De volta
Turismo eh muito bom, especialmente em Israel, onde turistas podem se sentir em casa, encontrar informacoes atualizadas e seguras no idioma em que precisam, onde existe seguranca, ninguem rouba ninguem... Mas turismo, qualquer turismo (ainda que seja o mochileiro!), eh caro. Entao, depois de uma semana de mochileiro pelas principais atracoes de Israel, estou de volta a rotina.
Mas vale contar onde estivemos, meu primo e eu, nesses poucos dias. Passamos por Tel Aviv de dia, fomos a tres museus: o da Independencia, onde em 14 de maio Ben Gurion declarou o nascimento de Israel, o da Hagana e o do Irgun, dedicados ao grupos militares que dariam origem ao atual Exercito de Defesa de Israel.
No dia seguinte, de volta a Jerusalem (na verdade eu trabalhei na noite da quarta-feira, e tivemos que voltar correndo de Yafo, para onde tinhamos ido de novo, no claro!), fomos para a Cidadela de David, na entrada da Cidade Velha. Tive que voltar a tarde para o trabalho (nem tudo eh turismo!) e o Michel ficou passeando por Jerusalem. A noite, festa de inauguracao da "baia" do Carlinhos, Juliano e Fabio. E a chegada dos brasileiros, que eu ja contei!
Manha de sexta-feira nao perdemos tempo: acordamos cedo, tomamos onibus para o Mar Morto, o ponto mais baixo do planeta. O Michel entrou na agua e boiou. Eu nao tive coragem, estava com frio! Voltamos. Sof shavua ragua...
E no Brasil...
Luiz Inacio falou, Luiz Inacio avisou: ingles? Para que? Alem dessa, uma que vale a pena conferir eh a exposicao, na Estacao Pinacoteca, em Sampa, "Pergaminhos do Mar Morto - um legado para a Humanidade", pela primeira vez na America Latina. Fica ate o dia 27 de fevereiro (fone 3337-0185).
Glossario
Hagana, alem de ser o nome do museu, significa "defesa". O exercito israelense tem o nome de Tzahal, acronimo para Tzevet Hagana LeIsrael (exercito de defesa de Israel).
Sof shavua ragua significa "fim de semana calmo". Tinhamos direito a um fim de semana tranquilo depois de tantas idas e vindas pelo pais! E a verdade eh que nem fomos a tantos lugares como queriamos...! A proposito, sof shavua ragua eh a vinheta de fim de semana da Galgalatz, uma das radios mais populares aqui!
Baseado em fatos reais...
Diretamente de 31.78/35.22, mais conhecida como Jerusalém, escrevo para quem quiser ler - um pouco da vida e do dia-a-dia de um sujeito perdido em Israel.
17.1.05
14.1.05
E eles chegaram!
Foi uma baita coincidencia! Estava passando com o meu primo perto do ulpan e resolvi entrar para ver se os brasileiros tinham chegado! E tinham!!! Estavam trancados dentro da van que os trouxe do aeroporto. E foi aquele festival de malas, duvidas, perguntas e tal...
Povo, seja bem-vindo!
Foi uma baita coincidencia! Estava passando com o meu primo perto do ulpan e resolvi entrar para ver se os brasileiros tinham chegado! E tinham!!! Estavam trancados dentro da van que os trouxe do aeroporto. E foi aquele festival de malas, duvidas, perguntas e tal...
Povo, seja bem-vindo!
11.1.05
Se anjos existem, eles moram em Israel
Depois de um dia super produtivo, mas cansativo como os dias produtivos sao, nos vimos em Bnei Brak, cidade de religiosos na regiao de Tel Aviv, sem onibus pra voltar pra casa. Casa, nesse caso, eh o local onde meu pai vive, em Raanana, nao muito longe de onde estavamos. Ja era quase meia noite, horario em que os onibus param de circular, quando um motorista de onibus nos ofereceu uma carona para um lugar de onde poderiamos pegar um transporte pra perto de casa. De graca.
Depois, no meio do caminho, um taxista concordou em cobrar menos grana quando eu disse que estavamos sem dinheiro. Nao estavamos, mas nao queriamos gastar mais do que a corrida valia. E o cara nos levou. Disse ainda que se estivessemos sem qualquer grana, nos levaria de graca! A viagem de 34 saiu por 25. Nenhuma grande pechinca, apenas um ato um tanto quanto nobre, raro de ver em grandes cidades, mesmo nas grandes cidades do receptivo e hospitaleiro Brasil.
Durante o dia, passeio pela cidade branca, Tel Aviv. A andanca incluiu visita de tres horas no Museu da Diaspora Judaica, dentro do campus da universidade de Tel Aviv, ao norte da cidade, no bairro de Ramat Aviv - cujo shopping tem o melhor falafel que se pode comer por aqui! Depois, passagem rapida pelo Dizengoff Center, shopping que leva o nome do primeiro prefeito de Tel Aviv. E a tentativa, frustrada, de subir no alto da Opera Tower, predio icone da costa telavivense que ja sediou a primeira Knesset (parlamento) do pais.
Para acabar o passeio, caminhada a tres (a Laura se juntou a nos) na deserta e escura Yafo. Eh a parte arabe e antiga da cidade, mais ao sul. Embora as principais atracoes estivessem fechadas, conseguimos ter uma bonita ideia do que eh a cidade. E ficamos de voltar amanha, no claro, para as fotos valerem a pena. Vale contar que fizemos uma parada no Pisgat HaGan, local de lendas romanticas. Dali, onibus ate Ramat Gan, para conhecer a casa da Laura. E de ca voltamos para o comeco dessa historia - que ja eh o final!
Amanha, os links e o glossario, que vai virar obrigatorio no blog! Estou muito cansado e amanha o dia comeca cedo. Meu primo gosta de me arrancar cedo da cama para comecar a caminhada. Certo ele! Pena que fica tao pouco!
Depois de um dia super produtivo, mas cansativo como os dias produtivos sao, nos vimos em Bnei Brak, cidade de religiosos na regiao de Tel Aviv, sem onibus pra voltar pra casa. Casa, nesse caso, eh o local onde meu pai vive, em Raanana, nao muito longe de onde estavamos. Ja era quase meia noite, horario em que os onibus param de circular, quando um motorista de onibus nos ofereceu uma carona para um lugar de onde poderiamos pegar um transporte pra perto de casa. De graca.
Depois, no meio do caminho, um taxista concordou em cobrar menos grana quando eu disse que estavamos sem dinheiro. Nao estavamos, mas nao queriamos gastar mais do que a corrida valia. E o cara nos levou. Disse ainda que se estivessemos sem qualquer grana, nos levaria de graca! A viagem de 34 saiu por 25. Nenhuma grande pechinca, apenas um ato um tanto quanto nobre, raro de ver em grandes cidades, mesmo nas grandes cidades do receptivo e hospitaleiro Brasil.
Durante o dia, passeio pela cidade branca, Tel Aviv. A andanca incluiu visita de tres horas no Museu da Diaspora Judaica, dentro do campus da universidade de Tel Aviv, ao norte da cidade, no bairro de Ramat Aviv - cujo shopping tem o melhor falafel que se pode comer por aqui! Depois, passagem rapida pelo Dizengoff Center, shopping que leva o nome do primeiro prefeito de Tel Aviv. E a tentativa, frustrada, de subir no alto da Opera Tower, predio icone da costa telavivense que ja sediou a primeira Knesset (parlamento) do pais.
Para acabar o passeio, caminhada a tres (a Laura se juntou a nos) na deserta e escura Yafo. Eh a parte arabe e antiga da cidade, mais ao sul. Embora as principais atracoes estivessem fechadas, conseguimos ter uma bonita ideia do que eh a cidade. E ficamos de voltar amanha, no claro, para as fotos valerem a pena. Vale contar que fizemos uma parada no Pisgat HaGan, local de lendas romanticas. Dali, onibus ate Ramat Gan, para conhecer a casa da Laura. E de ca voltamos para o comeco dessa historia - que ja eh o final!
Amanha, os links e o glossario, que vai virar obrigatorio no blog! Estou muito cansado e amanha o dia comeca cedo. Meu primo gosta de me arrancar cedo da cama para comecar a caminhada. Certo ele! Pena que fica tao pouco!
10.1.05
Memoria, compras e armario novo
Com o Abbas eleito e o Hamas prometendo mais atentados, trocamos o cenario de ontem, tipicamente medio-oriental, por um passeio mais emocionante: Yad Vashem, o museu erguido em Israel para homenagear os mais de seis milhoes de judeus mortos no Holocausto e aqueles que fizeram algo para evitar que esse numero fosse ainda maior.
Do Yad Vashem, onde passamos boa parte do que foi a nossa manha (capotamos depois de sair para fumar narguila com amigos ontem!), passamos no shuk Machane Yehuda. La perto o Michel comprou uma mezuza.
E hoje chegou o meu armario, por isso voltamso mais cedo para casa. Meu quarto estah com mais cara de quarto! E eu descobri que as quatro portas que comprei sao insuficientes. Devia ter optado por seis! Pelo menos nao saiu caro.
Ainda vou escrever a respeito, com detalhes. Mas adianto que hoje tive a primeira reuniao extraordinaria com as minhas shutafot. A convivencia nao estah dificil. Mas pode ficar. Pequenas coisinhas...
Atendendo a pedidos, um glossario do post:
Hamas eh um dos grupos terroristas palestinos, que a midia internacional gosta de chamar de "ativistas"... Os membros sao responsaveis por uma porcao de ataques suicidas e pela morte de muitos israelenses. Ao lado do Hamas estao Fatah, Hezbollah (libanes) e outros...
Yad Vashem eh o nome do museu que eu contei. Significa "um nome e um lugar" (Isaias 56,5). O site, inaugurado recentemente, tem uma base de dados completa com o nome das vitimas. Vale a pena a visita.
Narguila eh, basicamente, um cachimbo de origem arabe oriental composto por um (ou varios) tubos flexivel e por um recipiente cheio de agua. Pode ser fumado com tabacos aromatizados. Ontem fumamos sabor morango.
Shuk eh, literalmente, mercado. Na pratica, eh um mercadao a ceu aberto. Em Jerusalem fica bem perto da estacao central de onibus. Vale a pena a visita, ainda que nao se compre nada, apenas para olhar. E tirar fotos, porque eh todo colorido.
Mezuza, em hebraico, significa "umbral". De acordo com a tradicao judaica, eh um pequeno rolo de pergaminho com duas passagens biblicas, manuscritas (Shema e Vehaia). Deve ser afixada no umbral direito da porta de cada dependencia de um lar ou estabelecimento judaico.
Shutafot eh o plural feminino de "shutaf", que significa, literalmente, socio. Contudo, a palavra designa quem divide apartamento, por exemplo. Ou a cama. No meu caso, dividimos apenas o apartamento. Mas quando voce usar a palavra, nao se esqueca de dizer que se trata de shutafot bait. So pela duvida!
Com o Abbas eleito e o Hamas prometendo mais atentados, trocamos o cenario de ontem, tipicamente medio-oriental, por um passeio mais emocionante: Yad Vashem, o museu erguido em Israel para homenagear os mais de seis milhoes de judeus mortos no Holocausto e aqueles que fizeram algo para evitar que esse numero fosse ainda maior.
Do Yad Vashem, onde passamos boa parte do que foi a nossa manha (capotamos depois de sair para fumar narguila com amigos ontem!), passamos no shuk Machane Yehuda. La perto o Michel comprou uma mezuza.
E hoje chegou o meu armario, por isso voltamso mais cedo para casa. Meu quarto estah com mais cara de quarto! E eu descobri que as quatro portas que comprei sao insuficientes. Devia ter optado por seis! Pelo menos nao saiu caro.
Ainda vou escrever a respeito, com detalhes. Mas adianto que hoje tive a primeira reuniao extraordinaria com as minhas shutafot. A convivencia nao estah dificil. Mas pode ficar. Pequenas coisinhas...
Atendendo a pedidos, um glossario do post:
Hamas eh um dos grupos terroristas palestinos, que a midia internacional gosta de chamar de "ativistas"... Os membros sao responsaveis por uma porcao de ataques suicidas e pela morte de muitos israelenses. Ao lado do Hamas estao Fatah, Hezbollah (libanes) e outros...
Yad Vashem eh o nome do museu que eu contei. Significa "um nome e um lugar" (Isaias 56,5). O site, inaugurado recentemente, tem uma base de dados completa com o nome das vitimas. Vale a pena a visita.
Narguila eh, basicamente, um cachimbo de origem arabe oriental composto por um (ou varios) tubos flexivel e por um recipiente cheio de agua. Pode ser fumado com tabacos aromatizados. Ontem fumamos sabor morango.
Shuk eh, literalmente, mercado. Na pratica, eh um mercadao a ceu aberto. Em Jerusalem fica bem perto da estacao central de onibus. Vale a pena a visita, ainda que nao se compre nada, apenas para olhar. E tirar fotos, porque eh todo colorido.
Mezuza, em hebraico, significa "umbral". De acordo com a tradicao judaica, eh um pequeno rolo de pergaminho com duas passagens biblicas, manuscritas (Shema e Vehaia). Deve ser afixada no umbral direito da porta de cada dependencia de um lar ou estabelecimento judaico.
Shutafot eh o plural feminino de "shutaf", que significa, literalmente, socio. Contudo, a palavra designa quem divide apartamento, por exemplo. Ou a cama. No meu caso, dividimos apenas o apartamento. Mas quando voce usar a palavra, nao se esqueca de dizer que se trata de shutafot bait. So pela duvida!
9.1.05
Passeio pela Cidade Velha
Bairro judeu, bairro arabe, bairro armenio, bairro cristao. Via Dolorosa. Restaurantes arabes, doces arabes, o idioma arabe, kfia por todo lado. Sinagogas, mesquitas, Muro das Lamentacoes, Monte do Templo, mesquita Al-Aqsa. Busca desesperada por molochea. Falafel.
Caminhar, caminhar, caminhar...
Tudo isso em pleno dia de eleicoes na Autoridade Palestina!
Bairro judeu, bairro arabe, bairro armenio, bairro cristao. Via Dolorosa. Restaurantes arabes, doces arabes, o idioma arabe, kfia por todo lado. Sinagogas, mesquitas, Muro das Lamentacoes, Monte do Templo, mesquita Al-Aqsa. Busca desesperada por molochea. Falafel.
Caminhar, caminhar, caminhar...
Tudo isso em pleno dia de eleicoes na Autoridade Palestina!
7.1.05
Brazilait
Eu gosto das radios israelenses. Ja entendo muito melhor do que em outras epocas. Ouco e acompanho o noticiario a cada hora cheia. Dou risada de algumas piadas. Ja ate decorei os jingles das propagandas e refroes de musicas.
Mas nada como ouvir uma boa e velha radio de Sao Paulo.
Viva a internet.
E hoje chega o meu primo. E melhor amigo. Mais portugues, muito portugues.
Eu gosto das radios israelenses. Ja entendo muito melhor do que em outras epocas. Ouco e acompanho o noticiario a cada hora cheia. Dou risada de algumas piadas. Ja ate decorei os jingles das propagandas e refroes de musicas.
Mas nada como ouvir uma boa e velha radio de Sao Paulo.
Viva a internet.
E hoje chega o meu primo. E melhor amigo. Mais portugues, muito portugues.
5.1.05
O cachecol kfia
Ser parado pela policia em Israel nao eh para qualquer um. Eh privilegio de poucos. Poucos como eu, que tenho feicoes medio-orientais gracas as raizes no Egito. Mas acho que a culpa por eu ter sido parado e questionado ontem nao foi so da minha cara. Estava muito escuro, tarde da noite, muito frio. A culpa foi do cachecol. Eh, comprei um cachecol que, me dei conta ontem, parece uma kfia, aquele pedaco de pano que os arabes usam na cabeca. Parece pelas cores, mais nada. Ele eh um cachecol, como um cachecol deve ser! Mas fato eh que, me vendo passar, o motorista da viatura parou, deu marcha a re, embicou no estacionamento do predio onde eu estava entrando e devagarzinho emparelhou comigo. Travou-se entao o seguinte dialogo:
- Boa noite.
- Boa noite.
- Para onde voce estah indo?
- Para a casa de amigos, visita-los. (Eu ia mesmo, para buscar minha webcam!)
- Onde voce mora?
- Na rua Yehuda.
- Nao estah muito tarde para visitar amigos? (Era uma da manha, passada)
Levantar de ombros (o que eu ia dizer?)
- Voce tem teudat zeut?
- Sim (Tive vontade de dizer "Sim, claro, voce acha que sou louco de andar sem documentos?" Mas so disse "sim" e a carteirinha, nessa hora, saida da minha carteira, nao colaborou. Colou e nao queria abrir...!)
- Me da.
Dei, claro, para a mocinha, certamente mais nova que eu, sentada ao lado do motorista. Ele entao perguntou:
- Qual o numero?
Ela disse. Ele digitou no computador. Ficha limpa, claro. Me liberaram.
Depois, sai andando meio puto e meio indignado, feliz por ter mandado bem no hebraico. Mas o primeiro pensamento que tive virou um comentario, que fiz com o vento gelado e as arvores (a rua estava, sem brincadeira, deserta):
- Eh assim que eles conseguem manter a ordem...
Estou saindo agora. E vou com o cachecol kfia!
Em tempo: quer conhecer a minha casa? Entao clica aqui!
Ser parado pela policia em Israel nao eh para qualquer um. Eh privilegio de poucos. Poucos como eu, que tenho feicoes medio-orientais gracas as raizes no Egito. Mas acho que a culpa por eu ter sido parado e questionado ontem nao foi so da minha cara. Estava muito escuro, tarde da noite, muito frio. A culpa foi do cachecol. Eh, comprei um cachecol que, me dei conta ontem, parece uma kfia, aquele pedaco de pano que os arabes usam na cabeca. Parece pelas cores, mais nada. Ele eh um cachecol, como um cachecol deve ser! Mas fato eh que, me vendo passar, o motorista da viatura parou, deu marcha a re, embicou no estacionamento do predio onde eu estava entrando e devagarzinho emparelhou comigo. Travou-se entao o seguinte dialogo:
- Boa noite.
- Boa noite.
- Para onde voce estah indo?
- Para a casa de amigos, visita-los. (Eu ia mesmo, para buscar minha webcam!)
- Onde voce mora?
- Na rua Yehuda.
- Nao estah muito tarde para visitar amigos? (Era uma da manha, passada)
Levantar de ombros (o que eu ia dizer?)
- Voce tem teudat zeut?
- Sim (Tive vontade de dizer "Sim, claro, voce acha que sou louco de andar sem documentos?" Mas so disse "sim" e a carteirinha, nessa hora, saida da minha carteira, nao colaborou. Colou e nao queria abrir...!)
- Me da.
Dei, claro, para a mocinha, certamente mais nova que eu, sentada ao lado do motorista. Ele entao perguntou:
- Qual o numero?
Ela disse. Ele digitou no computador. Ficha limpa, claro. Me liberaram.
Depois, sai andando meio puto e meio indignado, feliz por ter mandado bem no hebraico. Mas o primeiro pensamento que tive virou um comentario, que fiz com o vento gelado e as arvores (a rua estava, sem brincadeira, deserta):
- Eh assim que eles conseguem manter a ordem...
Estou saindo agora. E vou com o cachecol kfia!
Em tempo: quer conhecer a minha casa? Entao clica aqui!
Tsunami, semana e meia depois
Um sistema de alerta no Indico teria evitado completamente as mortes em Sri Lanka e na India, ja que na maioria dos casos a populacao precisava se deslocar apenas um quilometro para ficar a salvo.
Esse eh o pior aspecto do que aconteceu no sudeste da Asia. A cada dia ligo a TV na CNN e so vejo os numeros aumentarem. E aumentarem. Falaram em mil mortos no primeiro dia. E eu achei um absurdo. E hoje, semana e meia depois, ja se fala em 150 mil. Nao consigo imaginar essa multidao, o que esses numeros representam.
E ai, lendo a opiniao acima, de Bill McGuire, do Centro de Pesquisas Benfield Hazard, da Gra-Bretanha, a coisa toma esse aspecto mais cruel, mais triste. Aqui em Israel, tambem, nao se fala em outra coisa. E "apenas" quatro israelenses morreram la. Nas imagens da CNN vi voluntarios da Zaka por la...
Eh dificil falar do assunto. Delicado. Triste. Hoje, me deparei com essa noticia: Erupcao de vulcao provocara megatsunami na America. Vamos que vamos...
Um sistema de alerta no Indico teria evitado completamente as mortes em Sri Lanka e na India, ja que na maioria dos casos a populacao precisava se deslocar apenas um quilometro para ficar a salvo.
Esse eh o pior aspecto do que aconteceu no sudeste da Asia. A cada dia ligo a TV na CNN e so vejo os numeros aumentarem. E aumentarem. Falaram em mil mortos no primeiro dia. E eu achei um absurdo. E hoje, semana e meia depois, ja se fala em 150 mil. Nao consigo imaginar essa multidao, o que esses numeros representam.
E ai, lendo a opiniao acima, de Bill McGuire, do Centro de Pesquisas Benfield Hazard, da Gra-Bretanha, a coisa toma esse aspecto mais cruel, mais triste. Aqui em Israel, tambem, nao se fala em outra coisa. E "apenas" quatro israelenses morreram la. Nas imagens da CNN vi voluntarios da Zaka por la...
Eh dificil falar do assunto. Delicado. Triste. Hoje, me deparei com essa noticia: Erupcao de vulcao provocara megatsunami na America. Vamos que vamos...
3.1.05
Micro, tenho micro!
Ainda estava sonado quando o telefone tocou, hoje de manha. Do outro lado, em hebraico, a mocinha da Office Depot anunciava que chegou, o meu micro chegou! Fui buscar, debaixo de chuva, muita chuva. E agora, tarde da noite, estou escrevendo meu primeiro post sentado na minha casa - molhado porque fui ate a locadora devolver o primeiro filme a que assisti aqui, Amores Perros.
Ainda estava sonado quando o telefone tocou, hoje de manha. Do outro lado, em hebraico, a mocinha da Office Depot anunciava que chegou, o meu micro chegou! Fui buscar, debaixo de chuva, muita chuva. E agora, tarde da noite, estou escrevendo meu primeiro post sentado na minha casa - molhado porque fui ate a locadora devolver o primeiro filme a que assisti aqui, Amores Perros.
31.12.04
E no Oriente Medio ja eh 2005!!!
Passamos o ano assim: depois de eu ter trabalhado, vim correndo para a casa de um amigo. Estamos em cinco, os que sobraram: um chileno, um argentino e tres brasucas. A meia-noite, um brinde, outro, outro mais, palavras desejando sorte na nova vida em Israel, musica da MTV. Estamos em dois mil e cinco, enfim!
Feliz ano novo!
Passamos o ano assim: depois de eu ter trabalhado, vim correndo para a casa de um amigo. Estamos em cinco, os que sobraram: um chileno, um argentino e tres brasucas. A meia-noite, um brinde, outro, outro mais, palavras desejando sorte na nova vida em Israel, musica da MTV. Estamos em dois mil e cinco, enfim!
Feliz ano novo!
27.12.04
Orkut, essa maravilha
Faz um tempinho ja que estou no Orkut, essa maravilha. Quando entrei, desconfiado, nao demorei a gostar. Mas demorei, isso sim, pra achar utilidade na brincadeira, que agora ja tem dezenas de copias que nao vao pegar! Conto. Entre as doze fotos que permitem colocar, duas eram das antigas. Em uma delas apareco com a Leticia (nao deviamos ter mais de 8, 9 anos) em uma festa do colegio...
E eis que, tempos depois, a Leticia, que hoje estuda medicina em Madrid, me achou! Achou, achou a foto, mandou mensagem e eu morro de dar risada toda vez que chega algo dela, quase todo dia. Ou da Karina, por quem estive loucamente apaixonado quando nao sabia ainda o que era estar loucamente apaixonado. A Karina tambem mora em Madrid. O Fernando, um dos meus melhores amigos do colegio, e a Graziela, com quem vivia discutindo, tambem me acharam!
Hoje estamos, Leticia, Karina e eu, combinando de, quem sabe, fazer um reencontro ca ou la. Passear os tres, e quem mais quiser, pela Ben Yehuda ou pela Plaza de Mayo. Comer uma tortilla ou um falafel. E rir, porque precisamos rir, lembrando daquela infancia, de 12 anos atras, das brigas, das provas, dos professores... Tudo, e mesmo que nao seja nada disso ja tera sido bastante, gracas ao Orkut, essa maravilha!
Faz um tempinho ja que estou no Orkut, essa maravilha. Quando entrei, desconfiado, nao demorei a gostar. Mas demorei, isso sim, pra achar utilidade na brincadeira, que agora ja tem dezenas de copias que nao vao pegar! Conto. Entre as doze fotos que permitem colocar, duas eram das antigas. Em uma delas apareco com a Leticia (nao deviamos ter mais de 8, 9 anos) em uma festa do colegio...
E eis que, tempos depois, a Leticia, que hoje estuda medicina em Madrid, me achou! Achou, achou a foto, mandou mensagem e eu morro de dar risada toda vez que chega algo dela, quase todo dia. Ou da Karina, por quem estive loucamente apaixonado quando nao sabia ainda o que era estar loucamente apaixonado. A Karina tambem mora em Madrid. O Fernando, um dos meus melhores amigos do colegio, e a Graziela, com quem vivia discutindo, tambem me acharam!
Hoje estamos, Leticia, Karina e eu, combinando de, quem sabe, fazer um reencontro ca ou la. Passear os tres, e quem mais quiser, pela Ben Yehuda ou pela Plaza de Mayo. Comer uma tortilla ou um falafel. E rir, porque precisamos rir, lembrando daquela infancia, de 12 anos atras, das brigas, das provas, dos professores... Tudo, e mesmo que nao seja nada disso ja tera sido bastante, gracas ao Orkut, essa maravilha!
Tour em zona A
Estive na semana passada na cidade de Kalkilia, arabe. Nao na cidade, mas perto o suficiente para diferenciar telhados de domos. E perto o bastante para ver a cerca de seguranca que vai sendo construida pela Cisjordania. E estive com outros jornalistas, um alemao e um suico, ciceroneados, nos tres, por representantes do porta-voz do Exercito israelense. Uma coletiva de imprensa, por assim dizer.
Depois de conhecer de perto a cerca - que so em 5 por cento do seu trecho eh muro, por representar ameaca para estradas - fomos para um checkpoint. Trata-se, para quem nao ve CNN, de um ponto de passagem e checagem entre o que um dia serah o Estado palestino e a atual Israel. Quem sai nao eh checado, quem entra sim, naturalmente. Vai-e-vem normal, como em um pedagio, como em uma portaria. Documentos, perguntas, revistas.
O passeio terminou na central de inteligencia da cerca de seguranca. Por fora parece um acampamento improvisado. Por dentro, computadores e cameras vigiam cada centimetro de seus muitos quilometros. Sensores posicionados na cerca avisam se alguem a tocou, se apoiou algum peso, se tentou escala-la, se tentou corta-la. Diante dos computadores, como se fossem criancas jogando algum game de ultima geracao, jovens soldados, mais jovens que eu.
Na volta, o jornalista alemao, que estava de carro, me deixou em Kfar Saba. A distancia entre Kalkilia e a cidade israelense eh assustadoramente pequena. Tao pequena que, sem a cerca, um terrorista poderia chegar ate la a pe em meia hora. Nao eh um exemplo retorico. O suicida que matou mais de vinte jovens em junho de 2001 em uma danceteria na praia saiu de Kalkilia. Andou ate um cruzamento, que fica do lado de ca da cerca (na epoca inexistente) e tomou um taxi para Tel Aviv. Ele nao foi o unico.
Estive na semana passada na cidade de Kalkilia, arabe. Nao na cidade, mas perto o suficiente para diferenciar telhados de domos. E perto o bastante para ver a cerca de seguranca que vai sendo construida pela Cisjordania. E estive com outros jornalistas, um alemao e um suico, ciceroneados, nos tres, por representantes do porta-voz do Exercito israelense. Uma coletiva de imprensa, por assim dizer.
Depois de conhecer de perto a cerca - que so em 5 por cento do seu trecho eh muro, por representar ameaca para estradas - fomos para um checkpoint. Trata-se, para quem nao ve CNN, de um ponto de passagem e checagem entre o que um dia serah o Estado palestino e a atual Israel. Quem sai nao eh checado, quem entra sim, naturalmente. Vai-e-vem normal, como em um pedagio, como em uma portaria. Documentos, perguntas, revistas.
O passeio terminou na central de inteligencia da cerca de seguranca. Por fora parece um acampamento improvisado. Por dentro, computadores e cameras vigiam cada centimetro de seus muitos quilometros. Sensores posicionados na cerca avisam se alguem a tocou, se apoiou algum peso, se tentou escala-la, se tentou corta-la. Diante dos computadores, como se fossem criancas jogando algum game de ultima geracao, jovens soldados, mais jovens que eu.
Na volta, o jornalista alemao, que estava de carro, me deixou em Kfar Saba. A distancia entre Kalkilia e a cidade israelense eh assustadoramente pequena. Tao pequena que, sem a cerca, um terrorista poderia chegar ate la a pe em meia hora. Nao eh um exemplo retorico. O suicida que matou mais de vinte jovens em junho de 2001 em uma danceteria na praia saiu de Kalkilia. Andou ate um cruzamento, que fica do lado de ca da cerca (na epoca inexistente) e tomou um taxi para Tel Aviv. Ele nao foi o unico.
23.12.04
Um pneu furado
Dia desses, indo para o supermercado (sim, agora eu vou ao supermercado, sejam bem vindos a minha vida real de israelense normal!), uma mulher estava plantada ao lado do carro dela, que tinha um pneu furado, triangulo na mao. Nao sabia o que fazer. Pediu ajuda. Dani e eu, que nao somos letrados em hebraico mas nos viramos com pneus, fizemos o servico. Tudo correu bem.
Depois do pneu trocado, os agradecimentos. Disse ela que nao tinha palavras para agradecer a mitzva (boa acao) que tinhamos feito. Que "muito obrigado", "voces sao uns anjos", "voces vieram do ceu", bla, bla, bla. Um exagerado desfile de agradecimentos. Nao precisava, serio. Como disse o Dani, uns trocados ajudariam mais. Brincadeira! Eu nao teria aceitado!
E isso me faz lembrar de como eh engracado, as vezes, viver aqui em Israel. Nao sei se contei e estou com preguica de espiar (ou "espionar", como contou uma amiga que faz!) no blog. Mas antes de achar ape, num ponto de onibus, uma mulher puxou papo, me deu pedacos do jornal que acabara de comprar, conselhos e o numero do telefone. Como se fossemos velhos conhecidos. Nos cruzamos mais algumas vezes...
Outra, sentado no onibus voltando pra casa, tentando me concentrar para ler a descricao do celular que quero comprar, uma senhora, sentada ao meu lado, puxa papo. "Voce pode escrever uma coisa pra mim?", perguntou sem saber que de hebraico nao manjo muito. Expliquei e ela entao quis saber de onde vim, o que faco, porque cargas d'agua fiz aliah etc. E nao acreditou que eu tivesse mais que 18 anos! Depois, deu dica do melhor ponto pra descer, uma bronca por nao ter tomado o onibus que passa mais perto de casa... Como se fossemos velhos conhecidos!
E a vida vai! Sempre que podem, os israelenses se metem na vida uns dos outros, mas com boas intencoes, pra ajudar. Se voce pergunta em uma parada de onibus que linha vai pra tal lugar, todos que estao ali vao te dar alguma dica. Geralmente sao todas diferentes, vai de voce escolher uma! Um barato, uma piada!
Uma coisa doida eh que aqui em Israel, sem Natal, sem clima de fim de ano, sem propagandas na TV para vender tudo que se pode, nao se sente que mais um ano vai, outro ano vem. Mas ja eh quase 2005. Entao, um bom Natal, um feliz ano novo a todos!
Dia desses, indo para o supermercado (sim, agora eu vou ao supermercado, sejam bem vindos a minha vida real de israelense normal!), uma mulher estava plantada ao lado do carro dela, que tinha um pneu furado, triangulo na mao. Nao sabia o que fazer. Pediu ajuda. Dani e eu, que nao somos letrados em hebraico mas nos viramos com pneus, fizemos o servico. Tudo correu bem.
Depois do pneu trocado, os agradecimentos. Disse ela que nao tinha palavras para agradecer a mitzva (boa acao) que tinhamos feito. Que "muito obrigado", "voces sao uns anjos", "voces vieram do ceu", bla, bla, bla. Um exagerado desfile de agradecimentos. Nao precisava, serio. Como disse o Dani, uns trocados ajudariam mais. Brincadeira! Eu nao teria aceitado!
E isso me faz lembrar de como eh engracado, as vezes, viver aqui em Israel. Nao sei se contei e estou com preguica de espiar (ou "espionar", como contou uma amiga que faz!) no blog. Mas antes de achar ape, num ponto de onibus, uma mulher puxou papo, me deu pedacos do jornal que acabara de comprar, conselhos e o numero do telefone. Como se fossemos velhos conhecidos. Nos cruzamos mais algumas vezes...
Outra, sentado no onibus voltando pra casa, tentando me concentrar para ler a descricao do celular que quero comprar, uma senhora, sentada ao meu lado, puxa papo. "Voce pode escrever uma coisa pra mim?", perguntou sem saber que de hebraico nao manjo muito. Expliquei e ela entao quis saber de onde vim, o que faco, porque cargas d'agua fiz aliah etc. E nao acreditou que eu tivesse mais que 18 anos! Depois, deu dica do melhor ponto pra descer, uma bronca por nao ter tomado o onibus que passa mais perto de casa... Como se fossemos velhos conhecidos!
E a vida vai! Sempre que podem, os israelenses se metem na vida uns dos outros, mas com boas intencoes, pra ajudar. Se voce pergunta em uma parada de onibus que linha vai pra tal lugar, todos que estao ali vao te dar alguma dica. Geralmente sao todas diferentes, vai de voce escolher uma! Um barato, uma piada!
Uma coisa doida eh que aqui em Israel, sem Natal, sem clima de fim de ano, sem propagandas na TV para vender tudo que se pode, nao se sente que mais um ano vai, outro ano vem. Mas ja eh quase 2005. Entao, um bom Natal, um feliz ano novo a todos!
16.12.04
Mudanca...
Etmol haia tov
Ve ihie gam machar...
Quando ouvi essa musica, ontem, depois de carregar minha bagagem, estava detonado de cansaco. Fui dormir tarde anteontem porque trabalhei ate uma da manha no hotel de um kibutz aqui perto. Fazia frio e a cozinha ficava separada do salao de festas. Conclusao: dor de garganta e sumico da voz!
E ontem era o dia 15 de dezembro, o fatidico dia da mudanca. Depois de ajudar metade da galera a carregar malas, acomodar nos porta-malas dos onibus (nunca pensei que onibus pudessem ter porta-malas pequenos!), subir moveis na casa de amigos, fui enxotado do ulpan, e descobri que as minhas shutafot nao estavam em casa. Tive que deixar tudo no deposito da casa de um amigo...
Final da historia: fiquei sem lenco nem documento, sem mala nem blusa... E so depois de cinco horas as meninas voltaram para o ape. Vieram me buscar (eh uma boa ter shutafot com carro!) e fomos assinar o contrato, pagar a primeira parcela do aluguel...! La se foram duzentas pilas!
No final da noite, passei duas horas arrumando meu quarto, deixando os 9,61 metros quadrados em que vou viver pelos proximos doze meses com a minha cara. Foi assim: gripado, cansado, num dia frio e chuvoso. Mas agora tenho a minha casa, o meu quarto, as minhas chaves...! Nada se compara a essa sensacao!
Etmol haia tov
Ve ihie gam machar...
Quando ouvi essa musica, ontem, depois de carregar minha bagagem, estava detonado de cansaco. Fui dormir tarde anteontem porque trabalhei ate uma da manha no hotel de um kibutz aqui perto. Fazia frio e a cozinha ficava separada do salao de festas. Conclusao: dor de garganta e sumico da voz!
E ontem era o dia 15 de dezembro, o fatidico dia da mudanca. Depois de ajudar metade da galera a carregar malas, acomodar nos porta-malas dos onibus (nunca pensei que onibus pudessem ter porta-malas pequenos!), subir moveis na casa de amigos, fui enxotado do ulpan, e descobri que as minhas shutafot nao estavam em casa. Tive que deixar tudo no deposito da casa de um amigo...
Final da historia: fiquei sem lenco nem documento, sem mala nem blusa... E so depois de cinco horas as meninas voltaram para o ape. Vieram me buscar (eh uma boa ter shutafot com carro!) e fomos assinar o contrato, pagar a primeira parcela do aluguel...! La se foram duzentas pilas!
No final da noite, passei duas horas arrumando meu quarto, deixando os 9,61 metros quadrados em que vou viver pelos proximos doze meses com a minha cara. Foi assim: gripado, cansado, num dia frio e chuvoso. Mas agora tenho a minha casa, o meu quarto, as minhas chaves...! Nada se compara a essa sensacao!
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