos. Mas não disse nada. Quando reparei que uma das filhas estava na ponta do pé tentando pegar suco de uma máquina que temos lá, me aproximei e perguntei, em português, claro:
- Você quer suco?
- Quero.
- De laranja ou limão?
- Laranja.
(...)
- Obrigada.
Ela agradeceu, ainda - sinal de que é brasileira, mesmo (se fosse israelense, não teria pronunciado a última palavra!). Depois, na mesa, eu reparando de longe, comentou com a mãe que "um cara" foi ajudá-la no suco e falou com ela em português!! Foi a melhor parte. Passado um tempo me aproximei, perguntei se eram brasileiros e troquei meia dúzia de palavras...
Foi só o começo de mais nove horas de trabalho...
Gastronomia romântica
Fiz uma macarronada para comer hoje. Mas está faltando queijo no meu macarrão! Em 32 dias ele vai estar mais saboroso, tenho certeza!
Sinto uma estranha alegria ao ver, aqui em Jerusalém, algum brasileiro. Estranha porque não sou saudoso do Brasil, apenas das pessoas que lá ficaram. Mesmo assim, quando estou trabalhando ou apenas caminhando na rua e ouço o nosso idioma, fico em uma excitação bem inexplicável.
Aconteceu ontem, no trabalho. Já tinha ouvido o sotaque carioca em uma das mesas no café da manhã. Mãe e três filhos. Mas não disse nada. Quando reparei que uma das filhas estava na ponta do pé tentando pegar suco de uma máquina que temos lá, me aproximei e perguntei, em português, claro:
- Você quer suco?
- Quero.
- De laranja ou limão?
- Laranja.
(...)
- Obrigada.
Ela agradeceu, ainda - sinal de que é brasileira, mesmo (se fosse israelense, não teria pronunciado a última palavra!). Depois, na mesa, eu reparando de longe, comentou com a mãe que "um cara" foi ajudá-la no suco e falou com ela em português!! Foi a melhor parte. Passado um tempo me aproximei, perguntei se eram brasileiros e troquei meia dúzia de palavras...
Foi só o começo de mais nove horas de trabalho...
Gastronomia romântica
Fiz uma macarronada para comer hoje. Mas está faltando queijo no meu macarrão! Em 32 dias ele vai estar mais saboroso, tenho certeza!
28.1.05
Gabo, mas pode me chamar de Gabi!
Lancei mão de um artifício nos meus locais de trabalho: um apelido! Embora a maioria das pessoas com quem eu me relaciono aqui me conheça como Gabo, nos hotéis meu tag diz "Gabi". É mais fácil de dizer do que meu nome verdadeiro! Além disso, o apelido é carinhoso. Pessoas muito especiais, como minha mãe e minha namorada, sempre o usaram. E, quando alguém me dá uma bronca, ou me chama, só de ouvir o "Gabi", as coisas ficam melhores!!!
E agora, dá licença porque acabei de chegar do trabalho e preciso dormir. Amanhã às 6h30 da manhã a assahá passa para me pegar. Vida de peão é assim!
Glossário
Tag, como no inglês, é etiqueta. Em três dos quatro hotéis onde eu trabalho (Sheraton, Ramat Rachel e Har Tzion) usamos tags. Mas no Har Tzion, onde passei nove horas hoje (é bom, no Shabat pagam 150%!), a minha diz apenas "trainee"! Ainda vou ganhar o direito de ter um nome lá dentro...!
Assahá, que escrito assim, transliterado, fica horrível, significa "transporte". A tradução, na verdade, também é horrível! Ninguém diz "o transporte vai passar pra me pegar"! Por isso é um dos termos que enfiamos no português quando falamos, aqui! É intraduzível, embora a idéia seja essa! Na prática, é um carro, um táxi ou uma van, que leva pra casa e pro trabalho quando não tem ônibus (não circulam ônibus entre a tarde de sexta-feira e a noite de sábado em Israel!).
Lancei mão de um artifício nos meus locais de trabalho: um apelido! Embora a maioria das pessoas com quem eu me relaciono aqui me conheça como Gabo, nos hotéis meu tag diz "Gabi". É mais fácil de dizer do que meu nome verdadeiro! Além disso, o apelido é carinhoso. Pessoas muito especiais, como minha mãe e minha namorada, sempre o usaram. E, quando alguém me dá uma bronca, ou me chama, só de ouvir o "Gabi", as coisas ficam melhores!!!
E agora, dá licença porque acabei de chegar do trabalho e preciso dormir. Amanhã às 6h30 da manhã a assahá passa para me pegar. Vida de peão é assim!
Glossário
Tag, como no inglês, é etiqueta. Em três dos quatro hotéis onde eu trabalho (Sheraton, Ramat Rachel e Har Tzion) usamos tags. Mas no Har Tzion, onde passei nove horas hoje (é bom, no Shabat pagam 150%!), a minha diz apenas "trainee"! Ainda vou ganhar o direito de ter um nome lá dentro...!
Assahá, que escrito assim, transliterado, fica horrível, significa "transporte". A tradução, na verdade, também é horrível! Ninguém diz "o transporte vai passar pra me pegar"! Por isso é um dos termos que enfiamos no português quando falamos, aqui! É intraduzível, embora a idéia seja essa! Na prática, é um carro, um táxi ou uma van, que leva pra casa e pro trabalho quando não tem ônibus (não circulam ônibus entre a tarde de sexta-feira e a noite de sábado em Israel!).
27.1.05
Fundamentalismos
Foi um dia de falar de fundamentalismos. Falar, ver, pensar. Eu conto: no trabalho, o Ramat Rachel de sempre, rolou um casamento. Como em muitos casamentos, houve convidados ortodoxos e, como manda a lei judaica, eles e elas se sentam separados. Na hafsaká, quando me encontrei com um dos garçons na cozinha, ele comentou que achava um absurdo as exigências que os caras faziam. Coisas do tipo "existe uma passagem até o banheiro [para que eu não precise andar no meio das mulheres]?" ou "os copos foram 'cozidos'?"
Como bem resumiu o Fabio, o garçom que me contou o absurdo, com tantos problemas no mundo, crise em Israel etc, como esses caras podem se preocupar com coisas tão banais? O que mais me chamou a atenção nisso foi ouvir essas palavras de um cara religioso. Se fosse um laico típico israelense (nem israelense ele é, na verdade é brasileiro!), eu acharia normal - os israelenses odeiam os ortodoxos por muitos motivos, e eu concordo com muitos deles, embora não odeie ninguém!
Outra coisa que também rolou hoje, ainda falando de fundamentalismos, foi ver um vídeo terrível da degola de prisioneiros do Nepal no Iraque. O fato ocorreu já faz tempo. Mas eu estava revendo meus emails quando resolvi abrir um link e ver as cenas, terríveis, chocantes. Pensei em colocar o link aqui, mas desisti. Não vale a pena, só faz virar o estômago. Fiquei com as cenas o tempo todo no trabalho, porque assisti antes de sair... Em vez delas, ponho aqui os comentários do Nahum a respeito.
E hoje foi dia de relembrar o aniversário de 60 anos da liberação do campo de extermínio de Auschwitz. A CNN, hoje, falou bastante do assunto. Prometeu passar um especial a respeito ainda hoje, mas eu não vi porque estava no trabalho. O que eu vi, à tarde, foi uma muito boa matéria com um sobrevivente, que voltou ao local com as câmeras da rede de TV ligadas. No link tem vários vídeos com sobreviventes. Enfim, mais do mesmo: lembrança de outro tipo de fundamentalismo...
E, assim, mais um dia se vai. Como o dia, estou acabado. Que mundo o nosso...!
Glossário
Hafsaká, essa palavra mágica, uma das primeiras que se aprende em Israel, significa intervalo. Tem a mesma raiz de maspik, que quer dizer "basta", "suficiente"! O legal do hebraico é ser uma língua lógica! Todas as palavras se relacionam através de raízes!
Foi um dia de falar de fundamentalismos. Falar, ver, pensar. Eu conto: no trabalho, o Ramat Rachel de sempre, rolou um casamento. Como em muitos casamentos, houve convidados ortodoxos e, como manda a lei judaica, eles e elas se sentam separados. Na hafsaká, quando me encontrei com um dos garçons na cozinha, ele comentou que achava um absurdo as exigências que os caras faziam. Coisas do tipo "existe uma passagem até o banheiro [para que eu não precise andar no meio das mulheres]?" ou "os copos foram 'cozidos'?"
Como bem resumiu o Fabio, o garçom que me contou o absurdo, com tantos problemas no mundo, crise em Israel etc, como esses caras podem se preocupar com coisas tão banais? O que mais me chamou a atenção nisso foi ouvir essas palavras de um cara religioso. Se fosse um laico típico israelense (nem israelense ele é, na verdade é brasileiro!), eu acharia normal - os israelenses odeiam os ortodoxos por muitos motivos, e eu concordo com muitos deles, embora não odeie ninguém!
Outra coisa que também rolou hoje, ainda falando de fundamentalismos, foi ver um vídeo terrível da degola de prisioneiros do Nepal no Iraque. O fato ocorreu já faz tempo. Mas eu estava revendo meus emails quando resolvi abrir um link e ver as cenas, terríveis, chocantes. Pensei em colocar o link aqui, mas desisti. Não vale a pena, só faz virar o estômago. Fiquei com as cenas o tempo todo no trabalho, porque assisti antes de sair... Em vez delas, ponho aqui os comentários do Nahum a respeito.
E hoje foi dia de relembrar o aniversário de 60 anos da liberação do campo de extermínio de Auschwitz. A CNN, hoje, falou bastante do assunto. Prometeu passar um especial a respeito ainda hoje, mas eu não vi porque estava no trabalho. O que eu vi, à tarde, foi uma muito boa matéria com um sobrevivente, que voltou ao local com as câmeras da rede de TV ligadas. No link tem vários vídeos com sobreviventes. Enfim, mais do mesmo: lembrança de outro tipo de fundamentalismo...
E, assim, mais um dia se vai. Como o dia, estou acabado. Que mundo o nosso...!
Glossário
Hafsaká, essa palavra mágica, uma das primeiras que se aprende em Israel, significa intervalo. Tem a mesma raiz de maspik, que quer dizer "basta", "suficiente"! O legal do hebraico é ser uma língua lógica! Todas as palavras se relacionam através de raízes!
24.1.05
Trabalha, peão!
Hoje tive minha hora e meia de autoridade, no trabalho. Foi no mesmo hotel de quase sempre, o Ramat Rachel, que fica dentro de um kibutz, lindo. Só que hoje vesti um colete de bitachon e fiquei direcionando os carros para o estacionamento! A cada mão que eu levantava, um carro virava pro lado que eu queria, tão divertido!!!
Na festa, um casamento, tudo normal. Fiquei responsável por três meses, trinta pessoas. Já não tenho medo como no começo, converso com os convidados, entendo os pedidos feitos em hebraico e tenho desenvoltura no trabalho. [Se você conhece alguém que tem um hotel aqui em Israel, manda esse trecho pra ele, pode ser que eu arrume mais trabalho!]
O mais interessante, depois de tantos casamentos no currículo, é ter visto e poder entender um pouco da sociedade israelense por meio dos convidados, tipos sempre diferentes da festa anterior. Vez são ortodoxos, outra são laicos. Uns são sabras, outros imigrantes. Os sotaques são inúmeros. Tem os mizrachim, não muito amados, um pouco grosseiros. Tem de tudo. Pra quem acha que a sociedade israelense é homogênea, um soco no estômago dos preconceitos...
Limpa a casa todo dia, que agonia...
E amanhã é dia de faxina aqui em casa. As minhas shutafot fizeram uma escala na qual eu, que não participei da escolha, figuro em primeiro lugar, pra essa semana. Isso me deixou puto. Mas, como desde que eu mudei (faz mais de um mês) não fizemos faxina nenhuma vez, pelo menos vou poder dar uma geral e deixar a casa com cara de casa. O problema é que o cafofo de cafofo só tem o nome. É grande pra cacete! Quero ver se as shutafot vão conseguir manter a casa do jeito que vai ficar depois das minhas vassouradas!
Glossário
Kibutz, como eu sempre defino, é uma comunidade agrícola. Eles são 270 em Israel, surgiram pra defender o país antes de que Israel fosse um país e foram uma alternativa socialista de comunidade. Funcionou por um tempo, hoje só os ricos continuam de pé. Aqui explicam mais.
Bitachon é a palavra em hebraico para segurança. E é o que estava impresso (??????) no colete que eu usei nos meus noventa minutos de autoridade!
Sabra é uma fruta. O nome em hebraico é tzabar. É até marca de comida aqui. Nunca comi a tal fruta, sequer vi. Mas dita a lenda que é espinhosa por fora, doce por dentro. Como os israelenses. Por isso, quem nasce aqui recebe essa denominação. Alguns imigrantes viram autênticos sabras, contudo!
Mizrachi (lê-se "mizrarri"), literalmente é oriental. Como as duas grandes divisões do judaísmo são ashkenazim (do leste europeu) e sefaradim (da península Ibérica), nem se lembra dos mizrachim. Mas a verdade é que quem tem um pé no norte da África (meu caso, já que meu pai nasceu no Egito, ele mesmo), é mizrachi, não sefaradi.
Cafofo, palavra que não consta do Minidicionário Aurélio que eu trouxe do Brasil comigo, deve ser uma forma carinhosa de designar a casa (pequena casa) em que a gente mora. Eu uso essa palavra pra isso, pelo menos! Fui fuçar (bendita internet!) e achei as seguintes definições, no Houaiss:
substantivo masculino
1 buraco de alicerce de casa, muro ou outra construção
2 cova, sepultura
3 lugar onde os escravos ficavam guardados antes de serem vendidos
4 Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
lugar onde se mora; casa, apartamento
Ex.: vivo num belo c.
5 Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
lugar pouco conhecido; esconderijo
Ex.: arranjei um c. e vou sair de circulação
6 Regionalismo: Brasil. Uso: linguagem de delinqüentes.
nos presídios, buraco na parede onde se escondem armas e/ou drogas
7 Rubrica: aracnologia. Regionalismo: Brasil.
m.q. opilião
Hoje tive minha hora e meia de autoridade, no trabalho. Foi no mesmo hotel de quase sempre, o Ramat Rachel, que fica dentro de um kibutz, lindo. Só que hoje vesti um colete de bitachon e fiquei direcionando os carros para o estacionamento! A cada mão que eu levantava, um carro virava pro lado que eu queria, tão divertido!!!
Na festa, um casamento, tudo normal. Fiquei responsável por três meses, trinta pessoas. Já não tenho medo como no começo, converso com os convidados, entendo os pedidos feitos em hebraico e tenho desenvoltura no trabalho. [Se você conhece alguém que tem um hotel aqui em Israel, manda esse trecho pra ele, pode ser que eu arrume mais trabalho!]
O mais interessante, depois de tantos casamentos no currículo, é ter visto e poder entender um pouco da sociedade israelense por meio dos convidados, tipos sempre diferentes da festa anterior. Vez são ortodoxos, outra são laicos. Uns são sabras, outros imigrantes. Os sotaques são inúmeros. Tem os mizrachim, não muito amados, um pouco grosseiros. Tem de tudo. Pra quem acha que a sociedade israelense é homogênea, um soco no estômago dos preconceitos...
Limpa a casa todo dia, que agonia...
E amanhã é dia de faxina aqui em casa. As minhas shutafot fizeram uma escala na qual eu, que não participei da escolha, figuro em primeiro lugar, pra essa semana. Isso me deixou puto. Mas, como desde que eu mudei (faz mais de um mês) não fizemos faxina nenhuma vez, pelo menos vou poder dar uma geral e deixar a casa com cara de casa. O problema é que o cafofo de cafofo só tem o nome. É grande pra cacete! Quero ver se as shutafot vão conseguir manter a casa do jeito que vai ficar depois das minhas vassouradas!
Glossário
Kibutz, como eu sempre defino, é uma comunidade agrícola. Eles são 270 em Israel, surgiram pra defender o país antes de que Israel fosse um país e foram uma alternativa socialista de comunidade. Funcionou por um tempo, hoje só os ricos continuam de pé. Aqui explicam mais.
Bitachon é a palavra em hebraico para segurança. E é o que estava impresso (??????) no colete que eu usei nos meus noventa minutos de autoridade!
Sabra é uma fruta. O nome em hebraico é tzabar. É até marca de comida aqui. Nunca comi a tal fruta, sequer vi. Mas dita a lenda que é espinhosa por fora, doce por dentro. Como os israelenses. Por isso, quem nasce aqui recebe essa denominação. Alguns imigrantes viram autênticos sabras, contudo!
Mizrachi (lê-se "mizrarri"), literalmente é oriental. Como as duas grandes divisões do judaísmo são ashkenazim (do leste europeu) e sefaradim (da península Ibérica), nem se lembra dos mizrachim. Mas a verdade é que quem tem um pé no norte da África (meu caso, já que meu pai nasceu no Egito, ele mesmo), é mizrachi, não sefaradi.
Cafofo, palavra que não consta do Minidicionário Aurélio que eu trouxe do Brasil comigo, deve ser uma forma carinhosa de designar a casa (pequena casa) em que a gente mora. Eu uso essa palavra pra isso, pelo menos! Fui fuçar (bendita internet!) e achei as seguintes definições, no Houaiss:
substantivo masculino
1 buraco de alicerce de casa, muro ou outra construção
2 cova, sepultura
3 lugar onde os escravos ficavam guardados antes de serem vendidos
4 Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
lugar onde se mora; casa, apartamento
Ex.: vivo num belo c.
5 Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
lugar pouco conhecido; esconderijo
Ex.: arranjei um c. e vou sair de circulação
6 Regionalismo: Brasil. Uso: linguagem de delinqüentes.
nos presídios, buraco na parede onde se escondem armas e/ou drogas
7 Rubrica: aracnologia. Regionalismo: Brasil.
m.q. opilião
22.1.05
Vinte e seis
Completei 26 anos, marcando o início de uma nova fase da minha vida. E, para fazer curta uma longa história, completei vinte e seis em grande estilo, cercado de muitos amigos na nova terra! Saudade dos que ficaram, claro. Muita saudade. Alegria a cada telefonema, mensagem em blog, SMS, MSN, Orkut etc. Fiquei mais velho, de novo.
Vou colocar fotos, aviso quando. E depois conto com mais calma.
Completei 26 anos, marcando o início de uma nova fase da minha vida. E, para fazer curta uma longa história, completei vinte e seis em grande estilo, cercado de muitos amigos na nova terra! Saudade dos que ficaram, claro. Muita saudade. Alegria a cada telefonema, mensagem em blog, SMS, MSN, Orkut etc. Fiquei mais velho, de novo.
Vou colocar fotos, aviso quando. E depois conto com mais calma.
21.1.05
Pacto
Quando um menino judeu completa oito dias de vida, ele assina um pacto com a tradição judaica. A assinatura, passiva, na realidade, é o brit mila, a circuncisão. Hoje, trabalhando como garçom em um hotel novo, servi os convidados de uma cerimônia de brit mila. E lá, entre bandejas e a correria do trabalho, me emocionei na hora em que o bebê, tão pequeno, tão frágil, chorou, selando o pacto. Foi, de uma maneira especial e inédita, o meu presente de aniversário dado pela nova vida que a aliah representa! E como bem resumiu a Sofia, minha amiga mexicana, hoje é o último dia do meu primeiro quarto de século... Que medo!
Glossário
Literalmente, brit mila significa "palavra do pacto". Ou "pacto da palavra", nao sei bem! Aqui está tudo bem explicadinho!
Aliah, para o caso de que algum dos meus três fiéis leitores ainda não saiba, é o nome que se dá à imigração de judeus a Israel. Literalmente significa "subida" - a subida espiritual em direção a Jerusalém!
Quando um menino judeu completa oito dias de vida, ele assina um pacto com a tradição judaica. A assinatura, passiva, na realidade, é o brit mila, a circuncisão. Hoje, trabalhando como garçom em um hotel novo, servi os convidados de uma cerimônia de brit mila. E lá, entre bandejas e a correria do trabalho, me emocionei na hora em que o bebê, tão pequeno, tão frágil, chorou, selando o pacto. Foi, de uma maneira especial e inédita, o meu presente de aniversário dado pela nova vida que a aliah representa! E como bem resumiu a Sofia, minha amiga mexicana, hoje é o último dia do meu primeiro quarto de século... Que medo!
Glossário
Literalmente, brit mila significa "palavra do pacto". Ou "pacto da palavra", nao sei bem! Aqui está tudo bem explicadinho!
Aliah, para o caso de que algum dos meus três fiéis leitores ainda não saiba, é o nome que se dá à imigração de judeus a Israel. Literalmente significa "subida" - a subida espiritual em direção a Jerusalém!
20.1.05
18.1.05
Ralo de pia
Da série "morar sozinho é bom, mas dá um trabalho.."
Tem coisas que só os homens se metem a fazer, não tem jeito! Moro com três mulheres e se não fosse eu meter a chave-de-fenda no ralo da pia para descobrir a razão de tão lenta vazão, nenhuma delas o faria! O problema foi descobrir a tal razão! E o cheiro da razão...!
Conselho de quem mora sozinho: não deixe o ralo da pia desassistido por muito tempo!
Da série "morar sozinho é bom, mas dá um trabalho.."
Tem coisas que só os homens se metem a fazer, não tem jeito! Moro com três mulheres e se não fosse eu meter a chave-de-fenda no ralo da pia para descobrir a razão de tão lenta vazão, nenhuma delas o faria! O problema foi descobrir a tal razão! E o cheiro da razão...!
Conselho de quem mora sozinho: não deixe o ralo da pia desassistido por muito tempo!
Uma queda, oito anos atrás
Foi dessas coisas que mudam o rumo da gente. Caí - me desequilibrei, foi por isso. E me esborrachei quatro metros abaixo, braços tortos, mas sem dor. Sete meses depois, ainda fazendo fisioterapia... Nunca li tanto como naqueles dias de fisioterapia!
Por causa do acidente, incidente, atrasei meus 18 anos, atrasei o começo da faculdade... Muita coisa teria sido diferente, não tivesse sido aquilo? Não sei. Cheira a futurologia arriscar um palpite!
Fato é que, faz oito anos, hoje, que eu caí da varanda do que, naquela época, era o confortável quarto da minha confortável vida. Se teria sido diferente não quero arriscar. Mas quanta coisa mudou de lá pra cá...! Isso eh certo!
E com esse post voltam os acentos de outrora!
Foi dessas coisas que mudam o rumo da gente. Caí - me desequilibrei, foi por isso. E me esborrachei quatro metros abaixo, braços tortos, mas sem dor. Sete meses depois, ainda fazendo fisioterapia... Nunca li tanto como naqueles dias de fisioterapia!
Por causa do acidente, incidente, atrasei meus 18 anos, atrasei o começo da faculdade... Muita coisa teria sido diferente, não tivesse sido aquilo? Não sei. Cheira a futurologia arriscar um palpite!
Fato é que, faz oito anos, hoje, que eu caí da varanda do que, naquela época, era o confortável quarto da minha confortável vida. Se teria sido diferente não quero arriscar. Mas quanta coisa mudou de lá pra cá...! Isso eh certo!
E com esse post voltam os acentos de outrora!
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