Citação
Essa eu roubei daqui: "Aqueles que sonham de dia sabem muitas coisas que escapam àqueles que sonham de noite. Nas suas vagas visões, obtêm relances de eternidade, e quando despertam estremecem, ao verem que estiveram mesmo à beira do grande segredo". (Edgar Alan Poe)
Baseado em fatos reais...
Diretamente de 31.78/35.22, mais conhecida como Jerusalém, escrevo para quem quiser ler - um pouco da vida e do dia-a-dia de um sujeito perdido em Israel.
16.5.03
15.5.03
Razões que a própria razão desconhece
As pessoas têm me perguntado qual a real razão por trás da estranha renúncia do Menem à candidatura à presidência, poucos dias antes do segundo turno da disputa na Argentina. Eu pensava que o único motivo era o medo de levar uma lavada do outro candidato, Néstor Kirchner, que será a partir do fim do mês o novo presidente argentino. Isso porque as pesquisas vinham indicando que Menem perderia feio: seu adversário teria mais de 70% dos votos, ultrapassando o recorde anterior, de Perón, que em 1973 teve 61,85%.
Poderia ainda ser uma estratégia "menemista", ainda que burra, para enfraquecer Kirchner, já que analistas avaliavam que a desistência de Menem poderia prejudicar o adversário. Mas li outra coisa que me fez pensar. Menem é o ex-presidente que acabou (há cerca de um ano) de sair da cadeia. Na Suíça, ressurgiu nesta semana a acusação da existência de US$ 10 milhões em uma conta secreta sua. O dinheiro teria sido uma recompensa recebida do Irã para arquivar as investigações sobre o atentado contra a AMIA (entidade judaica argentina) em 1994, que matou 86 pessoas em Buenos Aires...
Talvez isso explique, por exemplo, a gigantesca rejeição de Menem entre universitários, em uma pesquisa do último fim-de-semana. Não sei, ao certo, o que motivou Menem à renúncia. Mas fico entre essas três possíveis avaliações. O tempo vai dizer qual delas estava certa. Ou se alguma outra, vai saber...
As pessoas têm me perguntado qual a real razão por trás da estranha renúncia do Menem à candidatura à presidência, poucos dias antes do segundo turno da disputa na Argentina. Eu pensava que o único motivo era o medo de levar uma lavada do outro candidato, Néstor Kirchner, que será a partir do fim do mês o novo presidente argentino. Isso porque as pesquisas vinham indicando que Menem perderia feio: seu adversário teria mais de 70% dos votos, ultrapassando o recorde anterior, de Perón, que em 1973 teve 61,85%.
Poderia ainda ser uma estratégia "menemista", ainda que burra, para enfraquecer Kirchner, já que analistas avaliavam que a desistência de Menem poderia prejudicar o adversário. Mas li outra coisa que me fez pensar. Menem é o ex-presidente que acabou (há cerca de um ano) de sair da cadeia. Na Suíça, ressurgiu nesta semana a acusação da existência de US$ 10 milhões em uma conta secreta sua. O dinheiro teria sido uma recompensa recebida do Irã para arquivar as investigações sobre o atentado contra a AMIA (entidade judaica argentina) em 1994, que matou 86 pessoas em Buenos Aires...
Talvez isso explique, por exemplo, a gigantesca rejeição de Menem entre universitários, em uma pesquisa do último fim-de-semana. Não sei, ao certo, o que motivou Menem à renúncia. Mas fico entre essas três possíveis avaliações. O tempo vai dizer qual delas estava certa. Ou se alguma outra, vai saber...
Quanto tá o jogo?
Futebol no Brasil é uma coisa mágica, mesmo. Não importa quem joga ou quem torce. A pergunta "Quanto tá o jogo?" é sempre suficiente. Hoje, por exemplo. Cheguei no supermercado, perto da meia-noite, em meio aos estouros de fogos de artifício. Pensei que o Corinthians, que jogava contra o River Plate, estava ganhando. Mas descobri que eram torcedores que queriam o time brasileiro fora, comemorando o segundo gol do time argentino. O Corinthians acabou perdendo. E desclassificado da Libertadores da América.
Não importa. Torcedor que é torcedor sempre arranja uma desculpa. O segurança do estacionamento do supermercado dependia dos gritos que vinham dos prédios próximos para acompanhar o placar. Quando eu saí do meu carro ele já lançou a pergunta: "Quanto tá o jogo?", ao que eu respondi que não sabia. Descobri dentro, onde os atendentes estavam acompanhando com radinho de pilha: um a um. Quando saí, com as compras, o empate já era notícia velha: o River tinha feito o segundo. E o segurança estava feliz. "Você é palmeirense?", perguntei. "Não, sou anti-Corinthians", ele disse, com um sorriso.
Mais nostalgia
Quem é que não se lembra de quando fazíamos filtros com pedaços de negativo velado para observar eclipses solares sem prejudicar os olhos?!
Ou, para os que nasceram até o final da década de 1970, como eu, de quando o cometa Halley passou e foi visível a partir do Brasil? Minha família toda se reuniu na cobertura onde eu morava na época e, com lunetas, pudemos ver o espetáculo momentâneo... O ano era 1984, eu acho!
Bom, sexta que vem vai ter eclipse total da Lua, visível do Brasil. Durante 53 minutos, a Lua estará completamente imersa em sombras. E poderá ser vista, a olho nu ou com pequenos telescópios, a partir daqui. O eclipse deve começar à 0h14 (horário de Brasília) de sexta-feira. Se o céu estiver descoberto, será possível observar o eclipse desde 22h46 da quinta.
Futebol no Brasil é uma coisa mágica, mesmo. Não importa quem joga ou quem torce. A pergunta "Quanto tá o jogo?" é sempre suficiente. Hoje, por exemplo. Cheguei no supermercado, perto da meia-noite, em meio aos estouros de fogos de artifício. Pensei que o Corinthians, que jogava contra o River Plate, estava ganhando. Mas descobri que eram torcedores que queriam o time brasileiro fora, comemorando o segundo gol do time argentino. O Corinthians acabou perdendo. E desclassificado da Libertadores da América.
Não importa. Torcedor que é torcedor sempre arranja uma desculpa. O segurança do estacionamento do supermercado dependia dos gritos que vinham dos prédios próximos para acompanhar o placar. Quando eu saí do meu carro ele já lançou a pergunta: "Quanto tá o jogo?", ao que eu respondi que não sabia. Descobri dentro, onde os atendentes estavam acompanhando com radinho de pilha: um a um. Quando saí, com as compras, o empate já era notícia velha: o River tinha feito o segundo. E o segurança estava feliz. "Você é palmeirense?", perguntei. "Não, sou anti-Corinthians", ele disse, com um sorriso.
Mais nostalgia
Quem é que não se lembra de quando fazíamos filtros com pedaços de negativo velado para observar eclipses solares sem prejudicar os olhos?!
Ou, para os que nasceram até o final da década de 1970, como eu, de quando o cometa Halley passou e foi visível a partir do Brasil? Minha família toda se reuniu na cobertura onde eu morava na época e, com lunetas, pudemos ver o espetáculo momentâneo... O ano era 1984, eu acho!
Bom, sexta que vem vai ter eclipse total da Lua, visível do Brasil. Durante 53 minutos, a Lua estará completamente imersa em sombras. E poderá ser vista, a olho nu ou com pequenos telescópios, a partir daqui. O eclipse deve começar à 0h14 (horário de Brasília) de sexta-feira. Se o céu estiver descoberto, será possível observar o eclipse desde 22h46 da quinta.
14.5.03
Consumidor
Para quem usa estacionamentos, importante saber que o estabelecimento é responsável por danos em veículos.
Para quem usa estacionamentos, importante saber que o estabelecimento é responsável por danos em veículos.
Sessão nostalgia
Estou me divertindo lendo os textos das Garotas que dizem Ni. Dos mais recentes, o mais divertido é o da "Vivi Griswold", que narra um jogo que fez parte da infância de pelo menos toda a minha geração... Cara a cara! O site delas, linkado entre meus "vizinhos", é aliás recheado de nostalgia. Uma das "garotas" é a Clarissa, que estudou comigo na Metô na turma de 1997. É dela o divertidíssimo Pode repetir? – Parte 1, sobre as confusões que fazemos no entendimento de letras de músicas. Vale a pena ler, para dar boas risadas!
Estou me divertindo lendo os textos das Garotas que dizem Ni. Dos mais recentes, o mais divertido é o da "Vivi Griswold", que narra um jogo que fez parte da infância de pelo menos toda a minha geração... Cara a cara! O site delas, linkado entre meus "vizinhos", é aliás recheado de nostalgia. Uma das "garotas" é a Clarissa, que estudou comigo na Metô na turma de 1997. É dela o divertidíssimo Pode repetir? – Parte 1, sobre as confusões que fazemos no entendimento de letras de músicas. Vale a pena ler, para dar boas risadas!
Feliz aniversário!
Hoje é o dia, no calendário comum, no qual, 55 anos atrás, nasceu um país chamado Israel, proclamado pelo homem que seria o primeiro premiê do Estado judeu, David Ben Gurion. Era uma sexta-feira e na casa do então prefeito de Tel Aviv, Meir Dizengoff, se proclamou a independência.
Li hoje um artigo no O Povo, jornal do Ceará, que resume bem a luta do povo judeu pela terra de Israel e o significado dessa data para nós (eu acho que é a data mais importante para o povo judeu no século 20).
Hoje é o dia, no calendário comum, no qual, 55 anos atrás, nasceu um país chamado Israel, proclamado pelo homem que seria o primeiro premiê do Estado judeu, David Ben Gurion. Era uma sexta-feira e na casa do então prefeito de Tel Aviv, Meir Dizengoff, se proclamou a independência.
Li hoje um artigo no O Povo, jornal do Ceará, que resume bem a luta do povo judeu pela terra de Israel e o significado dessa data para nós (eu acho que é a data mais importante para o povo judeu no século 20).
"Você é modelo?"
Putz! Ser paquerado por homem descaradamente é o fim... E já me aconteceu outras vezes, hoje não foi a primeira... Hoje ampliei na faculdade uma foto muito legal que uma amiga minha, a Tati, do 2º semestre, tirou de mim na semana passada. Com a foto em mãos (depois de duas tentativas ela saiu direito, e se eu conseguir escanear coloco aqui depois), um sujeito (prefiro não dizer quem!) não se conteve e veio me perguntar se eu era modelo, com aquela voz afeminada que me irrita (acho que gay não precisa contar pra todo mundo que é gay, oras)... Eu disse que não e ganhei um elogio... Fui embora!
Putz! Ser paquerado por homem descaradamente é o fim... E já me aconteceu outras vezes, hoje não foi a primeira... Hoje ampliei na faculdade uma foto muito legal que uma amiga minha, a Tati, do 2º semestre, tirou de mim na semana passada. Com a foto em mãos (depois de duas tentativas ela saiu direito, e se eu conseguir escanear coloco aqui depois), um sujeito (prefiro não dizer quem!) não se conteve e veio me perguntar se eu era modelo, com aquela voz afeminada que me irrita (acho que gay não precisa contar pra todo mundo que é gay, oras)... Eu disse que não e ganhei um elogio... Fui embora!
13.5.03
Aleinu atualizada
Tomei vergonha na cara e atualizei a Aleinu. Como estamos em semana de independência de Israel, achei interessante colocar no ar duas matérias referentes a essa data. Uma delas, sobre demografia, muito feliz, mostra os números da população israelense, que hoje é de 6,7 milhões de pessoas, contra 806 mil quando Ben Gurion declarou criado o Estado judeu, em 14 de maio de 1948. Desse total, quase 80% são judeus hoje.
A outra, nada alegre, é a que revela os números do terrorismo desde o início da atual Intifada, que completa 32 meses no final de maio. Uma análise aprofundada nesses dados revela como, na verdade, embora os números absolutos de palestinos mortos sejam maiores, a população civil israelense foi a mais atingida. Houve uma média diária de dezoito ataques contra israelenses, e um saldo de 768 mortos desde setembro de 2000 (mais de 70% deles, civis).
Falando em Israel e lembrando do dia de hoje, que comemora a abolição da escravatura, uma frase, do rabino Meir Lau: Israel é o único país do mundo que retirou um povo negro da África não para torná-los escravos, mas para torná-los homens livres. Fica para pensar.
Tomei vergonha na cara e atualizei a Aleinu. Como estamos em semana de independência de Israel, achei interessante colocar no ar duas matérias referentes a essa data. Uma delas, sobre demografia, muito feliz, mostra os números da população israelense, que hoje é de 6,7 milhões de pessoas, contra 806 mil quando Ben Gurion declarou criado o Estado judeu, em 14 de maio de 1948. Desse total, quase 80% são judeus hoje.
A outra, nada alegre, é a que revela os números do terrorismo desde o início da atual Intifada, que completa 32 meses no final de maio. Uma análise aprofundada nesses dados revela como, na verdade, embora os números absolutos de palestinos mortos sejam maiores, a população civil israelense foi a mais atingida. Houve uma média diária de dezoito ataques contra israelenses, e um saldo de 768 mortos desde setembro de 2000 (mais de 70% deles, civis).
Falando em Israel e lembrando do dia de hoje, que comemora a abolição da escravatura, uma frase, do rabino Meir Lau: Israel é o único país do mundo que retirou um povo negro da África não para torná-los escravos, mas para torná-los homens livres. Fica para pensar.
Coreano
Outro dia coloquei aqui meu nome em árabe, hebraico e japonês. Hoje é a vez do coreano que, como contei, um voluntário do kibutz onde eu estava há um ano escreveu pra mim. Eu só não me lembro da pronúncia... Alguém se habilita?! (Valeu, Michel!)
Outro dia coloquei aqui meu nome em árabe, hebraico e japonês. Hoje é a vez do coreano que, como contei, um voluntário do kibutz onde eu estava há um ano escreveu pra mim. Eu só não me lembro da pronúncia... Alguém se habilita?! (Valeu, Michel!)
Contradição? Não!
Odeio congestionamentos. Não suporto perder tempo no trânsito. Mas, de vez em quando, um farol vermelho é tudo de bom...
Por você...
Eu mudaria até o meu nome
Eu viveria em greve de fome
Desejaria todo o dia a mesma mulher
(Barão Vermelho)
Odeio congestionamentos. Não suporto perder tempo no trânsito. Mas, de vez em quando, um farol vermelho é tudo de bom...
Por você...
Eu mudaria até o meu nome
Eu viveria em greve de fome
Desejaria todo o dia a mesma mulher
(Barão Vermelho)
12.5.03
Ética?
Li hoje assustado no Estadão a história de um jornalista de 27 anos que conseguiu de uma vez só acabar com a própria carreira e reputação e, de quebra, fazer estremecer a relação de confiança entre o The New York Times, um dos mais antigos e respeitados jornais norte-americanos, e seus leitores. O cara forjou entrevistas, plagiou outros veículos, criou situações que nunca existiram e mandou material dizendo que estava em lugares onde nunca esteve... Que ética pode ter uma pessoa assim? O recurso humano do jornal é justamente seu profissional. Se ele não atua com ética, verdade e profissionalismo, então como um veículo pode transmitir seriedade e confiança a seus leitores?
De volta à pauta
Está voltando às manchetes dos jornais em todo o mundo o tema do conflito israelo-palestino, depois da guerra no Iraque. Agora as atenções estão voltadas ao Road Map (a tradução adotada pela imprensa brasileira, Mapa da Estrada, é indecente!), o plano do Quarteto (EUA, Rússia, União Européia e ONU) que pretende em três fases trazer a paz para a região. E, com isso, vai recomeçar a pipocar mídia anti-semita e anti-Israel... É esperar pra ver...
Casa nova
Está todinho reformulado o site da Hebraica de São Paulo. Eu ajudei no começo da reformulação, mas acabei me desligando por falta de tempo (mesmo assim, eles mantiveram meu nome como colaborador, aqui). Ficou muito bom. Espero voltar a ajudar!
Li hoje assustado no Estadão a história de um jornalista de 27 anos que conseguiu de uma vez só acabar com a própria carreira e reputação e, de quebra, fazer estremecer a relação de confiança entre o The New York Times, um dos mais antigos e respeitados jornais norte-americanos, e seus leitores. O cara forjou entrevistas, plagiou outros veículos, criou situações que nunca existiram e mandou material dizendo que estava em lugares onde nunca esteve... Que ética pode ter uma pessoa assim? O recurso humano do jornal é justamente seu profissional. Se ele não atua com ética, verdade e profissionalismo, então como um veículo pode transmitir seriedade e confiança a seus leitores?
De volta à pauta
Está voltando às manchetes dos jornais em todo o mundo o tema do conflito israelo-palestino, depois da guerra no Iraque. Agora as atenções estão voltadas ao Road Map (a tradução adotada pela imprensa brasileira, Mapa da Estrada, é indecente!), o plano do Quarteto (EUA, Rússia, União Européia e ONU) que pretende em três fases trazer a paz para a região. E, com isso, vai recomeçar a pipocar mídia anti-semita e anti-Israel... É esperar pra ver...
Casa nova
Está todinho reformulado o site da Hebraica de São Paulo. Eu ajudei no começo da reformulação, mas acabei me desligando por falta de tempo (mesmo assim, eles mantiveram meu nome como colaborador, aqui). Ficou muito bom. Espero voltar a ajudar!
11.5.03
Da série Tratados e Teorias: Teoria da aliança
(Leia também, da mesma série, Tratado sobre a ex)
Tenho uma teoria sobre alianças de compromisso, aquelas prateadas que entregamos em clima de paixão, quando o namoro vai muito bem e que, geralmente, usa-se na mão direita, "para ser trocada de cor e de mão no altar". Alianças, algumas delas de ouro branco, outras de bijuteria, servem apenas para as brigas. Já explico minha opinião. Antes, quero dizer que já usei alianças, e que elas tinham até nossos nomes gravados. Por isso, falo com autoridade!
Estava saindo da faculdade outro dia quando ouvi o pedaço de um desabafo de uma garota, conversando com outras duas: Aí eu joguei a aliança na cara dele. Pois é... Nessas horas, mesmo que lhe falte um vaso ou algo mais pesado e mortífero para jogar contra a cabeça do sujeito, as alianças funcionam perfeitamente. A minha aliança (não a que eu usava, a outra...!), com o meu nome gravado e tudo mais, já foi parar dentro de uma piscina...
Era assim: a gente brigava, discutia, arrancava a aliança e jogava -o destino delas era variado: fundo de piscina (depois eu tive que mergulhar para procurar...!), a cara do outro, o chão, o lixo, o banco de trás do carro... Enfim, o que estivesse mais próximo e que parecesse mais ameaçador para o pedacinho de metal (qualquer que fosse o metal!). Por isso eu sou contra alianças hoje. Elas quase só servem para as brigas! "Quase" porque também são ótimas para atrair gente do sexo oposto -mas aí já não adianta mais nada!
(Leia também, da mesma série, Tratado sobre a ex)
Tenho uma teoria sobre alianças de compromisso, aquelas prateadas que entregamos em clima de paixão, quando o namoro vai muito bem e que, geralmente, usa-se na mão direita, "para ser trocada de cor e de mão no altar". Alianças, algumas delas de ouro branco, outras de bijuteria, servem apenas para as brigas. Já explico minha opinião. Antes, quero dizer que já usei alianças, e que elas tinham até nossos nomes gravados. Por isso, falo com autoridade!
Estava saindo da faculdade outro dia quando ouvi o pedaço de um desabafo de uma garota, conversando com outras duas: Aí eu joguei a aliança na cara dele. Pois é... Nessas horas, mesmo que lhe falte um vaso ou algo mais pesado e mortífero para jogar contra a cabeça do sujeito, as alianças funcionam perfeitamente. A minha aliança (não a que eu usava, a outra...!), com o meu nome gravado e tudo mais, já foi parar dentro de uma piscina...
Era assim: a gente brigava, discutia, arrancava a aliança e jogava -o destino delas era variado: fundo de piscina (depois eu tive que mergulhar para procurar...!), a cara do outro, o chão, o lixo, o banco de trás do carro... Enfim, o que estivesse mais próximo e que parecesse mais ameaçador para o pedacinho de metal (qualquer que fosse o metal!). Por isso eu sou contra alianças hoje. Elas quase só servem para as brigas! "Quase" porque também são ótimas para atrair gente do sexo oposto -mas aí já não adianta mais nada!
Uma bela entrevista
Muito boa a entrevista de José Hamilton Ribeiro, para a Trip deste mês. Confesso que olhei a revista na banca por causa da foto da Lavínia Vlasak (autora da frase e dona das curvas ao lado) na capa. Mas decidi comprar mesmo por causa da chamada para a entrevista com o jornalista, o "repórter-mito da imprensa brasileira", como a matéria do Paulo Lima, um dos meus ídolos (eu acho!), descreveu.
O texto começa com uma lição de vida. O original da reportagem de Zé Hamilton para a Realidade, a melhor revista que o Brasil já teve, conta o momento da explosão da mina que lhe arrancou a perna, durante a cobertura da guerra do Vietnã em 1968. A primeira reação do repórter, atingido, foi a de perguntar, em meio à fumaça, se o soldado destacado para acompanhá-lo, se ele estava bem. Nos capítulos seguintes da reportagem de Ribeiro, que saiu na Realidade, ele narra como as pessoas, afinal, mesmo feridas, não reclamam da situação. O texto pode ser lido no livro A arte da reportagem, de Igor Fuser.
Enfim, o que mais de chamou a atenção na entrevista foi a opinião do Zé Hamilton sobre a guerra dos EUA contra o Iraque. Confesso que me surpreendi ao ler que ele é/ foi favorável à guerra, mesmo depois de ter saído mutilado de um outro episódio bélico. O cara, uma espécie de "lenda" do jornalismo brasileiro, com seis prêmios Esso, dá argumentos muito parecidos com os meus para justificar o que alguns poderiam chamar de belicismo:
Saddam Hussein jogou armas químicas nos curdos. Morreram todas as pessoas de uma pequena vila. Sentindo falta de ar dentro de casa, corriam para a rua, e lá estava o gás. Morreu todo o mundo na calçada, enconstado nos bancos, de boca aberta, tentando buscar o ar. Nesse momento, a ONU tinha de ter levado Saddam a julgamento como fez com Slobodan Milosevic [ex-ditador e presidente iugoslavo, também conhecido como "carniceiro de Belgrado"], acusado de genocídio. É fácil, principalmente pro pessoal esquerzidóide, condenar de pronto a invasão ao Iraque. Mas é inegável que a ONU se omitiu, virou um paraíso de burocratas, onde o mote é reunião. Discute daqui, discute dali, e ninguém pega no ganzê, ninguém pega no breu. Chegou a hora em que pelo menos uma parte do mundo, uma parte ponderada que envolve EUA, Inglaterra, Itália e cerca de 40 países, sentiu que tinha de dar um basta num tirano primitivo, um fascínora quase amoral, um sujeito que manda matar genro, que é capaz de explorar um povo tão pobre ao nível de possuir 20 palácios e muitos milhões de dólares no exterior. De repente aparece um presidente americano corajoso demais ou meio ensandecido, que decide desarmar esse homem. Desde que amanhã não se veja que essa invasão ao Iraque tem a ver com interesse direto no petróleo, desde que não se tomem os poços para companhias americanas, a história vai comprovar que essa foi uma guerra generosa. E os EUA serão absolvidos. Agora, se amanhã se provar interesses mesquinhos da parte dos americanos, a história também não vai perdoar.
É para se pensar, não? Eu também gostei das dicas dele para um bom correspondente de guerra (que, se pararmos para pensar, podem ser as dicas para um bom jornalista):
1º) O jornalista traz na alma a vaidade, complexo de herói, 'espírito cooperativo' e a curiosidade;
2º) O profissional precisa ser bem-amado, ter bom intestino e não estar pejado de ódio e inveja;
3º) O repórter precisa ter bons dentes, saber inglês, ler poesia, conhecer a constituição de uma orquestra sinfônica e as gemas no ombro dos militares.
Muito boa a entrevista de José Hamilton Ribeiro, para a Trip deste mês. Confesso que olhei a revista na banca por causa da foto da Lavínia Vlasak (autora da frase e dona das curvas ao lado) na capa. Mas decidi comprar mesmo por causa da chamada para a entrevista com o jornalista, o "repórter-mito da imprensa brasileira", como a matéria do Paulo Lima, um dos meus ídolos (eu acho!), descreveu.
O texto começa com uma lição de vida. O original da reportagem de Zé Hamilton para a Realidade, a melhor revista que o Brasil já teve, conta o momento da explosão da mina que lhe arrancou a perna, durante a cobertura da guerra do Vietnã em 1968. A primeira reação do repórter, atingido, foi a de perguntar, em meio à fumaça, se o soldado destacado para acompanhá-lo, se ele estava bem. Nos capítulos seguintes da reportagem de Ribeiro, que saiu na Realidade, ele narra como as pessoas, afinal, mesmo feridas, não reclamam da situação. O texto pode ser lido no livro A arte da reportagem, de Igor Fuser.
Enfim, o que mais de chamou a atenção na entrevista foi a opinião do Zé Hamilton sobre a guerra dos EUA contra o Iraque. Confesso que me surpreendi ao ler que ele é/ foi favorável à guerra, mesmo depois de ter saído mutilado de um outro episódio bélico. O cara, uma espécie de "lenda" do jornalismo brasileiro, com seis prêmios Esso, dá argumentos muito parecidos com os meus para justificar o que alguns poderiam chamar de belicismo:
Saddam Hussein jogou armas químicas nos curdos. Morreram todas as pessoas de uma pequena vila. Sentindo falta de ar dentro de casa, corriam para a rua, e lá estava o gás. Morreu todo o mundo na calçada, enconstado nos bancos, de boca aberta, tentando buscar o ar. Nesse momento, a ONU tinha de ter levado Saddam a julgamento como fez com Slobodan Milosevic [ex-ditador e presidente iugoslavo, também conhecido como "carniceiro de Belgrado"], acusado de genocídio. É fácil, principalmente pro pessoal esquerzidóide, condenar de pronto a invasão ao Iraque. Mas é inegável que a ONU se omitiu, virou um paraíso de burocratas, onde o mote é reunião. Discute daqui, discute dali, e ninguém pega no ganzê, ninguém pega no breu. Chegou a hora em que pelo menos uma parte do mundo, uma parte ponderada que envolve EUA, Inglaterra, Itália e cerca de 40 países, sentiu que tinha de dar um basta num tirano primitivo, um fascínora quase amoral, um sujeito que manda matar genro, que é capaz de explorar um povo tão pobre ao nível de possuir 20 palácios e muitos milhões de dólares no exterior. De repente aparece um presidente americano corajoso demais ou meio ensandecido, que decide desarmar esse homem. Desde que amanhã não se veja que essa invasão ao Iraque tem a ver com interesse direto no petróleo, desde que não se tomem os poços para companhias americanas, a história vai comprovar que essa foi uma guerra generosa. E os EUA serão absolvidos. Agora, se amanhã se provar interesses mesquinhos da parte dos americanos, a história também não vai perdoar.
É para se pensar, não? Eu também gostei das dicas dele para um bom correspondente de guerra (que, se pararmos para pensar, podem ser as dicas para um bom jornalista):
1º) O jornalista traz na alma a vaidade, complexo de herói, 'espírito cooperativo' e a curiosidade;
2º) O profissional precisa ser bem-amado, ter bom intestino e não estar pejado de ódio e inveja;
3º) O repórter precisa ter bons dentes, saber inglês, ler poesia, conhecer a constituição de uma orquestra sinfônica e as gemas no ombro dos militares.
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