16.3.04

Cultura
Podia ser uma propaganda dessas da Mastercard! Teatro: 50 reais. Museu: 20 reais. Livro: 40 reais. Cinema: 15 reais. Exposição: 15 reais. Concerto: 70 reais. É verdade que existem muitas coisas boas e baratas, algumas grátis, até. Mas a maioria dos produtos culturais no Brasil, país de pobres, país de desigualdades sociais gritantes, é muito cara e, por isso, inacessível. Quem é que pode pagar tudo isso para passar duas, três horas consumindo cultura? Quem é que pode se dar o prazer de entrar numa livraria e levar um, dois títulos para casa, a esses preços?

Tem coisas que só com Mastercard. E dá-lhe juros, depois.

15.3.04

Peça sim
Não me negue
Só me reggae
Só me toque quando eu pedir


Não me negue
Só me reggae
Só me esfregue quando eu pedir
E eu peço sim!

(Zélia Duncan, Nos lençóis desse reggae)
Faltam
17
semanas!
Ou... 111 dias!
Sem graça
Quando rimos da tragédia alheia, embora isso aconteça mais do que deveria acontecer, algo está errado. Mesmo quando rimos da tragédia de quem mora tão longe e vive em uma realidade cultural tão diferente da nossa. É o que eu saí pensando depois de ver Divórcio à moda iraniana no CCBB, outro dia. O documentário explora a luta das mulheres pelo divórcio no país de regime ditatorial. Fazia parte de uma mostra chamada Mulheres em apuros -melhor título não há...

A legislação atrasada do Irã trata a mulher como cidadã de segunda classe. Dá poucos direitos e impõe muitos deveres. O direito ao divórcio é assegurado, mas sob difíceis circunstâncias -geralmente se o marido não aceita, elas não se separam. E, se aceita, o casal, ainda que separado, é obrigado a viver sob o mesmo teto durante um determinado tempo. Essas e outras regras absurdas são abordadas no documentário, produzido por uma cineasta inglesa.

É verdade que há cenas, no acompanhamento de alguns casos julgados por uma corte de Teerã, que fazem rir. Mas é um fazer rir sarcástico. É uma risada da tragédia alheia. Coisas de que rimos por tão ridículas que parecem à sociedade em que vivemos -essa que, se não é igualitária porque paga menos a mulheres do que a homens, por exemplo, pelo menos não prevê chibatadas como pena por "crimes" que sequer merecem ser chamados assim.

Acho que o documentário, que vai passar de novo na quarta-feira, 17 de março, às 20h no Centro Cultural Banco do Brasil, é um alerta ao mundo -muito adequado, em dias de volta do terrorismo internacional praticado por radicais como os que postulam leis assim. Vale a pena ser visto e divulgado. Para que o mundo saiba como a mulher é tratada naqueles regimes ditatoriais...

Frase da semana
Declaramos nossa responsabilidade pelo ocorrido em Madrid, precisamente dois anos e meio depois dos atentados de Nova York e Washington. É uma resposta a sua colaboração com os criminosos, o presidente norte-americano George W. Bush e seus aliados. É uma resposta aos crimes que vocês cometeram no mundo e, mais concretamente, no Iraque e no Afeganistão. Se D-s quiser, outras respostas virão. Vocês querem a vida, nós queremos a morte, o que exemplifica o que disse o profeta Maomé; se vocês não cessarem suas injustiças, o sangue correrá cada vez mais, e esses atentados representam muito pouco em comparação com o que poderia acontecer através do que vocês chamam de terrorismo. Este é um aviso do porta-voz militar da Al-Qaeda na Europa, Abu Dujan Al Afgani (texto completo do vídeo reivindicando a autoria dos atentados em Madrid).

14.3.04

Bocejo



Tenho usado muito o MSN. Gosto mais do que do ICQ, por diversas razões. Uma delas, que pode parecer (e é!) besta, é aquele monte de carinhas que podemos usar para demonstrar sentimentos. Às vezes, bastam elas para demonstrar como você se sente, como bastam as reticências para demonstrar que você não está com saco de responder ao que a outra pessoa disse. Toda uma teoria do mundo moderno e internético. Tem uma carinha lá, a que eu chamo de "do bocejo", que é ótima. Chega a ser engraçada a carinha de sono depois do bocejo. Parece comigo nas noites que eu passo pendurado no MSN! Enfim, não importa.

Importa que eu queria entender, e até hoje ninguém conseguiu me explicar, qual é a razão de bocejarmos quando outra pessoa boceja ao nosso lado (ou mesmo quando um cachorro boceja, ou alguém na TV boceja, ou quando falamos -ou lemos!- sobre bocejo). Já reparou? Acho que até as imagens aí no alto fazem a gente bocejar...! Qual a "mágica"? Está aí um assunto interessante para um dia "interessante" como o de hoje: domingo chuvoso!

E aí, você bocejou quantas vezes lendo este post?!

13.3.04

Propaganda



Adoro propaganda. Quando tinha 13 anos decidi ser jornalista. Mas quando prestei vestibular, em 1996, pensei em fazer propaganda, também. Mudei de idéia na última hora! Sorte... Enfim, essa da Coppertone, antigona, é clássica. Quem tem mais assim?!

12.3.04

Shabat Shalom
No "day after", falar em shalom, paz, tem efeito maior.
Fora
Reconheço que fiz barbeiragens hoje no trânsito para chegar em tempo (e "tempo" é apenas modo de falar, porque eu só tinha meia hora!) na agência dos correios e despachar uma encomenda para a minha irmã. Corri, desviei cá e lá, até dei um banho em uma mulher porque a roda do carro entrou em um buraco que estava cheio de água -quis morrer de vergonha.

Mas foi uma delícia responder, com calma e serenidade, e deixar sem palavras uma mulher que queria de toda maneira arranjar briga comigo no trânsito:

Ela: Você devia dirigir mais devagar, filhinho. Seu carro está até riscadinho. Devia ser mais civilizado no trânsito. Não se dirige dessa forma... Blá, blá, blá...

Eu: Tem razão, me desculpe. É que eu me distraí com a beleza da sua filha (que estava sentada ao lado dela e, ao ouvir isso, fechou a janela, muda!!)

A mulher não tinha onde enfiar a cara. E eu só fiquei olhando e sorrindo!!! Quando abriu o sinal, ela arrancou, irritada, fazendo tudo que condenou em mim!

11.3.04

Duzentos mortos, mil feridos
O saldo trágico dos atentados simultâneos ocorridos na manhã de hoje em Madrid não é apenas o número alto de vítimas, mas o horror do evento. De novo, a brutalidade do terrorismo mostra sua face. E de novo o mundo vai condenar o terrorismo, como faz sempre que algo assim acontece -menos quando acontece em Israel.

Está na hora da hipocrisia acabar. E está na hora de se colocar um basta no terrorismo. Em todo tipo de terrorismo.



Imprensa
O comportamento da imprensa espanhola, considerada uma das melhores do mundo, foi exemplar no "11 de setembro europeu": os jornais, como El País, El Mundo, La Vanguardia e ABC, abriram seu conteúdo sem exigir pagamento ou cadastro.

A iniciativa foi do principal jornal espanhol e europeu, o El País, que normalmente tem acesso restrito apenas aos assinantes. Os jornais concorrentes seguiram a decisão. Em seus portais, os veículos têm, além de informações atualizadas, imagens dos atentados.

UPDATE: A Rede
O grupo Al Qaeda ("a rede", em árabe") assumiu a autoria dos ataques. O número de vítimas é de quase 200 mortos, mais de 1,4 mil feridos... E o Terra brasileiro fez uma lista de ataques terroristas desde 11 de setembro sem incluir os sofridos por Israel. A hipocrisia segue...

10.3.04

Passeio
Fiz hoje algo que todo paulistano deveria fazer regularmente: fui ao centro, de metrô, para visitar o Centro Cultural Banco do Brasil. Passeio gostoso, especialmente porque fazia um calor moderado, e não chovia -ao contrário do que acontecia um pouco longe de lá... No CCBB vi Divórcio à moda iraniana, documentário que faz parte da mostra Mulheres em apuros, que vai até o final da semana que vem. O filme merece, e vai ter, um post só pra ele. Amanhã, prometo!

O passeio é realmente uma forma deliciosa de conhecer a cidade, o que pulsa na cidade. A praça da Sé, a Catedral, pessoas correndo apressadas para todas as direções, engravatados saindo e entrando em bancos, cartazes ambulantes, ourives, dezenas de sujeitos vendendo passes, polícia por todo lado, ofertas irresistíveis de produtos desnecessários... E, pra quem procurar, um centro cultural, numa esquina da rua Álvares Penteado, num prédio antigo que vale a pena ser visitado, várias vezes. A programação deles é ótima.

Abrigo
Estava dirigindo na 23 de Maio quando desabou uma tempestade hoje. E reparei em um fenômeno curioso: os viadutos da avenida (para quem não conhece, é um dos principais eixos de Sampa) viram teto de vestiários improvisados por motoqueiros -que estacionam aos montes (chegam a atrapalhar ainda mais o trânsito) para colocar as roupas impermeáveis e seguir viagem.

Pena não ter uma câmera comigo naquela hora. Valia uma foto. Aliás, tenho que voltar a andar "armado"!

Vento
Apesar da chuva, que eu odeio, tem feito bastante calor em Sampa. O que eu também odeio... Não curto derreter dentro do meu milzinho (dentro do qual passo boa parte do dia) sem ar. Agora, quase início de madrugada de quinta (oba, já é quinta!) está batendo um vento delicioso. Nem tive coragem de fechar a janela da sala! E vou dormir com essa brisa e com a poesia da Cesaria Evora.

9.3.04

Qualidade de vida?
Fiquei puto quando saí, hoje, para pagar contas no banco e achei melhor deixar tudo (chaves, dinheiro, carteira, documentos, relógio) guardado -levei só minha carteira de motorista, o único documento que sempre carrego. Fui a pé até o banco, que fica a seis quadras da casa da minha mãe, no Paraíso, ao lado de uma delegacia. Mesmo assim, não senti tranqüilidade de carregar tudo. Por isso fiquei puto.

Mas quando cheguei ao banco e entrei, sem ninguém olhando pra mim, sem ninguém pra me fazer mil perguntas ou me pedir para mostrar os itens metálicos que carrego no bolso, ou sequer precisando passar por uma porta com detector de metais, me surpreendi. E fiquei assustado. Mesmo que o banco fique ao lado da delegacia, não duvido que pensem em assaltá-lo. Quis sair rápido. Sorte que não tinha fila.

Que qualidade de vida é essa, da qual tanto falam quando se referem ao Brasil?

Só comigo?
É só comigo ou quando você conta dinheiro se confunde quando passa pelas notas de dois e de vinte reais? Pelo menos comigo e com a caixa do banco onde paguei as contas isso acontece...!
Amor
Estou naqueles dias em que se tira o dia para pensar na vida. E, lendo os comentários ao post anterior, e os comentários que esses comentários geraram, entre as pessoas com quem andei falando no MSN, pensei mais. E pensei em loucuras por amor, em borboletas no estômago, no coração que pára de funcionar por alguns instantes, no cruzar de olhares definitivo, no toque intenso dos lábios, na palavra que define tudo, nos olhos cheios de lágrima pela emoção do beijo arrancado...

Como é bom amar. Que saudade eu tenho de quando o primeiro e o último pensamento do meu dia eram dedicados a uma pessoa, a ela... De quando eu conseguia, em pensamento, sentir o cheiro dela como se ela estivesse ali do meu lado... De quando eu a achava maravilhosamente linda, mesmo estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados... De quando eu não conseguia imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem ela...

Saudade desses tempos. Vontade que eles voltem.

Pequenos prazeres
Cachorro-quente de porta de escola ou de faculdade em Sampa: poucas coisas são tão saborosas e ao mesmo tempo nada nutritivas (who cares?)...! Especialmente aqueles prensados, que levam "de tudo": purê de batata, salada, salsicha, molhos...

8.3.04

Mulher
Ao observar uma mulher é necessário
muito mais do que a simples subjetividade de
um mero olhar quando deparar com uma diva.
O olhar às vezes escapa aos sentimentos mais
profundos. Não simplesmente a olhe, deleite-se
com os sentimentos mais profundos. As mulheres
fogem ao que se diz objeto. Observe-as sem vê-las,
pois desta forma sentirá uma coisa que o atraiçoa
por dentro, um leve torpor, um frio na barriga.


Não é só porque eu sou homem, e porque sou hetero, que amo as mulheres. Também não tem nada a ver com complexos de Édipo ou de quem quer que tenha escrito sobre paixões de filhos pelas mães. Tampouco diz respeito a sexo, hormônios, atração. Pelo menos não só a isso.

Amo as mulheres (melhor que dizer que amo a mulher, acho) porque amo. Porque elas são femininas. Porque elas sabem usar o olhar e arrancar da gente o que elas querem. Porque a inteligência emocional delas é alta, elas são emocionais e emotivas, elas choram, sorriem, gozam e vivem intensamente. Amo as mulheres porque me dei conta de que não sei viver sem elas...

"O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma multidão inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (esse desejo diz respeito a uma só mulher)".
(Milan Kundera)

Feliz dia internacional da mulher.
Hoje e todos os dias.


Terapia do travesseiro
Nada, agora, como uma boa noite de sono, depois de bater papo com pessoas queridas. Não existe melhor fórmula para deixar os problemas e as mágoas para trás e se encher de energia pra começar um novo dia. Pobre travesseiro, o meu!

O futuro tem de ser obra nossa (N. Titulescu)

7.3.04

Intimidade é...
Eu poderia falar um montão sobre o que eu acho que intimidade é, mas a Martha Medeiros já fez isso e fez muito bem. Penso bem como ela. A propósito do filme mencionado no texto, Encontros e desencontros, quero muito ir ao cinema. Faz tempo que não vou e tem um monte de filmes (esse é um deles) que quero ver. Aceito convites descarados, desde que sejam verdadeiros...!